Oferta reduzida de limão tahiti impulsiona mercado na entressafra
Nos pomares, citricultores da região tiveram dificuldades com a colheita e clima menos favorável; preços começam a reagir diante da oferta limitada da fruta

As cotações do limão tahiti têm aumentado no mercado interno e no volume de exportação, impulsionando a safra no Noroeste paulista, região de maior produção nacional da fruta. Porém, desde o início deste ano, citricultores tiveram dificuldades em comercializar o limão e os preços estavam abaixo das expectativas de custos no pomar. A expectativa para esse final de entressafra deve avançar em relação à lucratividade, mas em cenário de altos custos com os fertilizantes e de impactos climáticos.
Diante dos desequilíbrios climáticos, com a passagem do El Niño no Brasil em 2026, a chuva e o frio tiveram reflexos durante o período de colheita do limão na região. Segundo os produtores, a preocupação deve ser maior com o impacto do calor previsto com o fenômeno climático, a partir de setembro.
“O frio atrapalhou um pouco o pomar e a chuvarada também no início de 2026, o que deve impactar na safra deste ano, porque tivemos muito fruto que caiu da árvore”, afirmou o citricultor de Itajobi, Gerson Gasparini.
Ele atribui a perda de frutos ao clima e também ao atraso na colheita, já que os compradores estavam pagando menos pela caixa de limão. “Preços muito baixos e o clima que não estava contribuindo muito, resultaram em custo alto para pagarmos os trabalhadores que fazem a colheita”, ressalta.
Qualidade dos frutos
Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destacam a qualidade muito boa do tahiti, mas oferta reduzida, devido ao período de entressafra. Neste contexto, a oferta mais restrita sustenta a alta dos preços. Para a safra que começa a ser colhida após setembro, a expectativa é de menor produção frente ao ano passado, especialmente nas regiões centro-oeste e norte do estado de São Paulo.
De acordo com o levantamento, essa perspectiva de safra menor está relacionada às induções do começo do ano, quando o clima chuvoso atrapalhou o processo, prejudicando o florescimento esperado mesmo com a desfolha química.
Na avaliação dos citricultores da região, o cálculo é de uma safra entre 50% e 60% menor do que a anterior. “Essa redução na safra deste ano, que ocorreu desde o desenvolvimento dos frutos, se deve ao chumbinho que caiu das plantas e isso deverá interferir na produção”, acrescentou Gerson.
O citricultor destacou ainda que, até setembro, o mercado deverá ter uma escassez de limão, por conta dessas questões durante a entressafra. “Os custos altos também com os insumos e a mão de obra impactaram bastante na produção da fruta. Neste sentido, a expectativa de muitos produtores, que estão trabalhando com caixa negativo, é de um aumento nestes preços de mercado interno e da exportação. Precisamos destes reajustes nas cotações do limão”, concluiu.
Região se destaca na exportação do tahiti
Maior produtor nacional de limão, o estado de São Paulo é responsável por mais de 70% da safra e vem ainda se destacando na exportação da fruta, sendo a região de Catanduva o principal polo exportador da variedade tahiti. Em Urupês, a cooperativa de produtores Cooperlimão exporta o limão para países da União Europeia (UE) e vem aumentando o volume de embarques da fruta para vários mercados.
“A exportação está aquecida com o verão de altas temperaturas na Europa, o que vem favorecendo a produção de citros no campo. Até o mês de setembro, a expectativa de reação dos preços é melhor, principalmente para o mercado externo”, afirmou o citricultor e diretor da Cooperlimão, Renato Martins.
A cooperativa reúne 28 produtores de limão. Os embarques da fruta, que saem de Urupês para países como Portugal, Espanha, França e Polônia, além de Canadá, Reino Unido e Chile, movimentam a receita no campo. Segundo o gestor da cooperativa, Anselmo Antonio Spadão, o volume de exportação entre junho de 2025 e julho de 2026 aumentou 9%. “Entre os anos de 2024 e 2025, tivemos um crescimento, com a exportação do limão da ordem de 18%”, destacou.
Segundo dados da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, no primeiro semestre de 2025 foram mais de 81 mil toneladas (US$ 72 milhões em receita) da fruta para a exportação, representando um aumento de 21% do limão exportado, em relação ao mesmo período de 2024. (CC)
Preços e clima
Nos últimos 30 dias, os produtores da região comentam que os preços cotados para a venda do tahiti estão mais favoráveis ao custo com a safra. “O consumo interno estava muito baixo, com muita oferta do fruto, e isso contribuiu para que a remuneração do citricultor fosse mais baixa”, disse Renato.
De acordo com Gerson, entre o final do ano passado e junho de 2026, o preço do limão apresentou preços baixos, entre R$ 12 para o mercado e R$ 9 o quilo para a indústria. “Agora, em julho, a caixa do limão está com preço melhor, R$ 45 para o mercado interno e R$ 70 para a exportação”, disse o citricultor.
A preocupação dos citricultores também é com os custos elevados no campo, com dificuldades para planejar a safra deste ano. “Os fertilizantes estão muito caros, com tendência de aumentar ainda mais, e o clima também deve ter reflexo nas perdas de fruta”, pontua.O impacto na safra deste ano, conforme Gerson, com o clima mais quente, é com as reservas de água para a produção do limão, cultura exigente nesta questão de estresse hídrico. Ele diz que o calor intenso aumenta o uso do sistema de irrigação e eleva ainda mais o custo de produção. (CC)