AgroDiário

Produtores do Noroeste Paulista contam com drones para mapeamento de áreas agrícolas

Eficientes na agricultura, drones estão sendo usados por serviços públicos que atendem produtores rurais e para a pesquisa no combate ao greening na citricultura

por Cristina Cais
Publicado em 28/08/2023 às 22:13Atualizado em 29/08/2023 às 08:14
Drones estão sendo usados em pulverizações e também em pesquisas (Divulgação)
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Drones estão sendo usados em pulverizações e também em pesquisas (Divulgação)
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Ferramenta tecnológica que contribui com o trabalho do produtor no campo, o uso do drone na agricultura é um caminho sem volta. Na região do Noroeste Paulista, produtores já podem contar com o uso do drone, sem custo nenhum, para atividades de pulverização e para mapear áreas agrícolas, através de imagens. Além disso, um estudo com drones de pulverização apresentou resultado eficiente no controle do greening, doença que vem crescendo de forma descontrolada e assustando citricultores.

Na região de Rio Preto, os drones que fotografam e fazem vídeos estão auxiliando os produtores, principalmente em questões ambientais, e em projetos desenvolvidos pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), como os de cacau e de milho. As imagens ajudam a mapear as propriedades rurais, em áreas de difícil acesso e para orientar os agricultores na recuperação de áreas degradadas, entre outros projetos.

De acordo com o agrônomo Andrey Vetorelli, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) de Rio Preto, a Secretaria estadual de Agricultura e Abastecimento disponibilizou 40 drones para todo o Estado paulista, sendo que cada regional (como a rio-pretense) tem um destes equipamentos para atender os produtores rurais. “Os técnicos passaram por curso para pilotar o drone, e assim, cada regional atende em torno de 18 municípios”, explica Andrey.

“O trabalho com o drone é muito importante, nos orienta, com a imagem, a identificar obstáculos e dá mais rapidez aos trabalhos que seriam feitos por terra, dando uma resposta mais eficiente para o produtor”, conta o agrônomo Carlos Rosa, da Casa de Agricultura de Nova Aliança. Ele, junto com outros três profissionais da regional de Rio Preto, foram treinados, através de cursos, para conduzir os drones.

Conservação de solos

Segundo o agrônomo Fernando Miqueletti, da Cati de Rio Preto, o uso desta tecnologia está sendo importante para os projetos de conservação de solo, onde os produtores precisam recuperar áreas degradadas. “Quando o drone faz o voo em uma propriedade, conseguimos verificar os locais de erosão no solo. Após o voo, consigo fazer o cálculo da quantidade de terra que saiu daquela área, entre outras demandas. É importante para orientar o produtor”, diz Fernando.

Em projetos como o do cacau, onde há o incentivo dos técnicos da Cati para o impulso da cultura na região do Noroeste paulista, Fernando diz ainda que o drone contribui em vistorias de área de reserva legal. “Em determinadas áreas, podemos verificar onde será o plantio do cacau, com o sombreamento das bananeiras. E a reserva legal é uma geração de renda ao produtor”.

Os agrônomos explicam também que todos os voos com os drones seguem rigorosamente a legislação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e para serem colocados em atividade nas propriedades rurais, precisam da autorização do órgão de aviação.

No combate ao greening

Uma pesquisa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta que o uso do drone de pulverização nos pomares de laranja pode ser uma alternativa eficiente para o controle do inseto transmissor do greening, doença que vem causando grande impacto para a citricultura do estado de São Paulo.

Segundo o pesquisador do Fundecitrus, Marcelo Miranda, as aplicações com essa tecnologia resultaram em eficiência no controle de insetos adultos, alcançando mortalidade acima de 80%. A iniciativa é importante para o controle do greening, doença que vem afetando os pomares do cinturão citrícola paulista, em especial na região Noroeste.

“A pulverização com o drone, é um trabalho pioneiro na citricultura, e entendemos como uma ferramenta complementar ao trabalho realizado com o trator. A grande versatilidade do drone é aplicar em locais específicos, uma área, por exemplo, que atinja mais insetos transmissores do greening”, destaca Marcelo.

Para o citricultor José Claudio Ruiz, de Rio Preto, o uso do drone na agricultura é o futuro para muitos manejos. “A gente torce para que as pesquisas demonstrem a eficiência do drone nas pulverizações da citricultura, e que venham para facilitar a vida do produtor”, afirma.

Drones em Potirendaba

Regulamentados pelo Ministério da Agricultura (Mapa) apenas em 2021, os drones agrícolas já são utilizados há bastante tempo pelo agronegócio. Os veículos aéreos não tripulados, ou drones, têm várias funções na agricultura, como mapeamento de áreas, controle de falhas de plantio, identificação de plantas daninhas e pragas, e mais recentemente aplicação de defensivos (drones de pulverização).

Há três meses, a Prefeitura de Potirendaba investiu na compra de um drone de pulverização para contribuir, especialmente com os pequenos produtores do município, em áreas de menores proporções, e assim, garantir a renda das propriedades.

“O serviço de aluguel de um drone é de custo alto, e por isso, o serviço sem custo para o produtor foi disponibilizado pela Prefeitura”, ressalta Júnior Colombo, responsável pela Casa de Agricultura de Potirendaba. Ele conta que os drones serão bastante utilizados para as pulverizações em áreas de grãos, como as de milho e sorgo, e também de alguns frutos, como o abacaxi.

O produtor Luiz Fernando Ferrari conta que possui uma área de sete hectares e foi realizada uma pulverização na plantação de sorgo, que ele cultiva no sítio. “O serviço com o drone é muito eficiente, pode ser aplicado sem derivação do defensivo a ser aplicado. E foi muito bem feito, ágil e rápido, pelos profissionais. É uma maravilha que a Prefeitura possa auxiliar o pequeno produtor”, conta Fernando.