Produtores apostam em crescimento de 16,6% na produção do algodão
Além da soja e do milho, Conab estima crescimento para o algodão nas lavouras brasileiras; produtores do Noroeste Paulista investem em plantações e em algodoeiras

Com a perspectiva de atingir um novo recorde na produção de grãos na safra 2022-2023, estimada em 315,8 milhões de toneladas, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta o algodão como uma cultura importante nesse volume de grãos produzido no país. Segundo dados da Conab, estima-se uma colheita de 2,98 milhões de toneladas de algodão em pluma, o que representa um crescimento de 16,6% na produção brasileira em relação à safra 2021/2022.
No Noroeste Paulista, os produtores iniciaram a colheita da fibra e estão animados com o bom desenvolvimento das lavouras. Na região de Votuporanga, um dos principais polos produtores de algodão no estado de São Paulo, os produtores investiram no manejo do algodão e na implantação de algodoeiras para beneficiar o produto cultivado pelos agricultores, o que impacta na maior lucratividade da produção.
"Este ano, a qualidade do algodão está muito boa, principalmente devido ao clima favorável nesta safra, e isso certamente influenciará em uma maior produtividade nas plantações", afirma o agrônomo e consultor na cultura do algodão, Diogo Lemos. Ele explica que, na região de Riolândia, onde ele acompanha, são cultivados 3.300 hectares de algodão pelos produtores.
Na temporada anterior, a média de produtividade da região no cultivo do algodão foi de 250 arrobas por hectare. "Nesta safra, a estimativa é colher 270 arrobas por hectare, já que o ano teve bastante chuva. O único obstáculo é que os preços não estão favoráveis para o produtor, assim como para as demais culturas. Portanto, aqueles que conseguirem uma boa produtividade na plantação podem obter uma melhor rentabilidade em termos de preços pagos pela arroba do algodão", ressalta.
Rendimento da pluma
Com uma plantação de 75 hectares de algodão, o produtor Laerce Maximiano dos Santos, de Cosmorama, está animado com a qualidade do produto que conseguiu colher até agora. "O ciclo do algodão é longo, em torno de 180 a 200 dias, e ainda temos até agosto para encerrar a colheita. Atualmente, os custos de produção são bastante altos", conta Laerce.
Ele explica que o rendimento da pluma é importante para garantir a lucratividade no cultivo da planta. "Esse rendimento da pluma e a qualidade da fibra são variáveis. Tudo depende da variedade do algodão, topografia do solo e época do plantio". Um rendimento da pluma entre 38% e 42%, segundo o produtor, é considerado bom para a comercialização do produto.
Laerce também observa os preços mais baixos pagos pela arroba do algodão nesta safra. No ano passado, os preços chegaram a atingir R$ 280 por arroba do algodão. No entanto, neste ano, o produtor comenta que os preços pagos estão em torno de R$ 140 por arroba do algodão. "A produção está muito boa este ano, o que garante um algodão de boa qualidade", completa.
Mais investimento em beneficiamento

De acordo com o consultor Diogo Lemos, a região de Votuporanga possui três algodoeiras que beneficiam o algodão dos produtores: duas estão instaladas no município de Riolândia e uma em Valentim Gentil. Diogo explica que essa nova algodoeira, que deverá entrar em operação nos próximos dias, é mais um fator que demonstra o potencial produtivo do algodão no Noroeste Paulista.
Segundo o agrônomo do Grupo Yochida, Paulo Junqueira, a construção da nova algodoeira teve início em outubro do ano passado e vai beneficiar o algodão colhido nos municípios da região de Riolândia, onde está instalada a beneficiadora. “Percebemos a necessidade de agregar valor para os produtores que precisam fazer o beneficiamento do algodão, um mercado que cresce na nossa região”, diz Paulo.
A nova algodoeira tem capacidade, segundo Paulo, para beneficiar 50 toneladas de algodão, diariamente. “Só de área plantada, já temos 450 hectares de algodão que serão beneficiados na algodoeira Algorio”. Além da fibra do algodão que será comercializada, Paulo destaca que o caroço do algodão também vai agregar valor para os cotonicultores, pois é um produto bastante usado na alimentação dos bovinos, e será vendido para os pecuaristas.
Há mais de duas décadas instalada em Valentim Gentil, a empresa Ouro Branco tem capacidade para beneficiar 400 mil arrobas de algodão em caroço por ano, conforme o diretor, Arquimedes Celeri. Para ele, a safra deste ano deverá atender a expectativa dos produtores, embora a colheita esteja no início.
“Com o clima mais chuvoso nesta safra, depois de três anos de muita estiagem na nossa região, o algodão deverá ter uma boa produtividade na safra 2022-2023”, afirma Celeri.
A expectativa também, de acordo com Celeri, é de o mercado ficar mais positivo em termos de preços pagos pela arroba do algodão, pois no momento ainda não está fechando a conta para o produtor. (CC)
Manejo equilibrado
Produtores do Noroeste Paulista têm investido em cultivares de algodão que são mais produtivas e tolerantes às doenças. Segundo o agrônomo da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) de Fernandópolis, Flávio Tokuda, os produtores estão cultivando algumas variedades de algodão, em campos experimentais, para um manejo mais equilibrado da cultura.
“O produtores têm procurado por variedades que são mais tolerantes às principais doenças que atacam o algodão e ainda, cultivares que se adaptam às condições climáticas da região”, diz o agrônomo. Na última safra, Flávio afirma que algumas variedades apresentaram alto rendimento de fibra, além da qualidade do algodão, o que satisfaz a necessidade destes produtores em alcançar uma boa produtividade das lavouras. (CC)