SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 27 DE JANEIRO DE 2022
TEM LICHIA NO CACHO

Atrasada, colheita da lichia acontece agora na região Noroeste Paulista

A fruta, que deveria ser colhida no mês de outubro, está em fase de colheita agora; clima provocou atraso no andamento dos pomares na região Noroeste Paulista

Cristina Cais
Publicado em 30/11/2021 às 23:53Atualizado em 01/12/2021 às 10:08
Lichia da produção de Thales Fagundes; na propriedade também são vendidas mudas da fruta (Divulgação)

Lichia da produção de Thales Fagundes; na propriedade também são vendidas mudas da fruta (Divulgação)

A aparência tem que ser bonita e vistosa para atrair o consumidor da fruta. A lichia, que é docinha e tem boa lucratividade para os produtores, precisa ficar no ponto correto de maturação e, após isso, ser colhida rapidamente para não perder a qualidade no sabor. Nesta safra, os produtores tiveram um atraso na colheita, e estão em ritmo acelerado até os próximos 15 dias para atender a demanda do mercado. Em geral, a fruta é colhida em outubro.

Segundo os fruticultores, as mudanças climáticas na região Noroeste do estado de São Paulo influenciaram na fase da florada das árvores, o que diminuiu a produtividade dos pomares de lichia. “Acredito que o frio atípico que tivemos, em torno de dois graus neste ano, provocou a falta de frutificação das árvores. A florada foi muito grande, nunca tinha visto antes, em mais de 20 anos que cultivo a fruta. Porém, com o clima mais seco, diminuiu a produtividade e o pegamento dos frutos”, disse o fruticultor Júlio Kiyoichi Shimasaki.

Conhecida como fruta exótica no Brasil, a lichia é originária da China e chegou ao Brasil em 1810, ganhando potencial comercial de produção a partir de 1970. “Hoje no País, são mais de dez variedades de lichia e nós temos as que são mais apropriadas ao clima tropical, o que ajudou bastante para o produtor, principalmente na nossa região, de clima mais quente”, conta Júlio. São cinco variedades de lichia cultivadas por Júlio, mas a principal é a red heart (coração vermelho).

Entre as 500 árvores de lichia que estão em produção, a expectativa era de uma colheita de 3 mil caixas da fruta, mas deve colher apenas 300 caixas. O clima prejudicou muito a produtividade, para uma fruta que não suporta muito calor e nem muito frio, de acordo com o produtor. Neste ano, ele acredita que a falta de chuva foi o principal fator, mesmo que ele tenha irrigado as lichieiras.

De clima muito exigente, como explica o produtor rural Koitiro Sato, a lichia não teve uma produtividade adequada por falta de chuva na safra deste ano. “Tudo depende do manejo adequado para o pomar, não deixando faltar água. As nossas frutas estão muito bonitas e muito doces”, afirma. O fruticultor ainda diz que é fundamental uma qualidade de fruto bom, com um brix (docilidade) acima de 22°, como as lichias que atingiram este índice nesta safra.

Sato possui em produção 200 árvores de lichia e garante produtividade média entre 20 a 25 quilos de fruta por árvore. Na safra passada ele pontuou que teve uma safra também impactada pela falta de chuva. “Neste ano, nós já prevíamos que o clima não estava propício e tivemos que usar mais a irrigação. Aí, acabou que o custo de produção aumentou porque gastamos mais energia elétrica para o sistema de irrigação”, destaca Sato.

Os fruticultores afirmaram que a lichia, com sua casca rugosa e cor vermelha, para ter uma boa aceitação do consumidor no mercado, necessita de maturação e tamanho, que chamem mais a atenção na prateleira. Conforme Júlio, a fruta tem uma polpa branca com semente, que lembra a jabuticaba, “só que bem mais doce”.

Ácaro causa problemas

Nos últimos anos, o estado de São Paulo, principal produtor da lichia no mercado brasileiro, identificou uma doença causada por ácaro que acabou dando mais trabalho no manejo da fruta. De acordo com o engenheiro agrônomo Gilberto Massami Watanabe, o ácaro da erinose da lichia causa rachaduras e manchas na fruta, sendo essencial um cuidado maior por parte dos produtores.

“A doença não traz nenhum problema em termos de sabor da fruta. Mas como a lichia é comercializada muito pelo seu visual, o ácaro pode prejudicar, tornando-se um problema para o produtor na hora da venda”, disse Massami. Não há produtos defensivos para o controle da doença, mas Massimi diz que muitos produtores fazem o uso de enxofre para que o ácaro não se espalhe nos pomares. “É importante não deixar a proliferação tomar conta das árvores”.

Massami explicou ainda que a escassez hídrica nesta safra prejudicou bastante os pomares de lichia. “É uma fruta que até aceita bem o calor, mas precisa de umidade para desenvolver os frutos, sendo importante o produtor complementar o manejo com o uso de irrigação”, afirmou Gilberto.

Para o agrônomo, a lichia é uma cultura lucrativa para o produtor, mesmo que a produção seja apenas uma vez no ano. Na região Noroeste, o fruticultor consegue antecipar a safra. “Em outras regiões do estado de São Paulo, a lichia tem safra prevista para o mês de dezembro. Então o fruticultor consegue atender mais a demanda e ter excelente lucratividade com a fruta”. Os preços da fruta para o produtor variam entre R$ 40 e R$ 120 o quilo. (CC)

Meta é expansão da cultura

A produtora rural Renata Fagundes Rezek: fruta faz sucesso nas festas de fim de ano

Nos 30 anos dedicados à produção de frutas exóticas e mudas frutíferas, o produtor rural Thales Fagundes tem um desejo: que as frutas, como as lichias, estejam nos pomares de muitos fruticultores. Além de produzir a lichia, Thales possui 3 mil mudas da fruta para a comercialização, que seguem para todo o Brasil. “Temos que incentivar a produção de lichia para muitas pessoas. E na Europa, é uma fruta muito bem aceita, sendo importante investir na exportação”.

Os preços das mudas variam, mas a variedade mais comercializada por Thales é a lichia da variedade pink australiana. “A muda da árvore já vai para o produtor com mais de um metro de altura, com preço médio de R$ 45”, afirma. “Outro dia fiquei muito feliz com um produtor de uva de Jales que veio conhecer a nossa produção. Ele levou 500 mudas de lichia para cultivar na sua propriedade”.

A produtora Renata Fagundes Rezek, filha de Thales, disse que a lichia faz muito sucesso com a proximidade das festas de fim de ano e que mesmo com o clima desfavorável, a produção de lichia tem boa rentabilidade para eles. As árvores de lichia na propriedade da família totalizam 2 mil pés, mas em produção são 900 árvores. “Estamos num ritmo acelerado para a colheita da lichia nestes dias, com as frutas que vão sendo embaladas e seguem para São Paulo”, diz Renata. (CC)

 
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