SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SÁBADO, 22 DE JANEIRO DE 2022
AgroDiário

Consumo de aves cresce nessa época do ano, mas preços se mantêm

Para o avicultor, os preços não tiveram reajustes e seguem pressionados com a alta de insumos. Entretanto, produtores estão otimistas para a produção de frango de corte em 2022

Cristina Cais
Publicado em 03/12/2021 às 22:40Atualizado em 04/12/2021 às 07:33
Produção de aves de Antônio César Gorgatto (Divulgação)

Produção de aves de Antônio César Gorgatto (Divulgação)

A procura por aves natalinas nas gôndolas dos supermercados sempre aumenta neste período do ano. Mas, para o avicultor, os preços não tiveram reajustes e seguem pressionados com a alta de insumos que impulsionou todo o setor agropecuário em 2021. Entretanto, para 2022, produtores da região de Rio Preto estão com previsões otimistas para a produção de frango de corte.

O crescimento da produção de carne de frango também está no levantamento da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Nas projeções da entidade, o aumento do setor deve superar o de 2020. A previsão é de que a produção nacional deverá totalizar entre 14,1 milhões e 14,3 milhões de toneladas, o equivalente a 3,5% de crescimento em relação ao total produzido em 2020, com 13,845 milhões de toneladas.

Do total projetado pela ABPA, entre 9,550 milhões e 9,800 milhões de toneladas devem ser direcionada para o mercado interno, número até 2% superior ao destinado em 2020 (9,614 milhões de toneladas). Com isso, o consumo de carne de frango deverá alcançar o patamar de até 46 quilos per capita, aumento de 1,5% em relação ao registrado no ano passado (45,27 quilos).

Na avaliação dos avicultores, a tendência é de aumento de consumo da proteína no próximo ano, mas os custos com a produção ainda pressionam as granjas. “A perspectiva para o próximo ano é boa, mas desde que os custos com a produção comecem a cair”, analisa o avicultor Murilo Gil, que possui produção anual de 360 mil aves em Rio Preto. Ele lembra que o principal impacto, hoje, para a produção de aves, é o custo com energia elétrica.

“Estamos otimistas, mas preocupados com os custos de energia elétrica, que representaram entre 20% e 30% de aumento na nossa produção. É muito alto esse custo e, pior, a previsão é de que o preço da energia elétrica vai continuar impactando o mercado no próximo ano”, disse Murilo. Por outro lado, Murilo destacou que o consumo de carne de frango tende a aumentar no País. “É uma carne saudável e mais barata para o consumidor. Com isso, cresce a nossa produção também”.

O avicultor Antônio César Gorgatto afirmou que com a proximidade das festas de fim de ano, nada mudou em termos de reajustes de preços para a produção de frango de corte. Como ele trabalha no sistema de integração com as agroindústrias, que fornecem o pintinho e a ração para as granjas, a alta dos insumos impactou no reajuste para os produtores. “As empresas nos dizem que os custos elevados com a ração não proporcionaram o nosso reajuste no preço pago pela unidade de cada frango”.

Para 2022, Gorgatto considera boas perspectivas com a produção de aves em todo o país. “As exportações vêm crescendo e há muitos frigoríficos que estão reabrindo mercados no estado de São Paulo”. Com granjas que alojam 17 mil aves por ano no município de Jaci, o produtor prevê que a produção avícola para o próximo ciclo, seja melhor do que a de 2020 e deste ano.

Tecnologia traz ganhos para a atividade

O avicultor Renato Gaspar Martins investe em tecnologia

Os investimentos em tecnologia e no próprio desempenho da ave para ganhar peso para o abate são os desafios para os avicultores, mas que garantem a produtividade e lucro com a atividade. Segundo o produtor rural Renato Gaspar Martins, que possui produção anual de 420 mil aves em Onda Verde, os investimentos nos aviários são importantes para alavancar os ganhos na avicultura.

Recentemente, Renato investiu em equipamentos de sensores que foram instalados nos aviários. Os sensores controlam a temperatura, a umidade, a velocidade do vento e do CO2, possibilitando mais eficiência no manejo das aves. “Tudo isso para que a ave tenha um conforto dentro do aviário, o que vai refletir no bom desempenho genético da produção”, afirma.

Outro importante investimento para minimizar os custos com a produção de frango de corte é a instalação de placas de energia solar. O produtor rural Murilo Gil investiu R$ 300 mil em placas de energia fotovoltaica, um processo que converte a radiação solar em energia. “A gente gasta muito com energia elétrica, os aviários precisam ficar com equipamentos ligados 24 horas do dia e a energia solar vai contribuir muito para diminuir o custo”, conta Murilo. (CC)

Maior eficiência

Para atingir a melhor performance produtiva, o produtor precisa combinar manejo adequado, excelente sanidade, ambiência e bem-estar, de acordo com especialistas.

“Para o frango expressar o máximo do seu potencial genético, ele deve estar em ótimas condições de saúde e conforto, em um ambiente adequado, com acesso a alimento e água. É hora de ser muito detalhista e preciso, desde as granjas até o processamento para atingir o máximo de aproveitamento em todas as fases do ciclo de produção”, disse o médico veterinário e diretor Associado de Produto da Cobb-Vantress na América do Sul, Rodrigo Terra.

O melhoramento genético, segundo Rodrigo, evoluiu para aves mais eficientes. Um exemplo que o médico veterinário aponta é o CobbMale, lançado há um ano pela empresa. A ave apresenta melhores indicadores zootécnicos no campo, como melhor conversão alimentar, melhor ganho de peso diário, melhor rendimento de carcaça e empenamento precoce. “Com estas características, o produtor que oferecer essas condições para o plantel terá bons resultados em eficiência de produção”. (CC)

 
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