AgroDiário

Produtividade do algodão anima produtores da região de Rio Preto

Apesar da pressão sobre preços e da demanda enfraquecida com as exportações da pluma, produtores avaliam o bom desempenho da safra na região do Noroeste paulista

por Cristina Cais
Publicado em 28/01/2023 às 20:14Atualizado em 29/01/2023 às 07:44
Plantio do algodão começa com a expectativa de uma safra melhor que no ano passado (Arquivo Pessoal)
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Plantio do algodão começa com a expectativa de uma safra melhor que no ano passado (Arquivo Pessoal)
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O algodão começa a semeadura no campo com a perspectiva de uma safra tão produtiva como a passada, na avaliação dos produtores da região de Votuporanga. Para isso, os produtores desenvolveram técnicas de controle de doenças e investiram no manejo da cultura do algodão, para chegar aos melhores índices de produtividade dos últimos anos.

Nos municípios de Riolândia, Cardoso e Cosmorama, se concentram os produtores que estão conseguindo bons resultados com a cultura de algodão. No total, em terras do Noroeste Paulista, 3.500 hectares da pluma foram cultivadas na última safra e devem manter os mesmos cultivos neste ano, conforme dados da consultoria prestada aos produtores pelo engenheiro agrônomo e produtor, Diogo Mendonça.

“Temos um grupo de 17 produtores que está recebendo a consultoria para o manejo com o algodão, conseguindo fazer o controle de pragas e doenças e mantendo a boa qualidade da pluma que será destinada à indústria”, diz o agrônomo.

Mendonça afirma ainda que apesar da queda do dólar e de medidas restritivas com a Covid-19 que afetaram o mercado internacional para o embarque do algodão, os produtores têm a expectativa de uma safra positiva em 2023.

No levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no mês de dezembro do ano passado, as negociações do algodão foram enfraquecidas no mercado interno em função das festividades de final de ano e do período de recesso e férias coletivas das indústrias que compram o algodão. Segundo os analistas da Conab, as pressões sobre os preços internacionais e a baixa demanda do produto impactaram o setor da cultura do algodão.

Manejo e produtividade

De acordo com o agrônomo da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), de Fernandópolis, Flávio Tokuda, os produtores da região têm dominado a cultura do algodão e conseguido bons resultados com aumento de produtividade e controle das doenças.

“Na safra passada, a produção de algodão teve índices nunca vistos na região, em maior produtividade”, destaca.

Flávio diz que os produtores alcançaram produtividade de 300 arrobas de algodão por hectare, na safra 2021-2022, o que é considerado uma excelente produção para o estado de São Paulo.

“Geralmente observamos esses índices, no estado do Mato Grosso, onde se concentram as maiores produções de algodão do Brasil”, diz.

Para avançar em produtividade, Flávio diz que os produtores investiram em manejo com boa adubação, controle do perfil de solo e da escolha da variedade de algodão, o que resultaram em lavouras com bom desempenho.

Além disso, o agrônomo pontua que os produtores de algodão desenvolveram técnicas específicas para o controle de pragas e doenças. Especialmente o bicudo, a principal praga causada pelo inseto e que traz danos à cotonicultura, entre outras doenças, está sendo controlada com eficiência pelos produtores da região.

“Eles têm tecnologias de aplicação de defensivo para o combate de pragas e doenças que estão dando muito certo”, conclui o agrônomo.

Fibra colorida em estudo

A região de Votuporanga é a primeira do estado de São Paulo a desenvolver estudos com as plantações de algodão marrom. De acordo com o pesquisador aposentado do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Edvaldo Cia, os produtores estão entregando 15 toneladas por ano, às indústrias, da fibra colorida desenvolvida nas plantações do Noroeste Paulista.

“É preciso aumentar esse número, agregar mais valor ao produtor, com a produção de uma fibra colorida, mais sustentável. Ainda temos poucas indústrias que compram o algodão de coloração marrom, o Brasil”, comenta o pesquisador.

Edvaldo sinaliza para o mercado sustentável da produção da fibra colorida, em que o produtor consiga diminuir também o uso de produtos químicos. “Ainda estamos fazendo alguns experimentos, com plantas que possam ter menos ataque de pragas e doenças. Além do mais, o uso da fibra marrom, para as confecções, é muito interessante, por não necessitar do uso de corantes”, diz o pesquisador. (CC)

Plantio está na metade

Em áreas de plantio do algodão, de sequeiro (cultivo feito sem irrigação), o produtor Diogo Mendonça ressalta que os produtores iniciaram o plantio no final do ano passado, já com 50% das áreas cultivadas e as plantas do algodão em bom desenvolvimento. Em outras propriedades, os produtores estão terminando de colher a soja e iniciando o plantio do algodão, com o sistema de irrigação de pivô central.

É o que ocorre na fazenda de Laerce Maximiniano, de Cosmorama. Ele está terminando de colher a soja e deve iniciar a semeadura do algodão. Laerce conta que a área é a mesma da safra passada, e que deve plantar o algodão em 50 hectares. Para Laerce, as perspectivas estão boas para a produção da pluma neste ano.

“Apesar de custos altos com insumos, os preços pagos pela pluma estão se mantendo, em R$ 170 a arroba. Se não tivermos nenhuma surpresa com clima e com a economia do País, a safra de algodão vai ser boa”. Laerce diz ainda que o manejo bem feito, sempre colabora para a produtividade alcançada na produção de algodão, como ocorreu na safra passada.

O clima para a produção do algodão tem sido excelente neste ano, segundo o produtor Arquimedes Celeri, de Valentim Gentil. “A chuva está sendo ideal, nesta fase do plantio do algodão, diferente da safra passada que o clima foi menos favorável”, afirma. Apesar de a chuva atrapalhar na pulverização de defensivos, Arquimedes faz o manejo com a ajuda de avião, para manter o controle de pagas e doenças.

Ele explica ainda que um dia sem pulverizar o plantio é problema para a produção da pluma. “O bicudo não dá trégua, e precisamos de muito controle”, destaca. Quanto à produtividade, Arquimedes avalia que na safra passada, registrou aumento 35% superior ao de anos anteriores. (CC)