Clima reduz produção de hortaliças, mas demanda em alta anima setor
Produtores diminuem a produção de hortaliças, como a alface, mas demanda pelas folhosas aumenta; há boas perspectivas para a produção deste ano

As chuvas e as altas temperaturas registradas com a chegada do verão diminuem a produção de hortaliças, no mês de janeiro. Alface, rúcula, almeirão e cheiro verde têm produção reduzida, tanto nas hortas com sistema de hidroponia ou nas que são cultivadas diretamente no solo, de acordo com produtores e especialistas. Porém, a demanda pelas folhosas, principalmente a alface, aumenta nesta época, passadas as festas do fim de ano e com a procura por uma alimentação mais leve por parte da população, que inclui um pouco mais de saladas no prato do dia a dia.
O período entre dezembro e abril, é considerado o de entressafra da produção de hortifrútis, com as plantações de hortaliças mais afetadas pelo clima, principalmente pela chuva que deixa maior umidade no solo. Na região de Rio Preto, o Instituto de Economia Agrícola (IEA), apontou que em 2020 foram produzidos mais de 68 mil engradados com nove dúzias de alface, a hortaliça mais consumida pelos brasileiros.
Para os horticultores, o cenário é de uma produção mais difícil com as hortaliças, e eles precisam redobrar os cuidados com as pragas e doenças. Mas há também uma lucratividade maior com os preços das folhosas, que acabam sendo reajustados no campo, com a demanda maior pelos produtos. “Agora é a época que vende tudo, para quem consegue produzir na entressafra”, diz o produtor rural Lindomar Garcia de Souza.
A produção de Lindomar, de 20 mil pés de alface, em 60 bancas de hidroponia (plantio suspenso das hortaliças, sem o uso do solo), exige mais atenção nesta época. “A gente até consegue uma produtividade maior com a hidroponia, mas tem que ter cuidado extremo com as doenças que podem atacar a raiz da planta e, com o tempo nublado, fica difícil a fotossíntese das folhas, interferindo no desenvolvimento das hortaliças”, afirma.
O horticultor e presidente da Cooperativa dos Produtores Rurais de Rio Preto (Cooper), Marcelo Caetano, reduziu a produção de hortaliças nos últimos dias, mas acredita nas boas perspectivas de mercado para o decorrer do ano. “Com o retorno de alunos às escolas e o comércio, principalmente os restaurantes, em funcionamento normal, podemos avaliar que o setor de horticultura deverá ser melhor neste ano”. Marcelo lembrou ainda, que no início da pandemia do coronavírus, em 2020, as vendas caíram 20%.
Segundo Marcelo, os produtores da Cooper fornecem, em sua maioria, alimentos para a merenda escolar das escolas de Rio Preto, o que garante um lucro a mais para a produção de hortaliças, frutas e legumes. “Hoje temos 84 cooperados no total, mas 56 estão fornecendo os produtos atualmente, e mesmo com a pandemia, que motivou o fechamento das escolas, continuamos fornecendo as hortaliças para os kits de alimentação que foram distribuídos pela Prefeitura para as famílias dos estudantes.”
A expectativa para a produção deve ser melhor, na avaliação de Marcelo, neste ano. Os preços para os produtores também foram reajustados, em média R$ 1,10 o pé de alface, o que deve motivar mais a produção dos próximos meses. “A produção com a estufa e o recurso da hidroponia garantem produtividade maior, mas há maior dificuldade para produzir hortaliças nesta época.”
Orientação técnica
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo estima 42 mil propriedades rurais que produzem hortaliças e legumes no estado, o que representa 20% da produção do País. Técnicos da Secretaria, na região de Rio Preto, orientam os produtores rurais, nas diferentes etapas de produção de hortaliças e também afirmam que a alface é a hortaliça mais consumida, mas também a que exige maior cuidado na colheita.
O chefe da Casa da Agricultura de Rio Preto, Galdino Flávio de Almeida, recomenda aos horticultores que façam a análise do solo; a correção do solo conforme o resultado da análise de solo e da cultura a ser plantada; o controle de pragas e, por último, o planejamento de produção de acordo com a cultura e a demanda.
A virose, nesta época do ano, é mais comum nas hortaliças e requer maior atenção do produtor para o controle da doença, segundo o engenheiro agrônomo da Casa da Agricultura de Bady Bassitt, Edmar José Ferrari. Na região, os sistemas de plantio no solo e de hidroponia são bastante comuns. Edmar avalia que os dois sistemas têm as vantagens e desvantagens para o produtor.
“Tudo depende de um bom planejamento do produtor com as hortaliças. Se não cuidar muito bem, poderá ocorrer perda de toda a produção, como aconteceu recentemente com um produtor, que teve problemas com fungo na água, da produção de hortaliças”, finaliza Edmar. (CC)
Produção de orgânicos deve ter queda
A produção das hortaliças, no sistema de plantio de alimentos orgânicos, é toda feita no solo. De acordo com os produtores, o calor e a chuva dificultam a produção de hortaliças, ao contrário do clima mais frio, quando há um desenvolvimento melhor das folhas. Na região de Rio Preto, os horticultores de alimentos orgânicos estimam uma diminuição de até 50% da produção total de hortaliças.
“O calor intenso e a chuva, nesta época, diminuem em até 50% a produção de hortaliças na nossa região”, diz o produtor Edge Donizete Rodante. Ele explica que muito calor, acima de 25°, atrapalha o crescimento das hortaliças, que ficam menores na entressafra. De uma produção de 8,0 mil pés de alface por semana, Edge afirmou que diminuiu a produção para 4,0 mil plantas, cultivadas no solo, em conformidade com a produção orgânica.
Na avaliação de Edge, não apenas as hortaliças, mas os legumes e as frutas também tiveram uma redução de consumo, nos últimos seis meses. “Com a crise econômica do País, a gente percebe que muitas pessoas tiveram o poder de compra menor. Deixei até de entregar os produtos para cidades muito distantes, priorizei Rio Preto. Mas esperamos que em janeiro, após as comemorações de fim de ano, o consumidor volte a comprar mais produtos saudáveis, como as hortaliças”, diz.
Expectativa também de melhorar a produção para os próximos meses é a da produtora rural Juliana Roldão. Há oito anos, Juliana investiu na produção de hortifrutis orgânicos e pretende ampliar a área de hortaliças, com as variedades de alface lisa e roxa. Atualmente ela produz a alface do tipo americana e pretende ampliar as variedades da folhosa, de acordo com os pedidos dos clientes, que aumentaram durante a pandemia.
O manejo, segundo Juliana, neste período de entressafra é mais difícil, principalmente para colher a alface, que ela considera o carro-chefe dos pratos no verão. “Como não trabalhamos com estufa, temos muitos prejuízos com as folhosas. Em época de boa produção, no inverno, por exemplo, conseguimos formar um maço de alfaces com três ou quatro pés. Mas agora, precisamos de sete ou até de 10 pés para formar um maço de alfaces”, disse Juliana.