SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SÁBADO, 22 DE JANEIRO DE 2022
AgroDiário

Clima impulsiona a produção de borracha natural no Noroeste Paulista

Início da safra deixa produtores animados com as chuvas e também o mercado, que está com maior demanda pela borracha

Cristina Cais
Publicado em 15/01/2022 às 04:06Atualizado em 15/01/2022 às 07:22
Após a chegada da chuva, o início da safra em 2022 deve ser mais produtivo para a colheita da borracha (Divulgação)

Após a chegada da chuva, o início da safra em 2022 deve ser mais produtivo para a colheita da borracha (Divulgação)

As chuvas dos últimos meses devem impulsionar a produção da borracha natural no campo, para alívio dos produtores de seringueiras da região Noroeste do Estado de São Paulo. No ano passado, os seringais foram muito prejudicados com a seca, a geada e as queimadas que atingiram áreas cultivadas, afetando a extração do látex. Neste cenário, heveicultores tiveram árvores erradicadas e ainda contabilizam os prejuízos com as seringueiras que não vão entrar em produção nesta safra. Porém, após a chegada da chuva, o início da safra em 2022 deve ser mais produtivo para a colheita da borracha.

Na avaliação da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor), o início da safra, entre novembro e dezembro do ano passado, foi mais animador ao produtor, que contabilizava os prejuízos com o clima, além de um mercado financeiro de valorização no preço pago pela borracha natural. Diogo Esperante, diretor executivo da Apabor, diz que a safra da borracha em 2022 está com percentuais maiores dos volumes de chuvas, o que deve garantir maior produtividade.

“O início da safra da borracha está numa ascendente, com o clima mais favorável neste início de ano, o que deve resultar na produtividade dos seringais quando entrarmos no pico da safra, a partir de abril”, afirmou Diogo. O seringueiro, segundo ele, consegue um faturamento maior, com a valorização do dólar e a demanda maior de países, como a China, o principal consumidor da borracha no mundo.

Todos estes fatores, de acordo com o diretor da Apabor, seguem viabilizando a produção da borracha no Noroeste Paulista, onde se concentra o principal polo produtor de látex do país. Mas o ano de preços recordes, que segue desde a safra passada, também deve ser visto com maior atenção por parte dos produtores. Diogo diz que os preços pagos pela borracha devem permanecer em 2022, e quem está no campo deve manter o foco com o manejo e as vendas do produto, durante este período de 10 meses da safra da borracha natural.

Otimismo

O produtor e responsável pela cooperativa Hevea Forte, Nilson Augusto Troleis, acredita que o foco na gestão deve fazer a diferença, essencialmente neste início de safra. Nilson diz que a cooperativa faz a gestão de 50 cooperados, que estão mais animados com a safra deste ano. “O mercado está com preços bons e o clima favorável para a produção dos seringais. Agora é hora de organizar a equipe de trabalho, fazer a previsão de produção mensal e de buscar metas para o pico da safra.”

Na safra anterior, Nilson lembrou que as condições climáticas ficaram desfavorecidas para a produção dos seringais, com a chuva que chegou mais tarde nas propriedades da região, o que provocou uma queda de produtividade no campo. Ele destacou ainda que um total de 150 mil árvores de produtores da cooperativa foram afetadas por problemas climáticos, como a geada que atingiu as seringueiras nos meses de junho e julho de 2021. “Agora, com o seringal organizado e uma equipe de sangradores motivada, acredito muito nas perspectivas ideais para a safra deste ano.”

Trabalho da sangria da seringueira na propriedade de Januário Antônio Gorga Filho (Divulgação)

Melhores condições de colheita

A estiagem prolongada, acompanhada de geada, prejudicou muitos seringais em 2021. O produtor Januário Antônio Gorga Filho ainda contabiliza os danos causados na produção, de um total de 14 mil seringueiras. “Ainda bem que os preços pagos estão mais animadores em 2022, em comparação com as safras passadas. E também pelo fato da pouca oferta da borracha em início de safra, com o clima mais favorável para elevar a produtividade.”

Na fazenda de José Cláudio Ruiz, os seringais também foram prejudicados com a seca e depois, com a geada, que prejudicou a produção de 1.300 árvores. “Não houve a morte das seringueiras, mas neste ano não poderemos fazer a sangria nas seringueiras prejudicadas pela geada”, afirma Ruiz, que aposta em condições climáticas mais favoráveis, melhor produtividade e na estabilidade do mercado da borracha.

Em outra propriedade, do produtor Renato Ramires Júnior, a geada atingiu de forma severa a produção das seringueiras. “Foram cerca de 7 mil seringueiras prejudicadas pela geada do ano passado e que não poderão ser sangradas (quando se retira o látex das árvores) na colheita deste ano. Eu ainda tive sorte, porque muitos vizinhos da região perderam as árvores, que não vão mais produzir. Ainda bem que por aqui as seringueiras estão em fase de reflorescimento.”

Os produtores estão mais animados com a safra da borracha, que atende em sua grande maioria as indústrias pneumáticas. Para tudo dar certo, as chuvas precisam se manter regulares, para o bom andamento dos seringais. Segundo Renato, no ano passado a chuva não atingiu média de 1.000 milímetros, volume considerado ideal para a produção das seringueiras e de outras culturas.

Custos com insumos

A produção de seringueiras, assim como muitos setores da agricultura, foram impactados pelos preços elevados dos insumos, principalmente fertilizantes e defensivos. A previsão ainda é de preços elevados, mas com menor intensidade. O heveicultor José Manoel Pinto Júnior diz que no ano passado houve itens reajustados em mais de 100%. A motivação agora devem ser os preços mais atrativos. “Após os prejuízos que tivemos com as adversidades climáticas, é um incentivo.” (CC)

Preparação do seringal

Nas análises de produtividade e manejo com as seringueiras, a orientação e os cuidados técnicos são estratégias para que o produtor tenha bons resultados na colheita. Especialista em heveicultura, o engenheiro agrônomo Júnior Lucatto explica que o clima está satisfatório, com os bons índices de chuva neste início do ano. Mas ele destaca que o descuido com o manejo influencia na rentabilidade.

“No ano passado a seca prejudicou bastante as árvores. Já neste início da safra de 2022, o clima vem respondendo melhor, sendo o momento ideal, por exemplo, para o produtor usar corretamente o estimulante”, diz Júnior. O estimulante é um insumo que deve aumentar a produção de látex e o tempo seco atrapalha o uso deste produto usado para a produção de seringueiras.

A produção de seringueiras está muito favorável, segundo Júnior, no campo. “Com o manejo correto e se tiver a melhor distribuição de chuvas nos próximos meses, a colheita, quando atingir o pico da safra, deve ser de uma maior rentabilidade para o produtor”, diz. (CC)

 
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