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AgroDiário

Região de Rio Preto terá rota do cacau, com objetivo de impulsionar produção e renda

Região de Rio Preto, entre os municípios de Mendonça e Adolfo, ganha um novo passeio turístico com a rota do cacau; objetivo é impulsionar a produção do fruto e gerar renda e emprego aos produtores

por Cristina Cais
Publicado em 04/03/2023 às 19:44Atualizado em 05/03/2023 às 07:43
Atualmente são cultivados mais de 200 hectares de cacau na região Noroeste paulista (Divulgação)
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Atualmente são cultivados mais de 200 hectares de cacau na região Noroeste paulista (Divulgação)
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Um lugar bucólico, com muitas áreas rurais que não foram tomadas pela cana-de-açúcar, tornando o passeio mais precioso para quem quer aproveitar o turismo rural e conhecer a vida no campo “raiz”. Esse é o cenário idealizado para a rota do cacau, fruto que origina uma guloseima muito apreciada pela população brasileira: o chocolate. O trajeto turístico faz parte de um projeto que vem sendo desenvolvido para a produção de cacau no Noroeste do estado de São Paulo.

Em 15 quilômetros de estrada asfaltada, entre os municípios de Mendonça e Adolfo, onde também se localiza o bairro Aiuruoca - bastante conhecido pelos moradores da região por ter esse cenário de tradição rural -, agricultores de algumas propriedades vão disponibilizar o plantio do cacau. Começa aí a rota do cacau para o turista conhecer da plantação do fruto até o produto final, com o chocolate também produzido na região Noroeste paulista.

“Teremos 40 pontos da rota com o plantio do cacau para que o turista conheça a árvore que produz a amêndoa do chocolate. Também teremos um chef que vai produzir o chocolate e dar início ao fomento do turismo rural na região, para que os visitantes possam aproveitar a guloseima produzida aqui”, conta o agrônomo Fioravante Stucchi Neto, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo.

A escolha do local foi estratégica, segundo o agrônomo, por aliar os turistas que já visitam as prainhas dos municípios de Mendonça e Adolfo, e que a partir do dia 18 de março, sábado, quando será lançada oficialmente a rota do cacau, conheçam também a produção do fruto. “A ideia é gerar renda aos produtores da região, que poderão oferecer também um queijo, um pão caseiro e outros produtos artesanais feitos por eles para comercializar entre os visitantes”, ressalta Fioravante.

Oportunidades

Além de impulsionar a produção de cacau na região, Fioravante explica que as parcerias entre órgãos públicos e privados que fazem parte do projeto desenvolvido na região enxergam várias oportunidades de negócios com o cacau plantado em solo paulista. “Com essas parcerias, conseguimos comprar alguns equipamentos para a fabricação do chocolate, que será feito na Casa da Agricultura de Mendonça”, afirma.

Para os produtores rurais, os técnicos dão todo o respaldo de conhecimentos teóricos e práticos para o manejo com o cacau. Fioravante diz ainda que os produtores vão poder plantar o cacau e agregar mais valor às propriedades da região. Em Mendonça, já existe uma área experimental do cacau para a avaliação da cultura na região.

Na rota do cacau, Fioravante diz ainda que o local escolhido é muito atrativo e já conta com os turistas das prainhas e de ciclistas que percorrem a estrada nos finais de semana. “Temos um lugar muito bonito, com pequenas propriedades que não foram invadidas pela cana, onde há a tradição de capelas e das belezas do bairro Aiuruoca”.

Parceria com Ministério

Atualmente são mais de 200 hectares de cacau cultivados na região Noroeste de São Paulo e mais de 20 produtores que investiram na cultura, consorciada com a seringueira, incluindo ainda a bananeira que faz sombreamento para as plantas de cacau. O projeto teve início em 2014, mas as primeiras colheitas já foram feitas pelos produtores, gerando a comercialização dos frutos destinados ao processamento do chocolate.

Nesta semana, mais uma etapa avançou, com a formalização de parceria entre a Comissão Executiva do Plano de Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão do Ministério da Agricultura, e a Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp). Segundo o diretor de agronegócios da Acirp, André Seixas, a ideia da parceria entre as duas entidades é ter um campo de pesquisa do cacau na região, com a organização do Ceplac.

“Em algumas áreas, em parceria também com a Secretaria estadual de Agricultura, o cultivo de cacau vai ter mais de uma dezena de clones diferentes para que os pesquisadores avaliem o desempenho genético das cultivares e a adaptação para o clima da nossa região”, comenta Seixas. As mudas de cacau, atualmente, são adquiridas pelos produtores de viveiros da Bahia, um dos estados com grande produção e tradição no cultivo de cacaueiros, o que encarece o custo de produção para a região do Noroeste. (CC)

Para pequenos e grandes produtores

Para a produtora Mônica de Oliveira Munhoz, que plantou 3 mil pés de cacau em Palmares Paulista, a oportunidade em novas pesquisas e de formar mudas na região, a partir da coordenação do Ceplac, é importante para “termos as melhores cultivares e amêndoas de qualidade para a produção do chocolate”. Mônica está se antecipando na cadeia produtiva do cacau e deve investir mais de R$ 150 mil na compra de equipamentos para fabricar o chocolate.

“Ainda não tenho uma colheita, que será realizada no próximo ano, mas já me antecipei e vou comprar as amêndoas para dar início à fabricação do chocolate. Também tenho ideia de fomentar o turismo rural aqui na região de Catanduva com a produção do cacau, abrindo para os turistas conhecerem o plantio”, diz Mônica, que tem a produção de cana e conseguiu investir no cacau com a receita da propriedade.

Na pequena propriedade de José Juraci Fachini, em José Bonifácio, o cultivo de cacau começou com a curiosidade do produtor, que viu o fruto em um supermercado da cidade. Ele retirou as sementes e plantou o cacau entre as ruas de seringueiras. Hoje, tem 600 árvores e viu uma oportunidade de negócio com uma cultura nova para a região.

“Achei caro o fruto e pensei em plantar. Agora recebo a orientação do agrônomo Fioravante Neto, e já recebi proposta de uma grande rede de supermercados de Rio Preto para vender o cacau para eles. Mas por enquanto acho cedo para vender o fruto porque estou formando mais sementes e pretendo comercializar para a indústria”, conta o agricultor. (CC)