SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 27 DE JANEIRO DE 2022
AgroDiário

Produtores da região de Rio Preto investem no cultivo da pitaia e querem popularizar fruta

Fruticultores da região investem na produção de pitaia, também conhecida como fruta dragão, e apostam nos investimentos feitos nos pomares para popularizar a cultura

Cristina Cais
Publicado em 17/11/2021 às 00:10Atualizado em 17/11/2021 às 08:19

A safra começa agora, no final de novembro, e os frutos da pitaia podem ser colhidos dos pés a partir de dezembro na região do Noroeste Paulista. Fruticultores estão investindo na pitaia, também conhecida como fruta dragão, e apostam nos investimentos feitos nos pomares para popularizar a cultura. Em Olímpia, um produtor rural criou uma Estação Experimental de Pitaia para estudar e conhecer melhor as diferentes espécies da fruta, que é originária de países da América Central e da América do Sul.

Da família dos cactos, a pitaia se destaca pelo grande tamanho dos frutos, como a de casca vermelha, a mais conhecida. A polpa, também com destaque para a cor vermelha, além da cor roxa, é bastante atraente, segundo os produtores e especialistas. Mas a fruta, de beleza exótica e de muitas variedades disponíveis no mercado, exige manejo adequado e conhecimento com a polinização da flor que a planta produz.

O produtor Dailton Fernando Munhol de Souza pretende expandir a plantação de pitaia, no sítio em Olímpia, onde ele cultiva outra fruta, a laranja. Ele criou, em 2018, uma Estação Experimental de Pitaia, com 40 variedades da fruta, depois de muita pesquisa sobre o assunto e para testar a que melhor se adapta à região. Em produção, Dailton possui 400 pés de pitaia, de um total de mil plantas.

“Eu ganhei de um amigo uma muda e plantei. Foi quando me interessei tanto pela fruta que resolvi fazer testes com algumas variedades. Queria conhecer melhor qual a de melhor sabor e a estética da fruta também”, conta Dailton. Ele disse que a ideia da Estação Experimental é conhecer o potencial comercial de cada variedade, além das mais comuns, que são as de casca vermelha, com polpa vermelha ou com polpa branca.

O manejo correto requer muita atenção do fruticultor e vai desde a brotação das flores até as podas, que são muitas durante o cultivo da pitaia. “É preciso muito cuidado com as variedades, já que uma espécie de pitaia que se desenvolve bem na região de estados como Santa Catarina e do Paraná, pode não se adaptar ao nosso clima”, pontua.

Outro fator importante para o manejo, segundo Dailton, é a irrigação. Ele destaca que mesmo sendo uma cactácea, a pitaia necessita de água e por isso vem utilizando diferentes sistemas de irrigação para o pomar. “Um bom manejo de irrigação é importante. A pitaia é exigente em nutrientes para o seu desenvolvimento”. Um pé de pitaia pode produzir até 20 quilos da fruta.

A pitaia também chama a atenção pelo alto valor. “Com os novos cruzamentos da pitaia, ela está mais saborosa e conquistando o consumidor não apenas por ser uma fruta diferente, mas também com sabor mais adocicado”. E para ser mais conhecida pela população, a pitaia que pode ser consumida in natura ou em sorvetes, geleias e sucos, vem se adaptando, segundo o produtor, cada vez mais aos pomares da região.

Produção de mudas

O produtor de pitaia William Barcelos, de Nipoã: ele vende mudas para vários estados brasileiros

Com uma produção de 3 mil plantas de pitaia, o produtor rural William Barcelos conhece bem a cultura e foi um dos primeiros a cultivar a fruta na região. Em Nipoã, além de comercializar a pitaia, William também tem a produção de mudas da fruta, que são vendidas para vários estados. “Produzo entre 250 mil a 300 mil mudas de pitaia por ano e a melhor época para as mudas deixarem o campo é no final do mês de maio”.

William trabalha com a produção de pitaia há 15 anos e vem desenvolvendo uma variedade, conhecida como chinesa, que está agradando muito o paladar do consumidor. O produtor diz que essa variedade de pitaia, de casca e polpa vermelhas, é bem docinha, com peso médio de 600 gramas. Ele também produz a pitaia, conhecida como variedade vietnamita, com polpa branca e que possui uma acidez um pouco maior do que a vermelha, mas também é bastante saborosa.

Até a colheita, William pontuou que a pitaia deve ter, em média, 15 floradas, sendo que com as chuvas dos últimos dias, a previsão é de uma safra muito satisfatória. “É uma planta diferenciada, se adaptou muito bem ao nosso clima, com uma árvore bem vigorosa e uma flor branca, grande e bonita”. Até o Natal, quando aumenta a procura pela fruta, o produtor disse que comercializa em média 120 toneladas anuais. (CC)

Meta: ser tão conhecida como o açaí

A pitaia pode deixar de ser uma fruta considerada exótica e passar a ser conhecida como uma fruta que caiu no gosto do brasileiro, como aconteceu com o açaí. É o que prevê o pesquisador da Apta Regional de Presidente Prudente, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Nobuyoshi Narita. Há mais de uma década pesquisando sobre a pitaia, Narita diz que os estudos estão cada vez mais avançados para se chegar a uma variedade saborosa e de alto valor nutricional.

“Existem centenas de variedades de pitaia e muitas ainda não conhecemos. O meu trabalho é fazer o sequenciamento de DNA das cultivares para separar todos os materiais, chegando cada vez mais perto de uma fruta mais saborosa”, disse Narita. Ele acrescentou ainda que os estudos também direcionam para um sistema de condução e de poda da fruta que seja bom para o produtor.

Há ainda, segundo o pesquisador, a expectativa de expandir a cultura entre os produtores rurais. Narita afirmou que há 10 anos, 80% da produção de pitaia era cultivada no estado de São Paulo. Mas atualmente, a produção que é comercializada pela Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) não chega a 60% da produção no estado paulista.

A safra da pitaia, que tem início no estado paulista em novembro e se encerra no mês de maio, segundo Narita, traz uma boa rentabilidade para o fruticultor, com preços que chegam ao mercado entre R$ 8 e R$ 20 o quilo da fruta.

A pitaia tem várias floradas durante o ano, entre seis a sete, que são consideradas as maiores nos pomares do estado de São Paulo. “É uma fruta de ciclo rápido. A partir do dia em que a árvore floresce, o fruto amadurece em um período de 30 a 35 dias”. A flor também exibe outra beleza da pitaia, e a árvore só floresce à noite. (CC)

 
Copyright © - 2021 - Grupo Diário da Região.É proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Desenvolvido por
Distribuido por