SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | TERÇA-FEIRA, 26 DE OUTUBRO DE 2021
DIA NACIONAL DO TEATRO

No Dia Nacional do Teatro, dramaturgos analisam o papel da tecnologia em cena

Arte descobriu o meio virtual como ferramenta para aproximar o público

Rita Fernandes
Publicado em 18/09/2021 às 20:54Atualizado em 18/09/2021 às 20:56
Jorge Vermelho, da Cia Azul Celeste, diz que teatro é pautado na relação direta com o indivíduo (Divulgação)

Jorge Vermelho, da Cia Azul Celeste, diz que teatro é pautado na relação direta com o indivíduo (Divulgação)

A conexão com o público sempre foi a essência do teatro - até por isso esta manifestação artística tão antiga foi fundamental no período de isolamento em decorrência da pandemia de Covid-19. A adaptação das apresentações presenciais para o formato virtual foi um alento para muita gente nesse período de grande tristeza. Mas quais são os impactos dessa transformação? Hoje, Dia Nacional do Teatro, o Diário traz uma análise sobre o futuro desta arte milenar.

“O teatro tem seu nascedouro pautado no encontro, nas festividades, nos ritos sagrados e profanos, na relação direta e presencial com o indivíduo. É a arte da presença”, afirma o ator e diretor Jorge Vermelho, diretor da companhia teatral Azul Celeste e assessor especial da Secretaria Municipal de Cultura.

“O que sempre fez o teatro sobreviver a todos os adventos tecnológicos e temporais foi a mágica do ritual ao vivo, a presença do ator em cena, a força de uma comunhão com aquela plateia do dia, que nunca mais será repetida”, complementa Alexandre Melinsky, coordenador do curso Técnico em Teatro do Senac Rio Preto.

No entanto, com a pandemia essa comunhão ficou impossibilitada e o teatro se viu diante da necessidade de adaptação. “O teatro teria que fechar, mas seus artistas não, e, como são pessoas que sempre se reinventam, tiveram que usar a tecnologia para se aproximar do público pelo meio virtual, mas construído de uma maneira teatral, artesanal, que resolvemos ‘nomear’ de experimento”, pontua Melinsky.

Para Jorge Vermelho, no entanto, não se trata de uma reinvenção, mas uma adaptação. “Com a pandemia, é muito difícil elaborar que o teatro se reinventado. Na verdade, o que vimos, foi uma urgente adaptação, muito mais pela necessidade de sobrevivência e continuidade do trabalho do que pela reinvenção de uma linguagem. Mas é claro que esse movimento de adaptação implicará na descoberta de outros mecanismos que, inevitavelmente, o teatro irá absorver e incorporar.”

Jorge Vermelho destaca que, com o isolamento, houve a percepção que o virtual pode estar a serviço do teatro, não para substituí-lo, mas para ampliar o acesso. “A tecnologia, por meio das redes sociais, é muito mais rápida que o teatro e este fato deve provocar uma mudança nos procedimentos. A evolução para uma terceira via ainda irá demorar décadas, mas acredito que a paralisia e o desconforto causado pelo momento pandêmico também funcionou como um gatilho para o desenvolvimento de outras potencialidades”, observa.

Na opinião do dramaturgo e ator Fagner Rodrigues, diretor da Cia. Cênica, a tecnologia é uma realidade porque foi a ferramenta que aproximou as pessoas. O problema, diz, é a desigualdade social. “Assim como muitas pessoas nunca foram ao teatro, muitas não têm acesso à internet. Continuamos com uma lacuna.

Formato híbrido é tendência

Com a adaptação do teatro para o meio virtual, o formato híbrido é tendência. “A partir de agora os trabalhos vão nascer tanto em formato presencial como virtual”, afirma Fagner Rodrigues. “O meio virtual vai facilitar o compartilhamento de processos criativos. Antigamente a gente compartilhava o espetáculo pronto. Agora, vamos compartilhar os processos criativos”, afirma.

Quem concorda é atriz e produtora cultural Drica Sanches. “Essa migração para o online iria acontecer inevitavelmente nos próximos anos. A pandemia apenas antecipou esse novo formato, e isso vai persistir. Ficaremos cada vez mais no formato híbrido. O teatro vai transitar pelas duas linguagens”, diz.

 
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