Adubação verde conquista agricultores do Noroeste Paulista
A técnica, conhecida também como cobertura de solo, vem conquistando agricultores da região Noroeste Paulista e tem, entre outros benefícios, aumentar a produtividade das lavouras

Cada vez mais produtores rurais têm buscado na adubação verde os benefícios para os plantios de diferentes lavouras, com espécies vegetais que nutrem o solo, provocando a redução de custos com insumos e garantindo a conservação da biodiversidade do meio ambiente. A prática agrícola, que é milenar, vem conquistando agricultores que cultivam a adubação verde com leguminosas, como a crotalária, e que fornece matéria orgânica ao solo, em rotação de culturas como soja, seringueira e milho.
Segundo o agrônomo Andrey Vetorelli Borges, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), de Rio Preto, adubos verdes são plantas cultivadas para a melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo. “(As plantas) Têm a finalidade de fazer a cobertura do solo, com fatores que beneficiem o sistema, como o de manter a temperatura e a conservação do solo. A grande vantagem é fornecer matéria orgânica na terra, aproveitada após para o plantio de várias culturas como grãos, pastagem e de seringueiras”, explica o agrônomo.
Entre os adubos verdes, a crotalária - uma leguminosa - tem sido bastante cultivada por produtores da região de Rio Preto. “A adubação verde pode ser feita para várias culturas, como a braquiária, para a pastagem, e a crotalária usada na preparação de solo para plantios de soja, milho e até em hortas”. Depois de plantar, o agrônomo afirma que o produtor pode fazer o corte, colher ou dessecar, aproveitando novamente as sementes da planta.
Rentável
Em Nhandeara, o produtor Reginaldo Massuia cultiva área de 400 hectares de crotalária com a finalidade de fixar nitrogênio ao solo em lavouras de rotação de cultura com a soja. “Existem várias espécies de crotalária, tem até as que combatem o nematoide. Aqui, nós cultivamos com o objetivo maior de fixar nitrogênio no solo, e depois comercializar a semente”, conta o agricultor.
Reginaldo diz ainda que cultiva há muito tempo a crotalária, uma leguminosa que tem a vantagem ainda de manejo simples e sem a necessidade de usar muitos insumos. “A crotalária é bem rentável, geralmente é 100% acima sobre o que se gasta com o cultivo, sendo o maior custo com a semente, que hoje é bem cara para quem planta pela primeira vez”.
De acordo com o agrônomo Angelo Francisco Botaro, os produtores têm investido em adubação verde tanto de leguminosas, como as espécies de crotalárias e de feijões (guandu ou de porco), como em um mix de sementes que incluem aveia, trigo e girassol. “O benefício para as lavouras é o de fixação biológica de nitrogênio e a formação de palhada que protege o solo e dificulta o estabelecimento de plantas invasoras”, comenta Angelo.
Há 40 anos o agrônomo atua na consultoria de produção de sementes no município de Palestina e diz que na região Noroeste Paulista muitos agricultores procuram o plantio dos adubos verdes para as culturas de soja, milho, seringueiras e de frutas, especialmente a uva. “Além da melhoria do solo, os produtores ganham em produtividade da lavoura. Na soja, a adubação verde eleva a produção em até seis sacas de soja por hectare cultivado”.
Recuperação do solo degradado

A estiagem prolongada de 2021 deixou sérios prejuízos para o produtor Marcelo Franzine, na propriedade em Mirassolândia. Ele perdeu uma área de seringueiras em um incêndio, em um ano de muita seca e também de geada, que provocaram muitos danos às lavouras da região. “Não queria deixar o solo descoberto, onde ocorreu o incêndio, e por isso plantei 125 hectares de adubação verde, usando a crotalária”, diz Marcelo.
Além de procurar uma rentabilidade para a propriedade, Marcelo queria agregar o plantio de uma cultura que beneficiasse o solo degradado. “A planta da crotalária foi a melhor decisão, já que fixa nitrogênio ao solo e ainda vou cortar para ter a semente para a venda em outra fase do plantio”. O produtor deve plantar nesta área de adubação verde novas mudas de seringueira e ainda manter a crotalária entre as ruas de seringueira.
Na fazenda em Riolândia, o produtor Vanildo Naressi cultiva a crotalária para beneficiar a adubação das lavouras, especialmente na época de safrinha, com o cultivo de soja. “Mas tem um segredo para manter a boa plantação de crotalária”, diz o produtor. Segundo ele, a crotalária não deve ser cultivada sempre na mesma área, sendo mais interessante para o solo e para a planta a mudança de áreas de cultivo com o adubo verde.
Há uma década cultivando a crotalária, Vanildo ressalta que o benefício maior, em 160 hectares em que cultiva a leguminosa, é para a fixação de nitrogênio no solo. Ele também comercializa a semente. “O resultado não é tanto pelo ganho financeiro com a semente, mas sim com a produtividade dessa adubação, em época de escassez de chuva também, para a rotação de cultura da soja”, conclui. (CC)
Saiba como usar a adubação verde

Em pré-cultivo ou rotação de culturas: quando são utilizadas antes ou depois de uma cultura para melhorar o solo para a cultura que será plantada em seguida
Em consórcio: pode ocorrer o plantio conjunto da cultura e do adubo verde e em seguida o corte e deposição do material sobre o solo para fornecer nutrientes ainda para esta cultura, ou então o plantio na parte final do ciclo da cultura, sendo que o adubo verde se desenvolve na parte final e após o ciclo de cultura, beneficiando a cultura seguinte.
Cultivo em faixas: quando se cultivam faixas de leguminosas perenes ou semiperenes separando talhões de culturas e as leguminosas são podadas periodicamente para
adubar as lavouras
Fonte - Embrapa