Diário da Região
AGRONEGÓCIOS EM PAUTA

Cana-de-açúcar e clima

por Cristina Cais
Publicado há 1 hora
Pecuária de corte se destaca em 2025 no estado de São Paulo (Divulgação)
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Pecuária de corte se destaca em 2025 no estado de São Paulo (Divulgação)
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O novo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cana-de-açúcar em sequeiro, destinado à produção de etanol, açúcar e outros fins, foi anunciado nesta semana pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Esta é a primeira versão após a revogação do Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAE Cana), ocorrida em 2019. Na nova versão, além de incluir a avaliação de municípios que tinham restrição de acesso a financiamento público, os pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) utilizaram uma metodologia atualizada de cálculo de riscos, avaliando um número maior de classes de solo. A área ocupada pela cana-de-açúcar no Brasil variou entre 9,1 e 10,2 milhões de hectares nos últimos dez anos. A maior concentração está nos estados da região Centro-Sul, com destaque para São Paulo, que concentra 50% das lavouras do país.

Mercado do algodão

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que os preços do algodão em pluma reagiram no mercado interno, impulsionados pela maior demanda para a compra. De acordo com o estudo, o movimento de recuperação ocorre apesar das baixas nas cotações internacionais e na taxa de câmbio. No campo, produtores do Noroeste paulista seguem atentos ao desenvolvimento das plantas e das adversidades climáticas da região, especialmente quanto à procura da fibra por parte das indústrias. Ainda assim, conforme aponta o Cepea, a liquidez permaneceu limitada, refletindo a “queda de braço” entre compradores e vendedores.

Produtos em alta

O Valor da Produção Agropecuária (VPA) do estado de São Paulo alcançou R$ 171,61 bilhões em 2025, segundo estimativa do Instituto de Economia Agrícola (IEA). O resultado representa alta real de 0,55% em relação a 2024 e reflete, principalmente, o forte desempenho das cadeias de carnes e do café. Os dados mostram que a carne bovina registrou crescimento de produção e preços, alcançando R$ 22,64 bilhões, com alta de 20,76% em relação ao ano anterior. Já o café beneficiado apresentou um dos melhores desempenhos do período, com R$ 9,60 bilhões em valor de produção e crescimento de 47,09%. A valorização do café foi impulsionada pelas cotações internacionais e pela maior demanda global, conforme o estudo do IEA.

Carne bovina premium

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil, reúne a Embrapa e a Associação Brasileira de Angus para lançar o selo Beef on Dairy. A estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. Conforme pesquisadores da Embrapa, o objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais. Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.