Produtores da região de Rio Preto enfrentam desafios no cultivo de abacate
Produtividade da fruta aumentou, porém produtores da região enfrentam preços em baixa e dificuldade no escoamento das variedades tropicais; avocado tem demanda alta com a exportação

Fruta que ganhou espaço na gastronomia mundial, o abacate vem se mantendo presente também na mesa do brasileiro. O cenário possibilitou a maior produção das variedades de clima mais amenos, como o avocado (cultivar hass), que se diferencia do abacate tropical, uma variedade mais comum em solo brasileiro. Para os produtores, o aumento de novas áreas de plantio impactou nos preços mais baixos, especialmente nesta safra em que a produtividade está em alta nos campos do Noroeste Paulista.
O clima contribuiu para assegurar a produtividade do abacate, que vinha sendo impactado pela seca severa em algumas propriedades do estado de São Paulo em temporadas anteriores. Para a safra 2022-2023, produtores da região Noroeste estão mais satisfeitos com a produção das variedades tropicais e do avocado.
“A colheita das variedades tropicais já começou, mas o preço está horrível. A safra está muito boa, choveu bem nos pomares de abacate, o que ajudou no desenvolvimento das plantas. Mas o preço pago despencou e não está chegando a cobrir os custos de produção”, afirma Paulo César Faioto, produtor de Olímpia.
Paulo cultiva 2,5 mil plantas de avocado e 1,5 mil de abacate tropical e destaca que a colheita do avocado hass só começa no próximo mês. “Começamos a colher na primeira semana de dezembro e ainda continuamos na colheita dessas variedades tropicais, com as frutas, pesando entre 550 gramas e até acima de 600 gramas, o que é muito bom em termos de produtividade do abacateiro”, pontua o produtor.
No final do ano passado, Paulo negociou a caixa do abacate das variedades tropicais - geada, fortuna, margarida, entre outras denominadas como tropicais - com preços melhores, vendendo a caixa a R$ 80. “Porém, o preço caiu bastante, e, agora a caixa do abacate está sendo comercializada a R$ 25”, diz Paulo.
Líder de produção
O Brasil é atualmente um dos líderes de produção de abacate e alcança a sexta posição do ranking mundial entre os principais produtores da fruta. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de abacate passou de 10,9 mil hectares em 2016 para 16,4 mil hectares em 2020, alta de 50% de plantios da fruta nas propriedades brasileiras. Os dados do IBGE apontam ainda, São Paulo como o principal estado produtor de abacate do País.
“Essa é uma situação que o produtor enfrenta, com relação aos preços, já que há um excesso de produção de abacate pelo País. São muitos fatores para as incertezas do mercado, mas com mais plantios da fruta e uma safra bem produtiva como deve ser a de 2023, o produtor fica mais inseguro”, explica o agrônomo e produtor Silvio Roberto Pelegrini.
Em Olímpia, Silvio e mais cinco produtores de abacate investiram na produção de avocado e comercializam o fruto para contratos de exportação. “Os preços do avocado são melhores e o mercado consumidor da União Europeia também possui uma demanda maior se comparada com o Brasil e outros países”, afirma Silvio.
Cultura atrai mais produtores

Pomares de abacate exigem investimentos em tratos culturais e conhecimento técnico sobre o manejo com a fruta, segundo o engenheiro agrônomo José Luiz Bonatti, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), de Mogi Mirim. Nesta safra, o produtor conseguiu uma boa produtividade, porém o agrônomo também avalia as dificuldades com os preços pagos aos fruticultores de abacate.
“Temos observado um número cada vez maior de interessados no cultivo do abacate e talvez o mercado não atenda uma demanda tão grande da fruta”, diz Bonatti. Segundo o agrônomo, o ideal, seria mais investimentos em pesquisas e de indústrias que comprem a fruta para o processamento de azeite, um dos subprodutos que podem ser fabricados a partir da produção do abacate.
Outra área que demonstra o crescimento de produtores interessados na cultura da fruta é a produção de mudas. Em Santa Adélia, na região de Catanduva, o empresário e produtor rural Eloy Colombo comercializa mudas de abacate, e registra um número maior de interessados pela produção da fruta.
Eloy é proprietário do Vivena Mudas, um viveiro que produz 40 mil mudas de abacate, anualmente. “Aqui, na nossa região, por enquanto os produtores plantam pequenas áreas de abacate, para conhecer melhor a cultura. Mas vejo um potencial grande da cultura, principalmente em relação ao avocado, que tem comércio excelente para a exportação”, finaliza. (CC)
Avocado é o tipo mais popular

O produtor Agnaldo Franco vem investindo na produção da variedade de abacate hass, mais conhecido como avocado, e cultiva 4 mil plantas em Olímpia. A fruta, segundo o produtor, é bem aceita na gastronomia e se popularizou com o prato mexicano conhecido como guacamole. “Mas o brasileiro ainda tem certa dificuldade em diferenciar o avocado, que é menor e tem uma casca mais escura, do abacate tropical, de tamanho maior e casca bem verde”, explica Agnaldo.
As propriedades nutricionais são as mesmas entre as variedades, mas o sabor do avocado é menos aguado, segundo os produtores. Para o produtor Silvio Pelegrini, a diferença de preços das variedades no mercado interno também faz com que o consumidor brasileiro compre mais o abacate tropical. “O avocado é mais caro, então tem mais essa questão”.
Entre os desafios enfrentados por quem atua com essa cultura, Agnaldo diz que as adversidades climáticas da região têm sido grandes. Ele ressalta que o avocado prefere clima mais ameno e altitude mais elevada, condições pouco favoráveis no Noroeste Paulista. “Por enquanto estamos investindo, e podemos dizer que a produtividade já foi melhor na última safra, com a estiagem que não foi tão intensa”. (CC)