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Produtor de cana investe em variedades mais eficientes na região de Rio Preto

Setor sucroenergético investe em novas variedades de cana-de-açúcar; produtividade e adaptação ao clima estão no pacote tecnológico das novas mudas para as lavouras

por Cristina Cais
Publicado em 22/04/2022 às 22:00Atualizado em 23/04/2022 às 07:07
Variedade de cana-de-açúcar produzida no IAC (Divulgação)
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Variedade de cana-de-açúcar produzida no IAC (Divulgação)
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Cinco novas variedades de cana-de-açúcar modernas e que atendem às condições climáticas e de solo são a aposta do setor sucroenergético. Além do investimento em plantios da cana-de-açúcar, que envolvem pesquisas de melhoramento genético para lavouras, produtores buscam o manejo voltado para biotecnologia no combate a pragas e doenças.

Essas medidas devem contribuir com maior produtividade canavieira, impactada pelos efeitos climáticos adversos da última safra. Atualmente, o Brasil possui uma área de 8,3 milhões de hectares de cana plantada, sendo que 55% deste total são cultivadas em área do estado de São Paulo.

O pacote tecnológico com as cinco novas variedades de cana-de-açúcar, lançado pelo Instituto Agronômico (IAC), pretende fortalecer a produção de cana-de-açúcar em todo o País. “Entre muitos fatores, as novas variedades são importantes e eficientes para tolerar uma estiagem mais severa, como a que ocorreu na safra passada na região Noroeste”, afirma Marcos Landell, pesquisador e líder do programa Cana IAC.

Novas variedades são adaptadas ao plantio mecânico de cana (Divulgação)
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Novas variedades são adaptadas ao plantio mecânico de cana (Divulgação)

Ele destaca ainda que o estudo mostrou desenvolvimento inicial mais rápido em todos os períodos de safra, com utilização industrial bastante longa, para uma das novas variedades do IAC. Para Landell, a variedade tem excelente estabilidade em praticamente todas as regiões canavieiras do Brasil, além de bom teor de sacarose no início de safra e vigor ao longo dos cortes.

O trabalho de melhoramento genético, segundo Landell, tem avaliado as estratégias de colheita, entre os conceitos de um plantio planejado dos talhões do canavial e do meio ambiente (solos). Todos esses fatores são essenciais para o melhor resultado com as inovações de variedades de cana. “São variedades muito adaptadas ao plantio mecânico”, pontua o pesquisador ao levar em conta que hoje toda a produção da cana-de-açúcar é altamente mecanizada.

Para as regiões de clima mais quente, como no Noroeste Paulista, Landell diz que as novas variedades, entre outras que já vêm sendo plantadas nos canaviais, são eficientes e possuem capacidade de tolerar mais a falta de água nas plantas. “A região Noroeste foi muito castigada neste último ciclo da produção canavieira com as intempéries climáticas entre seca e geada”.

'Entre muitos fatores, as novas variedades são importantes e eficientes para tolerar uma estiagem mais severa, como a que ocorreu na safra passada na região Noroeste'
Marcos Landell, pesquisador (Divulgação)
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'Entre muitos fatores, as novas variedades são importantes e eficientes para tolerar uma estiagem mais severa, como a que ocorreu na safra passada na região Noroeste' Marcos Landell, pesquisador (Divulgação)

Mais resistentes

Nos pacotes tecnológicos apresentados pelo IAC, as novas variedades de cana-de-açúcar são importantes para o controle de pragas e doenças, além das condições de resistência aos efeitos adversos do clima.

O pesquisador do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento de Cana do IAC, Mauro Xavier, destaca a importância das pesquisas. “As novas variedades se destacam no processamento da cana e possibilitam proteção biológica, com menos pragas e doenças”.

Mauro ainda ressalta que o produtor, estando com o canavial atualizado, sempre terá retorno com lucratividade. “Ele se favorece em termos de produtividade da lavoura, transferindo o ganho genético, com as novas variedades, para o ganho econômico”.

Inovação é fundamental para a agricultura

Para o produtor Alexandre Pinto César, que possui plantações de cana-de-açúcar na região de Rio Preto, manter a qualidade do produto que vai para a agroindústria requer o uso de pacotes tecnológicos. Alexandre diz ainda que é essencial para o setor, a disponibilidade de tecnologias que contribuam para minimizar o alto preço dos insumos.

Na safra anterior, Alexandre lembra que as adversidades climáticas impactaram no canavial, diminuindo em 30% a produtividade da cana. E para ele, variedades que favoreçam a maior resistência à falta de chuva, vêm somar para os canavieiros. “Nós temos também um viveiro com mudas de cana-de-açúcar que foram muito afetadas com a questão climática e, por isso, apostamos nos pacotes tecnológicos de novas variedades”.

“Hoje já superamos a sistematização da lavoura, após as mudanças com o corte manual e a cana que é recolhida crua. Agora temos os avanços da tecnologia à nossa disposição. Os plantios são feitos com recursos dessa tecnologia programada em GPS e também da questão da compactação do solo, que deve melhorar no canavial”, destaca Alexandre.

O produtor João Thomaz Leal Pimenta decidiu investir em biotecnologia no canavial localizado em Monte Aprazível. Os investimentos em produtos nutricionais para a planta e defensivos biológicos, segundo João, foram importantes para as últimas safras. “Foi significativo dar maior atenção ao controle de pragas e doenças. A opção por insumos biológicos dá excelente resultado”, afirma o produtor. (CC)

Clima provoca safra menor

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a produção de cana-de-açúcar, na safra 2021/22, totalizou 585,2 milhões de toneladas, representando um volume de matéria-prima 10,6% menor em relação à temporada passada. Além disso, foi registrada a diminuição de 3,5% na área cultivada. De acordo com o levantamento da Conab, a diminuição de área de plantio é atribuída aos efeitos climáticos adversos da estiagem durante o ciclo produtivo das lavouras e às baixas temperaturas registradas em junho e julho de 2021.

Apesar de ter registrado a maior redução de área e de produtividade, o Sudeste se mantém como a principal região produtora do país, com uma colheita de 366,9 milhões de toneladas. Houve redução de 14,4% quando comparada ao ciclo anterior. Os estados de São Paulo e Minas Gerais são os principais produtores de cana e representam 61,9% de toda a produção brasileira. (CC)