Com opções de mercado, cresce a produção de banana na região de Rio Preto
Produção de banana em consórcio com cacau, laboratório de mudas e escoamento para a merenda escolar resultou em rentabilidade para os produtores da fruta na região

Fruta tradicional e mais consumida pela população brasileira, a banana é produzida de Norte a Sul do País, e vem ganhando cada vez mais espaço entre os pomares do Noroeste paulista. Nos últimos anos, produtores da região de Rio Preto investiram na produção de banana para integrar o projeto de plantio de cacau, o que resultou em um negócio lucrativo com o escoamento da fruta para a merenda escolar e outros mercados.
“A banana é um negócio regional de grande porte porque movimenta de forma rápida, já que ela produz bem no nosso clima, tanto para grandes mercados como a Ceasa ou para garantir a merenda escolar de várias cidades da região”, pontua Andrey Vetorelli, engenheiro agrônomo da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), de Rio Preto, vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.
Junto ao programa que os profissionais da Secretaria estadual de Agricultura implantaram na região, o CacauSP - que visa expandir a cultura do cacau, em terras paulistas, para a fabricação de chocolate -, a produção de banana faz consórcio ainda com a produção de seringueiras. O início do projeto acabou dando força e espaço para os produtores investirem na produção de banana, especialmente da variedade nanica.
Segundo o agrônomo, enquanto as plantas de cacau ainda estão em fase de desenvolvimento, os produtores da região estão fazendo uma receita com a banana. “No projeto, usamos as árvores de seringueira ou de eucalipto para fazer quebra-vento ao cacau, e as bananeiras fazem o sombreamento provisório, até o terceiro ano de plantio da fruta”, afirma.
Emprego e renda
Após o quarto ano de plantio, os produtores de cacau que integram o projeto na região poderiam retirar as plantas de banana, que fizeram o papel de sombreamento para as plantas do cacau.
Porém, de acordo com Andrey, muitos agricultores viram a possibilidade de nova geração de renda e emprego na propriedade, com a banana. “Em muitos plantios, com a renda proporcionada pela banana, muitos produtores até pagaram o custo de implantação do cacau, e, além disso, gerou renda e emprego na região de Rio Preto”, ressalta.
Outro fator muito interessante para o crescimento da bananicultura no Noroeste, conforme Andrey, é a comercialização da fruta para as Prefeituras, que oferecem a banana na merenda escolar. “Com a inclusão de uma dieta mais saudável na merenda escolar, muitos agricultores, hoje, escoam seus produtos, como as frutas e as hortaliças, para a alimentação dos alunos”, diz.
Para o produtor Marcelo Franzine, “o mercado de bananas na região tem sido muito próspero, com potencial de crescimento por estarmos bem próximos de uma cidade como Rio Preto, que possui boa comercialização, seja da merenda escolar, hospitais e outros mercados que compram a fruta.”
Produção perene
Na propriedade de Palmeira d’Oeste, na região de Catanduva, a produtora Mônica Carvalho Munhoz investiu na produção de 3.000 plantas de banana nanica, com o objetivo de cultivar o cacau, no projeto Cacau SP. Há um ano, ela não pensava em comercializar a banana, quando realizou os plantios da fruta, mas hoje já colhe a fruta e garante uma renda a mais para o seu negócio.
“O bom que a banana é constante, temos o ano todo, e o que se colhe já vendemos rapidamente aqui na região. Cada pé de banana produz em média 40 quilos da fruta, na média semanal”, conta a produtora. No entanto, Mônica lembra que a fruta também exige investimentos, como o sistema de irrigação, e também técnicas de colheita para não estragar a banana, um processo bem delicado.
Na produção de Marcelo Franzine, em Tanabi, a banana vem tomando espaço maior com o plantio não só da nanica, mas também da variedade maçã. “Com a nanica, temos um volume de 2.000 caixas por mês, e neste ano vamos ter a comercialização da banana maçã, depois que plantei 11 mil pés desta variedade”.
Marcelo também iniciou o plantio de banana com o consórcio do cacau, e diz que o potencial da fruta é muito bom na região. (CC)
Laboratório auxilia produtores
Em Tabapuã, o casal Lusia Damasceno e Cássio de Caires Lima aposta na produção de mudas de banana por micropropagação, que são mudas conduzidas em laboratório e que garantem a melhor sanidade da fruta. “Hoje produzimos 25 mil mudas de banana, sendo 21 mil de nanica e 4.000 de maçã”, conta Cássio, que decidiu investir no laboratório de micropropagação por ser um setor muito lucrativo.
Lusia explica que, a partir do rizoma (caule) da bananeira, extrai as células reprodutivas da planta e as transforma em mudas. “O processo todo demora cerca de 90 dias para ficar pronto e chegar ao campo como muda da banana. O importante é que neste processo, as mudas são mais sadias, saem sem doenças”, conta Lusia. Com a micropropagação, Lusia diz que consegue também uma produtividade maior de mudas.
De acordo com o pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Edson Nomura, tem aumentado a produção brasileira da banana e o consumo da fruta em todos os municípios do País. “Pelas condições climáticas tropicais do Brasil, a banana produz muito bem em todas as regiões e garante rentabilidade para o produtor”, diz o pesquisador.
A nanica é a variedade mais consumida, e com maiores plantações no estado paulista, sendo que há um avanço também da banana prata, segundo o pesquisador. “No ano passado fizemos o lançamento de uma nova variedade da banana prata, a cultivar VTP Hayashi, um trabalho feito em parceria com uma empresa de micropropagação de mudas”, destaca Edson. (CC)