Produtores da região Noroeste paulista planejam mais investimentos para a safra
No planejamento da safra, produtores se organizam para novos investimentos em insumos e equipamentos agrícolas, e contam com mais recursos disponíveis

Para os plantios que são planejados antes mesmo de semeados em campo, os produtores rurais também se organizam para conseguir créditos utilizados no custeio da safra e investimentos em novos equipamentos agrícolas.
Recentemente, com o lançamento do Plano Safra 2023-2024 - programa do governo para financiamento ao setor agropecuário que tem se destacado na economia do País -, produtores da região Noroeste paulista se movimentam para buscar o crédito junto às instituições financeiras.
Na produção de soja de Marcelo Arruda, o planejamento da safra que começa com o plantio apenas no mês de outubro, o investimento é alto e o crédito para a compra de insumos é essencial para o produtor. “Essas linhas de crédito do Plano Safra são importantes para inovar a agricultura. Com o crédito, podemos ampliar as tecnologias disponíveis para a lavoura e ter ganhos em produtividade”.
Neste ano, após o anúncio das linhas de crédito do Plano Safra disponíveis para a agricultura, o produtor comenta que ficou interessado em contratar uma parte do financiamento para o custeio da safra. Ele diz que alguns insumos já foram comprados para a safra deste ano, junto às empresas que financiam as compras. “Outra parte, devo solicitar o crédito do Plano Safra”, afirma.
Além do crédito para o custeio da safra, Marcelo diz que as linhas de crédito para a compra de equipamentos agrícolas também são investimentos de grande porte para os produtores. “Facilita muito o financiamento do governo. Uma máquina agrícola, por exemplo, que custa R$ 1 milhão, é muito difícil ter esse capital de giro para adquirir o equipamento. Com o crédito, a gente consegue pagar no prazo de um ano”.
Taxas de juros
No ano passado, o produtor Francis Henrique Gonçalves usou os recursos de financiamento de custeio, do programa do governo, para o custeio da safra de soja. O crédito, segundo Francis, não foi muito alto, um total de R$130 mil. Mesmo assim, a maior preocupação do produtor foi em relação às taxas de juros cobradas para o financiamento.
“A gente percebe que em anos anteriores os juros estavam mais baixos. Então fica essa preocupação em contratar uma linha de crédito com juros muito altos. Por outro lado, também temos a preocupação com a aprovação da documentação e o prazo para a disponibilização dos recursos”, acrescenta.
Na lavoura do município de Ubarana, Francis planta, além da soja, milho, sorgo e tem a expectativa de ampliar as áreas para o plantio de uma nova cultura, a do amendoim. Os créditos para os novos investimentos na propriedade serão importantes para o produtor. “Já encaminhei toda a documentação para o banco e estou aguardando a resposta para conseguir o financiamento”, pontua.
Orientação ao produtor
Para obter crédito das diferentes linhas de financiamento que são disponibilizadas pelo programa anual do governo federal, os produtores precisam reunir uma série de documentos que comprovam a atividade no setor.
Para isso, os profissionais das Casas da Agricultura, localizadas nos 24 municípios da regional de Rio Preto, dão apoio ao produtor em todos os itens necessários para conseguir os financiamentos.
De acordo com José de Oliveira Melo Filho, assistente de planejamento de políticas públicas da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) de Rio Preto, o produtor pode contar com o apoio dos técnicos das Casas de Agricultura para as consultas sobre a documentação exigida pelo governo para o Plano Safra.
“Recebemos muitos produtores da agricultura familiar e eles precisar estar com documentos como o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) regularizado para ter acesso às políticas públicas e financiamentos”, diz Melo.
Melo explica ainda que, para cada linha de crédito solicitada e dependendo da renda do agricultor, há requisitos diferentes para apresentar junto à instituição financeira, sendo importante a orientação para cada produtor rural. (CC)
Saiba mais
O plano anual do governo disponibilizou R$ 436 bilhões para a safra 2023-2024,
sendo que no ano passado, o total foi de R$ 341 bilhões
São R$ 365 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 71 bilhões para agricultura familiar
Do total, R$ 272,12 bilhões serão destinados ao custeio e comercialização, uma alta de 26% em relação ao ano anterior
Outros R$ 92,1 bilhões serão para investimentos (+28%)
As taxas de juros para custeio e comercialização são de 8% ao ano para os produtores enquadrados no Pronamp e de 12% ao ano para os demais produtores
Para investimentos, as taxas de juros variam entre 7% ao ano e 12,5% ao ano, de acordo com cada programa
Na linha de financiamento para investimentos, são 13 programas destinados a inovação e modernização das atividades produtivas
Crédito disponível no Plano é maior neste ano
Neste ano, a oferta de créditos do Plano Safra para os produtores rurais está 27% maior em relação ao ano anterior, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O plano anual do governo disponibilizou R$ 436 bilhões para a safra 2023-2024, sendo que no ano passado, o total foi de R$ 341 bilhões.
Segundo o professor de economia da Unesp de Ilha Solteira, Omar Jorge Sabbag, é o maior Plano Safra em termos de volume de recursos, entre os créditos para a agricultura empresarial (R$ 365 bilhões) e para agricultura familiar (mais de R$ 71 bilhões). Ele explica que a maior parte dos recursos será destinada ao custeio (compra de insumo) e comercialização da safra e o restante para investimentos em compra de bens de capital (máquinas e infraestrutura da propriedade).
Os juros variam entre 7% a 12%, anuais para médio e grande produtores, e com variação anual de 3% a 5% para pequenos produtores. “Praticamente, os juros se mantiveram em relação ao Plano Safra anterior, mas é importante enfatizar que a taxa de juros dos financiamentos ao produtor neste ano ainda está abaixo da taxa Selic (de 13,75% ao ano)”, ressalta.
As instituições financeiras também estão recebendo os pedidos para a liberação de créditos aos produtores rurais. De acordo com Leonardo Cruz, gerente regional de desenvolvimento do Sicredi, mais de R$ 60 bilhões serão disponibilizados para atender o setor, em todo o País. “O agronegócio é uma das principais atividades econômicas do Brasil, e entendemos a relevância desse setor para o desenvolvimento regional”, diz o gerente. (CC)