AgroDiário

Produtores da região de Rio Preto adotam manejos agroecológicos

Manejo agroecológico agrega valor ao alimento, considerado mais saudável e que vem sendo bastante procurado pelo consumidor

por Cristina Cais
Publicado em 24/10/2022 às 23:33Atualizado em 25/10/2022 às 01:24
Hortaliças produzidas em Estrela D'Oeste terão manejo orgânico (Divulgação)
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Hortaliças produzidas em Estrela D'Oeste terão manejo orgânico (Divulgação)
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Produtores que desejam produzir alimentos naturais ou orgânicos devem fazer a transição agroecológica entre o plantio convencional - que usa produtos químicos - e o natural, que prioriza o ecossistema. Manejo agroecológico agrega valor ao alimento, considerado mais saudável e que vem sendo bastante procurado pelo consumidor. Atualmente, 447 produtores foram atendidos em todo o estado de São Paulo em 78 municípios paulistas, o que atinge mais de 8 mil hectares em processo de transição.

Os dados são da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que também certificou 28 produtores orgânicos após eles cumprirem as regras para modificar a forma de manejo que, entre várias etapas, não permite o uso de produtos químicos nas propriedades rurais. O acompanhamento para que o produtor mude o sistema é feito por técnicos da Secretaria, gratuitamente, e em um prazo de até cinco anos para que o agricultor seja certificado pelo protocolo de transição agroecológica.

“Após vários ajustes, hoje a transição agroecológica é uma política pública e que funciona em todo o Estado através de uma resolução que foi publicada em fevereiro deste ano, apoiando o produtor rural para a produção de alimentos naturais ou orgânicos”, diz a engenheira agrônoma e líder do grupo técnico de orgânicos e agroecologia da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo (Cati), Araci Kamiyama.

Ela explica ainda que, desde o início do protocolo, em 2017, 35 equipes de técnicos foram treinadas (entre instituições do estado, de prefeituras e de instituições privadas) para atender agricultores que buscaram produzir alimentos sem o uso de agrotóxicos. “Como é uma etapa difícil, entre o convencional e o agroecológico, e muitos não podem contratar agrônomos nesta mudança, esse atendimento que proporcionamos é importante. Isso exige conhecimento e técnica”, afirma Araci.

Na região

O engenheiro agrônomo da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), de Rio Preto, Andrey Vetorelli Borges, faz o atendimento em 24 municípios da região, e diz que muitos produtores têm demonstrado interesse em produzir alimentos orgânicos ou naturais. “Com o protocolo de transição agroecológica, o produtor já pode se posicionar no mercado, comercializando o alimento, ainda que não tenha o selo de orgânico”, ressalta.

O atendimento mais recente dos técnicos da Secretaria de Agricultura, segundo Andrey, ocorre na unidade da Associação São Francisco de Assis na Providência de Deus, em Estrela D’Oeste. “São nove propriedades rurais do Lar, em vários municípios do Noroeste Paulista, que estão no projeto de transição agroecológica e sendo orientados pelos técnicos. As hortas passarão a ter o manejo de alimentos naturais”.

Certificação de orgânicos

A ideia do produtor rural Jorge Augusto de Oliveira, de Icém, foi a de agregar valor ao produto que comercializa com a transição agroecológica que já ocorre há três anos. Ele produz cogumelo shimeji e afirma que o produto, que deverá ter o selo de orgânico, terá uma rentabilidade maior na comercialização.

“Recebi a orientação dos técnicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, nos 28 hectares que eram de pasto na nossa propriedade. Tudo foi avaliado, como tratamento de água do sítio e a biodiversidade, como as árvores que temos aqui”, conta Jorge. Ele diz que agora busca o selo de certificação, que é emitido pelo Ministério da Agricultura (Mapa).

Porém, Jorge admite que essa outra etapa, a da certificação do shimeji em alimento orgânico esbarra no investimento que ele precisará fazer. “Na transição, nós não temos custo nenhum. Mas para ter o selo de orgânico temos que desembolsar no mínimo R$ 5 mil, um custo bastante alto”, afirma.

Em Neves Paulista, a produtora Juliana Roldão já trabalha com hortifrútis orgânicos e explica que está ampliando a área para produzir mais alimentos orgânicos. “Houve uma mudança, recentemente, na legislação, mas é bom destacar que, quando tenho uma área convencional que trabalha com defensivos químicos, preciso colocar essa área em transição para o manejo orgânico”, afirma Juliana ao comentar como ocorrem algumas etapas para o agricultor produzir alimento orgânico. (CC)

Associação adota novo manejo

A Associação Lar São Francisco - uma entidade social que atende pessoas em tratamento de álcool e drogas - tem um trabalho bastante conhecido na região de Rio Preto com a produção de milho verde, em sua sede, localizada no município de Jaci. E recentemente, os administradores decidiram pelo manejo natural na produção de hortaliças, que se destina para os acolhidos e também são comercializadas em mercados de várias cidades do estado de São Paulo.

De acordo com frei Felipe Salatiel, responsável pelo protocolo de transição agroecológica em Estrela D’Oeste, onde se iniciou o projeto da Associação, os consumidores estão procurando por alimentos que não tenham o uso de agrotóxico. “Em primeiro lugar, somos franciscanos, o que nos leva a buscar essa bandeira de alimentos saudáveis. E depois, na comercialização dos alimentos que mantemos nas cidades, percebemos que a sociedade quer consumir produtos naturais”, afirma o frei.

O projeto, segundo a agrônoma da Casa da Agricultura de Estrela D’Oeste Monalisa Ferreira, teve início em 2019. “Na Associação aqui no nosso município, são 9,5 hectares de área onde será realizada a transição entre o manejo convencional e o agroecológico. Os acolhidos, responsáveis pelo trabalho na horta produzem verduras e legumes e estão recebendo a nossa orientação para a capacitação do trabalho”, diz Monalisa. (CC)