AGRODIÁRIO

Programa ajuda a evitar desperdício de defensivos agrícolas

Estudo aponta que pulverizações no campo, quando bem orientadas, reduzem em até 30% o uso de defensivos; preços altos também impactam na diminuição de doses

por Cristina Cais
Publicado em 05/12/2022 às 23:30Atualizado em 06/12/2022 às 08:39
Produtores recebem as orientações em campo (Divulgação)
Galeria
Produtores recebem as orientações em campo (Divulgação)
Ouvir matéria

Treinamentos no campo têm ajudado o produtor a aplicar defensivos agrícolas, oferecendo assistência em tecnologia para diversas culturas e tipos de pulverizadores, nas propriedades rurais brasileiras. Para isso, os agricultores recebem instruções de como reduzir as perdas com os agroquímicos, que podem evitar o desperdício de até 30% das pulverizações. Além disso, melhorar a segurança do aplicador e minimizar os riscos ambientais e de alimentos fazem parte do programa de treinamentos no campo.

Essas orientações aos produtores rurais integram o programa Aplique Bem, uma parceria do Instituto Agronômico (IAC) e da iniciativa privada, que fazem os treinamentos no campo, gratuitamente. De acordo com o pesquisador do IAC Hamilton Ramos, o programa atingiu o treinamento de 80 mil pessoas (entre produtores e funcionários), em 23 estados brasileiros, além de exportar a tecnologia para outros sete países.

“Trabalhamos com uma pulverização bem feita, orientando sobre um bom pulverizador, que deve ser bem regulado para a aplicação do defensivo, e com uma pessoa bem treinada”, diz Hamilton. As perdas de defensivo, segundo o pesquisador, são menores e o produtor também passa a usar menos produtos químicos.

Ele explica ainda que o projeto surgiu da necessidade de trazer mais benefícios ao produtor rural e trabalhadores do campo. “Muitas pessoas aprenderam a fazer as aplicações com os familiares ou com leigos no assunto. Então, levamos esse conhecimento técnico, que tem muita informação, mas também a prática nas lavouras”, afirma.

Segurança

No contexto da aplicação de defensivos químicos de melhor qualidade e da forma mais correta no campo, o agrônomo Andrey Vetorelli, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), de Rio Preto, diz que é importante esse acerto para a saúde alimentar do consumidor, com menos resíduos nos alimentos, e menos impacto ambiental.

Andrey considera fundamentais os treinamentos para os agricultores, técnicos e trabalhadores da agricultura. “Quando se aplica corretamente os produtos, há a segurança para quem está manuseando os produtos, para a saúde do trabalhador. E ainda com a aplicação de qualidade, o produtor consegue o controle melhor das pragas e doenças”, acrescenta.

Na questão ambiental, Andrey avalia que com a pulverização sem desperdício, de maneira correta, como ocorre com o treinamento dado ao produtor pelo programa Aplique Bem, há menos impacto de produtos químicos no meio ambiente. “Perde-se menos produto, joga-se menos no solo, o que não provoca a contaminação do lençol freático e dos rios”, finaliza.

Laboratório móvel

Laboratório móvel que leva o treinamento à lavoura (Divulgação)
Galeria
Laboratório móvel que leva o treinamento à lavoura (Divulgação)

De acordo com o pesquisador Hamilton Ramos, responsável pelo programa Aplique Bem, toda a parte técnica, além de materiais usados nos treinamentos, é oferecida pelo IAC, sendo a empresa parceira responsável pelos agendamentos nas propriedades rurais. Hoje o programa conta com quatro camionetes, que são os laboratórios móveis para a realização dos treinamentos.

Hamilton diz que durante as orientações aos produtores não é recomendado nenhum tipo de defensivo e nem comercializada nenhuma marca. “Apenas fazemos as recomendações sobre o uso, e temos todos os materiais para fazer a aplicação no campo”. As pulverizações são aplicadas através de equipamento costal ou em máquinas agrícolas. Segundo o pesquisador, não há a pulverização por avião.

Neste ano, o programa completou 15 anos e recebeu o prêmio em boas práticas, na categoria responsabilidade social, concedido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Ficamos muito realizados quando vemos que o produtor muda de comportamento, passa a receber uma informação de qualidade na aplicação dos produtos”, diz o pesquisador. (CC)

Produtor reduz aplicações

Reginaldo da Fonseca reduziu aplicação de defensivo na soja (Divulgação)
Galeria
Reginaldo da Fonseca reduziu aplicação de defensivo na soja (Divulgação)

Como há investimentos altos na produção agrícola, em especial com os defensivos químicos, produtores afirmam que os preços mais caros impulsionaram na redução dos produtos. Essa redução pode atingir mais de 50% das aplicações, especialmente nos últimos dois anos, quando os defensivos dobraram de preços. Em Nhandeara, o produtor Reginaldo Massuia da Fonseca, diminuiu as doses de produtos na plantação de soja.

“Em volume de produto químico, nós diminuímos mais da metade de aplicação, mas muitas vezes o produto é bem mais caro. Porém, faço menos aplicações, o que não impacta tanto no custo da produção e no nosso trabalho”, comenta Reginaldo. Ele conta ainda que toma todos os cuidados na aplicação e que recebe orientações dos técnicos agrícolas, para as pulverizações.

O produtor Carlos Augusto Testa, de Rio Preto, trabalha com hortifrútis, principalmente com pepino e pimentão, entre outros legumes. Testa diz que a tecnologia, hoje, permite que se use menos defensivo químico, mesmo nas plantações de pimentão, um alimento que sempre teve muito uso de agroquímicos. “Consegui reduzir a aplicação do químico em torno de 60%, mas aumentei a aplicação de produtos biológicos”.

“A gente tenta diminuir ao máximo o uso de agrotóxico, até pelo custo que está muito alto. E quando podemos usar o produto biológico, usamos no manejo da soja”, diz o produtor Luis Carlos Ribeiro, de Orindiúva. Para Luis, a aplicação, que é realizada de dentro de uma máquina agrícola, é segura para a sua saúde, sem o risco de qualquer contaminação. (CC)