SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEXTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 2022
AgroDiário

Pecuaristas investem mais em tecnologias

Manejo com os bezerros tem resultado em ganho de peso e aumento da rentabilidade para os produtores que atuam com pecuária de corte, apesar do custo de produção mais caro nos últimos anos

Cristina Cais
Publicado em 02/07/2022 às 03:05Atualizado em 02/07/2022 às 03:17
Melhoramento genético é também uma medida que traz bom desempenho ao rebanho (Gisele Rosso/Divulgação)

Melhoramento genético é também uma medida que traz bom desempenho ao rebanho (Gisele Rosso/Divulgação)

A adoção de medidas com o uso de tecnologia na produção da pecuária de corte vem sendo mais comum e intensificado a produtividade do rebanho bovino. Pecuaristas da região do Noroeste Paulista que aderiram ao melhoramento genético e à alimentação reforçada conseguiram melhores resultados. Entre as estratégias em tecnologias, o manejo com os bezerros tem resultado em ganho de peso e aumento da rentabilidade para os produtores, apesar do custo de produção mais caro nos últimos anos.

Mário Sérgio Rosa, pecuarista que trabalha com as três etapas da produção de carne bovina - cria, recria e engorda - investiu em manejo e tecnologias para aumentar a produtividade do rebanho na propriedade Nelore MR, da cidade de Paraíso. Ele conta que tem um custo maior com os animais, já que a partir do primeiro mês do nascimento, o bezerro recebe uma alimentação rica em proteínas, que impacta mais nos preços dos insumos.

“Custa mais caro essa dieta, porém o resultado é bem maior e o valor agregado com a venda dos animais é bastante satisfatório. Tenho aqui um bezerro mais sadio e com bom peso, o que ajuda muito no momento da venda. É a cereja do bolo”, afirma Mário. Ele explica que o peso médio destes animais, com idade entre 8 a 12 meses, é de 200 quilos por cabeça, mas o produtor possui bezerros que chegam a pesar até 300 quilos.

Com a intensificação dos sistemas de produção da pecuária de corte, o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Sérgio Raposo de Medeiros, diz que os produtores estão recorrendo mais ao uso de tecnologias. “É importante para o pecuarista adotar um manejo com animais de melhoramento genético e investir na qualidade de alimentação com cultivares de forrageiras disponíveis para as pastagens”, pontua.

Taxa de fertilidade

O cuidado maior com o rebanho de animais de cria ou de reposição, segundo o pesquisador, proporciona uma matriz com uma taxa de fertilidade maior. “Hoje no Brasil, a média para cada 100 vacas expostas à reprodução, nascem 65 bezerros. E quando o pecuarista melhora a nutrição desta matriz, não deixando o animal perder peso, podem ser gerados até 80 bezerros”, afirma Raposo.

Essa programação fetal é mais uma técnica importante para a produtividade dos animais da pecuária de corte, resultando em um bezerro que vai ter um maior ganho de peso. Raposo explica que tudo começa com a matriz, que recebe bons cuidados e alimentação de qualidade. “Desde o início da gestação, com essa alimentação, será muito significativo para o desempenho de todo o rebanho”.

Para o pesquisador, especialista em nutrição animal, vale muito ao pecuarista investir em tecnologias e estratégias de alimentação para o gado de corte. Entre as forrageiras para a pastagem, ele recomenda a cultivar ipyporã. Já na suplementação alimentar do rebanho, o sal mineral é bastante utilizado pelos pecuaristas do País.

Aumento na produtividade

Na produção de 150 animais, o produtor Mário Sérgio Rosa adotou um modelo de cocho conhecido como creep feeding, um cercado onde apenas os bezerros têm acesso, e funciona como uma suplementação alimentar para os animais em fase de aleitamento. “Como tenho todas as etapas, da cria à fase de terminação dos animais, o creep é muito importante para que o bezerro tenha uma alimentação saudável, um ganho em produtividade”, conta Mário.

Mário afirma ainda que o uso deste modelo de separar o bezerro, que difere do sistema de criação convencional, proporciona o maior peso do animal jovem na desmama. “Aqui, tenho animais que são desmamados aos oito meses de idade. E tecnologias como essa que adiantam o ciclo encurtando o tempo de abate, são essenciais para agregar valor ao negócio”, pondera o produtor.

Com critérios, a técnica do crepp feeding tem vantagens na pecuária de corte, de acordo com o zootecnista e consultor em confinamento bovino Maurício Lerro. “É uma boa tecnologia, mas a exigência de dieta nutricional do bezerro é sempre crescente, daí que o pecuarista deve estar preparado para aumentar sempre a suplementação ao animal, até chegar à fase de terminação”. (CC)

Preços mais atrativos

Além de o animal jovem mais pesado, um diferencial para atrair mais os compradores nesta etapa da criação do gado de corte, os produtores acrescentam que os preços para a venda dos bezerros estão atrativos neste ano. “Apesar de ter caído um pouco o preço, os últimos bezerros que vendi chegaram ao preço de R$ 3 mil por cabeça”, conta o pecuarista Orivaldo Rosa, de Tabapuã.

Na propriedade, Orivaldo vem investindo, há três anos, na cria de animais da raça nelore. “Nesta época, há uma oferta maior de bezerros e o preço fica mais baixo. Além disso, os confinadores estão comprando menos os animais de reposição, acredito que por conta da alta de preços dos insumos”, afirma Orivaldo.

O pecuarista diz ainda que investe em inseminação artificial e em uma alimentação de boa qualidade para as matrizes e os bezerros. “Um animal de boa genética e uma pastagem bem farta para o rebanho tem dado bons resultados”, diz Orivaldo, que tem a expectativa de ampliar o negócio com o confinamento de bovinos. (CC)

Cuidado com alimentação de qualidade representa resultados importantes (Juliana Sussa/Divulgação)

Custa mais caro essa dieta, porém o resultado é bem maior e o valor agregado com a venda dos animais é bastante satisfatório. Tenho aqui um bezerro mais sadio e com bom peso, o que ajuda muito no momento da venda. É a cereja do bolo Mário Sérgio Rosa, pecuarista (Arquivo Pessoal)

 
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