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TRIBUTO EM CORES E MEMÓRIA

Museu do Sol abre mostra com Jair Lemos e Thomaz Vita Neto em homenagem a Fuzinelli

Com curadoria de Beto Fernandes, mostra em Penápolis reúne acervo inédito de Fuzinelli e obras de dois ex-alunos e admiradores

por Salomão Boaventura
Publicado em 22/06/2026 às 20:36Atualizado em 23/06/2026 às 08:28
Jair Lemos, Orlando Fuzinelli e Thomaz Vita Neto durante exposição no Sesi no ano de 2019 (Renata Sarti/Arquivo Pessoal)
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Jair Lemos, Orlando Fuzinelli e Thomaz Vita Neto durante exposição no Sesi no ano de 2019 (Renata Sarti/Arquivo Pessoal)
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No cruzamento entre memória, formação artística e permanência de um estilo que se apoia na liberdade do traço, o Museu do Sol de Penápolis inaugura na próxima quinta-feira, dia 25, a exposição “Conexão Naïf – Tributo a Orlando Fuzinelli”, reunindo obras dos artistas Jair Lemos, de Mirassol, e Thomaz Vita Neto, de Rio Preto, em uma homenagem ao pintor rio-pretense morto em 2024 e considerado uma das referências locais da arte Naïf.

A mostra, com curadoria de Beto Fernandes, segue em cartaz até 31 de agosto, com entrada gratuita, e propõe um diálogo direto entre gerações e trajetórias marcadas pela influência de Orlando Fuzinelli, que, além de deixar um acervo reconhecido, também atuou como incentivador de novos artistas.

CONEXÃO

O eixo da exposição se sustenta justamente nessa relação de formação e continuidade: Jair Lemos e Thomaz Vita Neto foram estimulados por Fuzinelli a iniciar suas próprias pesquisas na pintura, e agora retornam esse vínculo em forma de obra e homenagem. A mostra também inclui um pequeno acervo de telas de Fuzinelli, cedido pela família.

Para o curador, a iniciativa corrige uma lacuna simbólica na trajetória do artista. “É uma dívida que temos para com Fuzinelli, esse artista tão respeitado e profícuo que, por motivos que desconheço, não pôde mostrar seu trabalho aqui”, disse o curador.

A ideia de “conexão” que dá nome à mostra se estende também à leitura do próprio acervo apresentado. Segundo Beto Fernandes, as obras dos dois artistas dialogam diretamente com a proposta do museu, que historicamente se dedica à preservação e difusão da arte Naïf no País.

“Em relação aos artistas expositores, a ideia de conexão também pode ser estendida ao próprio museu. A arte de Jair Lemos e Thomaz Vita se encaixa completamente na proposta do museu, conferindo estilo, autenticidade, contexto e vibração”, disse. “Jair Lemos apresenta telas repletas de cores puras e densas sobre temas que vão de folguedos e seus personagens a cenas rurais, resgates de acontecimentos históricos e meio ambiente. Thomaz Vita aparece com traços diretos e fundos pontilhados, porém definidos esteticamente, explorando o universo dos santos populares, o folclore e cenas rurais, conferindo harmonia ao conjunto”, completou.

CONTINUIDADE

Entre os artistas, o tom é de continuidade e reconhecimento. Para Jair Lemos, a arte se constrói na troca e na partilha de experiências. “Ao nos incentivar para a pintura, Fuzinelli nos proporcionou um desafio dos mais autênticos, que é, por meio da arte, expressar nossas experiências e compartilhar com o público os nossos sentimentos e o nosso modo de ver o mundo. E nada mais prazeroso que expor no Museu do Sol, espaço histórico que sempre foi farol da arte Naïf”, disse.

Já Thomaz Vita Neto destaca a simplicidade como elemento central da linguagem Naïf e como ponto de entrada para sua própria trajetória. “Foi isso que me encantou, a simplicidade dos traços e dos temas. E meu contato com Fuzinelli me levou a experimentar, sempre incentivado por ele, por quem tenho grande admiração como artista e pessoa. Hoje, dividindo esta homenagem com o Jair e o Beto, me sinto muito agradecido, e agradeço também à família do mestre, que cedeu parte do acervo”, disse Vita.

Serviço

A exposição “Conexão Naïf – Tributo a Orlando Fuzinelli”, dos artistas Jair Lemos e Thomaz Vita Neto, fica em cartaz de 25 de junho a 31 de agosto no Museu do Sol de Penápolis. A visitação acontece de segunda a sexta-feira, das 8h às 10h30 e das 13h às 16h. Agendamento para escolas no telefone: (18) 3652-0590. Entrada gratuita

Relevância histórica

A exposição acontece no Museu do Sol de Penápolis, instituição vinculada ao Museu Histórico e Pedagógico “Memorialista Gláucia Maria de Castilho Muçouçah Brandão”, reconhecida como um dos principais espaços dedicados à arte Naïf no mundo.

O acervo ultrapassa 400 obras de artistas nacionais e internacionais, reunindo pinturas, desenhos, gravuras, xilogravuras e esculturas de nomes relevantes do gênero. A instituição também se destaca por sua atuação educativa, com programas de arte-educação e ações de preservação patrimonial.

Criado originalmente em 1972 pela artista Iracema Arditi, o museu nasceu em São Paulo e foi posteriormente transferido para Penápolis em 1979, consolidando um movimento de descentralização da produção e circulação da arte no interior paulista.

Desde então, o espaço funciona sob gestão de uma fundação privada de interesse público e mantém uma programação que alterna exposições permanentes e temporárias. (SB)