Cuidados com as pastagens são fundamentais para o produtor na região de Rio Preto
Incentivo financeiro garante recuperação de áreas de pastagem aos produtores e sustentabilidade ao meio ambiente; no estado de São Paulo, estima-se mais de 6,1 milhões de áreas degradadas de pastagens

Produtores da região de Rio Preto estão recuperando áreas de pastagens, que com o tempo, após muitos plantios de pastos ou de outras culturas, foram se deteriorando. A situação é conhecida como áreas degradadas, não sendo adequadas nem para o produtor quanto para o meio ambiente, com a geração maior de gases de efeito estufa. Neste cenário, produtores vêm recebendo um incentivo financeiro para recuperar a pastagem em área degradada, com a orientação de profissionais do setor agrícola.
De acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, as áreas de pastagem somam 7,8 milhões de hectares, em todos os municípios paulistas. Desse total, a estimativa é de que 4,6 milhões de hectares estejam em estágios iniciais ou medianos de degradação e 1,5 milhão de hectares já se encontram em estágio avançado - o que resulta em 6,1 milhões de áreas degradadas em todo o estado paulista.
Fernando Miqueletti, engenheiro agrônomo da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), de Rio Preto, explica que a pastagem de uma propriedade em Potirendaba estava sem curvas de nível, o que permitiu a infiltração de água no solo, o que provoca a degradação da área.
“Foram detectadas duas voçorocas (grandes erosões do solo), ocasionadas por escoamento de água de uma estrada desativada no entorno da propriedade”, diz Fernando.
Com esse trabalho de recuperação da pastagem, os produtores recebem orientações sobre a conservação do solo e a melhoria no uso da água, além de adubação que vai proporcionar a melhor qualidade do pasto, com alimento (capim) fornecido ao rebanho.
“Em muitos casos, como nesta propriedade em que foi realizado o projeto, não havia curva de nível, o pasto é muito baixo, e com a chuva começa a ter erosão, causando danos ao local”, conta.
Custos e conhecimento
Existem dois fatores que o professor Antonio Donizetti Sônego, da Escola Técnica Estadual (Etec) de Monte Aprazível, considera para o produtor rural não fazer o manejo adequado e manter as pastagens de qualidade: custo e falta de conhecimento sobre o assunto.
“Os custos com a reforma da pastagem não são tão altos, mas ainda existe muita falta de conhecimento do assunto e o produtor prefere ir mantendo a degradação da área”, afirma.
Ele pontua que a degradação de solo significa perda de nutrientes, através do uso contínuo da terra pela produção agropecuária. Além disso, Donizetti comenta que a falta de rotação de culturas ou de forragem para o gado, degrada a área de plantio. “É importante plantar, em um ano, as leguminosas (feijão, soja ou amendoim) e, em outro ano, as gramíneas (cana, milho ou sorgo)”, afirma.
Para a pastagem ficar bem conservada, o professor recomenda as técnicas de subsolagem, terração, calagem e adubação fosfatada. São técnicas, segundo Donizetti, que evitam a erosão e mantêm o meio ambiente sustentável.
Propriedades valorizadas

No sítio Borá, em Potirendaba, o pecuarista Edes Miqueletti teve com muitos problemas com a degradação da pastagem para o rebanho de bovinos, e chegou a perder quatro animais que morreram após caírem em uma das erosões do local.
“Depois do trabalho que foi feito aqui, com as orientações dos profissionais da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, ficou muito bom. Hoje a minha propriedade está mais valorizada”, conta Edes.
Segundo Edes, a pastagem começou a deteriorar após a construção de uma estrada municipal que cortava a propriedade. “Escorria muita água aqui no meu sítio e começaram a se formar erosões enormes, que inclusive me prejudicaram com a perda de animais”, explica o produtor, que trabalha com a pecuária de corte.
Na propriedade de Maria Aparecida Borges de Paula, em Nova Aliança, a recuperação de área degradada da pastagem ainda está em fase inicial.
“Com a terra muito compactada, foi preciso o trabalho de curva de nível e, assim, reter a água que escorre no pasto”, diz a produtora, que salienta estar satisfeita em poder ter a subvenção do governo estadual para o trabalho de recuperação da pastagem. “Com o meu orçamento não conseguiria recuperar a pastagem”, ressalta. (CC)
Pecuária mais sustentável

Para o pesquisador Gustavo Pavan Mateus, a pastagem degradada é aquela em que o manejo não foi bem feito, e com as tecnologias que estão disponíveis atualmente, a propriedade se torna mais produtiva e sustentável para a atividade da pecuária. Gustavo desenvolve pesquisas na Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta – Regional de Andradina), com foco no sistema de integração entre lavoura, pecuária e floresta.
Com esse sistema, Gustavo afirma que há significativa vantagem para o pecuarista realizar a recuperação de áreas degradadas.
“O pecuarista pode ter uma propriedade mais sustentável do ponto de vista financeiro, com a integração entre lavoura (que é a produção de grãos, como o milho, por exemplo) e a floresta (árvores de eucaliptos), além da pecuária”, explica o pesquisador.
De acordo com Gustavo, muitos produtores ainda ficam receosos com os investimentos que precisam ser feitos para um sistema de integração ou de recuperação de pastagens. Porém, ele destaca que existem linhas de financiamentos, dos governos federal e estadual que estão disponíveis para os produtores investirem na recuperação das áreas degradadas.
“O primeiro passo é a conservação do solo, para se evitar a erosão e proteger o recurso hídrico, que é a água tão valiosa, entre outras técnicas. Com o sistema de integração lavoura-pecuária-floresta, o produtor pode ainda aumentar a produtividade do rebanho e não perder dinheiro, já que é possível ter um fluxo melhor de caixa, em comparação com o método tradicional de pecuária”, completa Gustavo. (CC)