SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 07 DE AGOSTO DE 2022
AgroDiário

70% da borracha do Brasil é beneficiada por 12 usinas da região de Rio Preto

Levantamento da Apabor revela que 70% da produção de borracha de todo o País é beneficiada por 12 usinas instaladas em cidades da região Noroeste paulista

Cristina Cais
Publicado em 29/06/2022 às 02:53Atualizado em 29/06/2022 às 08:51
Beneficiamento da borracha na Braslátex, em Bálsamo: usina produz, em média, 28 mil toneladas de borracha natural (Divulgação)

Beneficiamento da borracha na Braslátex, em Bálsamo: usina produz, em média, 28 mil toneladas de borracha natural (Divulgação)

A região de Rio Preto concentra, atualmente, o maior polo de borracha natural beneficiada e comercializada entre as indústrias de pneus instaladas no País. De acordo com dados da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor), 70% da produção de borracha de todo o País é beneficiada por 12 usinas da região do Noroeste Paulista.

De acordo com levantamento da Apabor, a cadeia de produção de seringueiras vem se fortalecendo nos últimos anos, sendo a região Noroeste responsável por 67% do produto que sai do campo. Fábio Magrini, presidente da Apabor, avalia que o fortalecimento de toda a cadeia produtiva da heveicultura é muito importante no que diz respeito ao funcionamento das usinas de beneficiamento do produto concentrado na região.

“Hoje, apenas duas usinas de beneficiamento de borracha estão instaladas em dois estados (Bahia e Espírito Santo) brasileiros. As demais, com a produção de 70%, estão instaladas em cidades muito próximas a Rio Preto”, acrescenta Magrini. Ele considera ainda que para o produtor de seringueira, os diversos serviços que fecham a cadeia produtiva da borracha na região resultam em aspectos positivos e que refletem no campo.

No levantamento da Apabor, a empresa Braslátex, instalada na cidade de Bálsamo, responde por 19% deste total, seguida pela Hevea-Tec, de Jaci, com 13%, e da NB Noroeste Borracha, com 11% e que está sediada em Urupês. Após o beneficiamento, mais de 80% do produto é comercializado entre as indústrias de pneus, concentradas em sua maioria próximas à capital paulista.

Capital da borracha

Para o diretor executivo da Apabor, Diogo Esperante, a região do Noroeste Paulista é hoje o grande polo produtor de seringueiras e do beneficiamento do produto. “Rio Preto é a principal região de beneficiamento, podemos dizer que é a capital da borracha”, ressalta.

As usinas, segundo Diogo, se encarregam de toda a logística, buscando a borracha no campo. “Essas empresas buscam a borracha no Brasil todo. Para os produtores é importante, já que é uma matéria-prima mais disputada e com preços atrativos da commodity, resultando sempre em rentabilidade”.

Esperante destaca que o setor ainda possui rastreabilidade. As empresas têm todos os dados e sabem, por exemplo, sobre cada área onde foi plantada a seringueira. “Se tem área de plantio que foi desmatada, a usina tem esse dado. Mas o mais importante é que o Brasil se notabilizou no mundo com a qualidade do produto”, comenta o diretor.

Controle de qualidade rigoroso

No campo, a produção de seringueiras atingiu 145 mil toneladas de borracha no estado de São Paulo, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo que a região Noroeste responde por 67% da produção de borracha natural brasileira. Produtor e proprietário da usina São Manoel, Adriano Júnior Sabino vê como ponto positivo o beneficiamento do produto na região de Rio Preto.

Em Uchoa, Adriano cultiva 13,5 mil árvores de seringueiras e na usina, localizada em Neves Paulista, foram beneficiadas 11 mil toneladas de borracha na safra passada, com expectativa de 12 mil nesta safra. “Os serviços oferecidos ao setor, a logística e a manutenção da usina, tudo fica melhor quando está concentrado em uma mesma região, próxima ao campo”, destaca Adriano.

Ele diz ainda que o controle de qualidade no beneficiamento da borracha tem resultados excelentes para o setor, com as indústrias que exigem bastante do processamento. “São especificações diferentes do produto para cada setor, dentro da indústria de pneus. E por isso temos que ter acompanhamento técnico, laboratório de análise do produto e uma série de planejamentos durante a safra da seringueira”, conclui Adriano. (CC)

Expectativas positivas

Em Bálsamo, o plantio de dois milhões de pés de seringueiras representa apenas 20% de todo o beneficiamento de borracha da usina Braslátex. Anualmente, a usina produz, em média, 28 mil toneladas de borracha natural. “Já atingimos a maior produção em processamento em uma única usina de borracha do País, pelo quarto ano consecutivo”, conta José Carlos Moreira, gerente de produção da empresa.

Nesta safra, que teve início no mês de outubro do ano passado, Moreira diz que as perspectivas são melhores do que a safra anterior, que só não teve melhor resultado por conta das adversidades climáticas da região. Ele explica que muitos produtores, fornecedores da borracha à usina, tiveram uma perda de produtividade entre 15% e 20% com as geadas que afetaram os seringais no ano passado.

O diretor comercial da Hevea-Tec, Percival Costa Júnior, também analisa os bons resultados com a safra de seringueira deste ano, que ainda tem colheita prevista até o mês de agosto. Na usina, localizada em Jaci, no ciclo anterior foram beneficiadas 22 mil toneladas de borracha, segundo Percival, uma produção que deve ser mantida neste ano.

Com as chuvas deste ano, que proporcionaram bons índices de reserva hídrica aos seringais, as expectativas com a produtividade nesta safra também são melhores na opinião de Renato Arantes, coordenador de vendas da usina NB Noroeste Borracha. Localizada em Urupês, a usina beneficiou 18 mil toneladas de borracha natural em 2021, com perspectiva de processar 20 mil toneladas nesta safra. (CC)

Produção de borracha na região Noroeste paulista: polo produtor de seringueiras e de beneficiamento do produto (Divulgação)

'Os serviços oferecidos ao setor, a logística e a manutenção da usina, tudo fica melhor quando está concentrado em uma mesma região, próxima ao campo' Adriano Júnior Sabino, produtor rural e proprietário de usina (Divulgação)

 
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