SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEXTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 2022
TEATRO

FIT de Rio Preto retorna com 31 peças e participação de sete países

Com o tema 'Teatros do Presente', FIT volta à cena, após dois anos sem edição por causa da pandemia, com o propósito de demonstrar a importância da arte e cultura especialmente em tempos difíceis

Francine Moreno
Publicado em 30/06/2022 às 20:30Atualizado em 01/07/2022 às 08:56
O espetáculo ‘Jacksons do Pandeiro’, da companhia Barca dos Corações Partidos, do Rio de Janeiro, abre o festival no dia 21 de julho (Divulgação/Renato Mangolin)

O espetáculo ‘Jacksons do Pandeiro’, da companhia Barca dos Corações Partidos, do Rio de Janeiro, abre o festival no dia 21 de julho (Divulgação/Renato Mangolin)

Contemporâneo, democrático, provocativo, reflexivo e plural. Assim podemos definir o Festival Internacional de Teatro de Rio Preto 2022 (FIT), que chega a sua 21ª edição internacional e será realizado entre 21 e de 30 de julho. A programação desta edição foi divulgada nesta quinta-feira, 30, no teatro do Sesc, com a presença da coordenação do festival, autoridades, artistas e imprensa. Sete países estão representados no evento. Ao todo, 31 espetáculos, que exploram diferentes pesquisas de linguagem, irão ocupar 20 locais fechados e públicos da cidade.

Depois de um intervalo de dois anos sem o festival por causa da pandemia, o FIT Rio Preto retorna mais pulsante e necessário proporcionando o encontro entre as pessoas. Quem garante é a Prefeitura e o Sesc Rio Preto, que organizam o evento. O tema escolhido para este ano foi “Teatros do Presente”. Jorge Vermelho, coordenador executivo do festival, explica que o papel do teatro é discutir e refletir sobre o presente, mesmo que se utilize de uma obra antiga para rediscutir sobre o homem contemporâneo. “Por isso que o teatro é tão potente e tão vivo. E ele não vai morrer nunca.”

Como o festival prima pela experimentação de linguagem e difunde, especialmente, trabalhos que trazem elaborações estéticas rigorosas para os temas mais urgentes do tempo em que se inserem, os curadores Adriana Macedo, integrante da equipe da Gerência de Ação Cultural do Sesc São Paulo, Kil Abreu, jornalista e crítico teatral, e a atriz e diretora teatral Quitéria Kelly, sublinharam, entre tantos pontos, temas importantes, como respeito, origem, jogo de poder, homofobia, mulher, entre outros.

O público vai assistir, por exemplo, o drama de crianças africanas refugiadas em “Quando eu morrer, vou contar tudo a Deus”, do grupo O Bonde, de São Paulo. Tem ainda produção que resgata temas urgentes da existência humana com doses generosas de acidez e humor, como “Alegria de Náufragos”, do Ser Tão Teatro, de João Pessoa. Outros espetáculos exploram temáticas fortes. Um deles é o “Luiza Mahin… Eu ainda continuo aqui”, do Quintal das Artes - Cultura e Entretenimento, no Rio de Janeiro, que leva para o palco o genocídio da juventude negra no país a partir de relatos verídicos de mães de vítimas de violência policial.

Abertura

O premiado espetáculo “Jacksons do Pandeiro”, da companhia Barca dos Corações Partidos, do Rio de Janeiro, vai abrir o evento no anfiteatro Nelson Castro, na Represa Municipal, no dia 21 de julho, às 20h. Esta é a segunda vez que o grupo carioca abre as cortinas do festival. Em 2017, o espetáculo “Suassuna - O auto do reino do sol” abriu o FIT. No palco, “Jacksons do Pandeiro” faz uma homenagem ao cantor, compositor e multi-instrumentista paraibano Jackson do Pandeiro, que recebeu a alcunha de “Rei do Ritmo” por suas mais de 400 canções recheadas de gêneros como samba, forró, coco, baião e frevo.

Grade internacional

Chile, Colômbia, Peru, Espanha e Holanda, além de uma coprodução com Itália, compõem a grade internacional com produções que transitam em várias áreas do teatro. Uma das obras é “Camilo”, do grupo colombiano Teatro La Candelaria. A peça revisita a trajetória do padre revolucionário Camilo Torres Restrepo, pioneiro da Teologia da Libertação, sociólogo, professor universitário e guerrilheiro.

Retorno

Além da Barca dos Corações Partidos, outra companhia importante do teatro brasileiro e com história no festival retorna este ano. A Cia. Les Commediens Tropicales, de São Paulo, que esteve aqui com “(ver[ ]ter)”, retorna agora com a peça-show “Medusa in.conSerto”, produção feita em parceria com o Quarteto à Deriva. A atriz e fundadora do grupo Galpão, de Belo Horizonte, Teuda Bara revisita sua trajetória artística com o solo “Luta”. No entanto, ela já esteve no FIT com a peça "Romeu e Julieta", que abriu a programação do evento em 2012.

Expectativa

Thiago Freire, gerente do Sesc Rio Preto, afirma que existe uma grande expectativa em torno do festival após dois anos de hiato por causa da pandemia. “Nós percebemos, desde da Prefeitura, que é nossa parceira, da classe artística e do público que frequenta o Sesc, uma certa ansiedade pela realização desta edição do festival. E esta ansiedade se justifica por essa carência e necessidade do encontro de pessoas que o teatro proporciona. Temos grupo do país inteiro e de fora do Brasil com trabalhos qualificados e com suas pesquisas artísticas amadurecidas. Tudo isso junto, é algo muito animador.”

Destaque ainda para o espetáculo “Neste mundo louco, nesta noite brilhante”, do Grupo 3 de Teatro, de São Paulo, que é um desabafo perante a violência sofrida pelas mulheres no Brasil. Débora Falabella, conhecida por ter feito vários personagens marcantes na televisão e no cinema, integra o elenco junto com a atriz Yara de Novaes. Uma peça que deve chamar atenção do público é “Salto no Vazio – Si-pó”, performance de Odacy Oliveira que investiga as relações entre corpo e espaços naturais e urbanos.

Ingressos

Os ingressos do festival começam a ser vendidos no dia 8de julho, às 11h, no site do FIT Rio Preto (fitriopreto.com.br) e a partir das 17h em todas as unidades do Sesc de São Paulo e bilheteria do Complexo Swift. Informações e programação completa no site www.fitriopreto.com.br.

Cena local em destaque

Produções rio-pretenses também fazem parte da programação do FIT, integrando o Cena Rio Preto. Ao todo, cinco espetáculos foram selecionados no módulo que recebeu 26 inscrições. A lista é formada por "Virado à Paulista", da Cia Cênica, “[Histórias Encaixotadas] - Teatro Lambe-lambe”, da Varanda Teatro, “Corpomáquina”, da Robo.Art, “Vereda da Salvação”, da Cia. Beradeiro, e “Vermelhinhos”, da Companhia Hecatombe.

Cada grupo selecionado no Cena Rio Preto realizará, durante o festival, intercâmbio com profissional escolhido entre os participantes selecionados e/ou convidados nacionais e/ou internacionais do FIT, a fim de dialogar sobre temas decorrentes do processo de pesquisa de cada coletivo.

Homero Ferreira, que assina a dramaturgia de “Vermelhinhos”, releva a ansiedade em participar do FIT após dois anos de suspensão. “Eu costumo dizer que o FIT formou algumas gerações de artistas na cidade. Aqui, a gente tem uma demanda bastante alta de artistas que acontecem e aparecem, e o FIT sempre foi esse movimento de trazer e de possibilitar para a gente o contato direto com expressões artísticas que talvez a gente nunca tivesse oportunidade de alcançar ou estar perto. Ou seja, nós vimos, ao longo desses anos de FIT, espetáculos de vários lugares da Europa e América Latina que, talvez, a gente não tivesse possibilidade de ver e compartilhar daquilo. Eu penso que é uma importância total, fundamental, que o FIT seja uma semente que germine, de fato, a arte na cidade.” (com Salomão Boaventura)

Sinibaldi: protagonista

Humberto Sinibaldi Neto, fundador do FIT, junto com Dinorath do Valle e José Eduardo Vendramini, está feliz com a trajetória do festival. “O FIT é o filho que a gente criou, que a gente educou, que a gente encaminhou e que hoje está aí com 53 anos, forte, firme e fazendo todo o sucesso do mundo. É importantíssimo para Rio Preto e para todo o Brasil esse festival Internacional. Eu me sinto orgulhoso de ter podido, em 1969, ser um dos protagonistas da criação deste festival, juntamente com a Dinorath e o Vendramini. Esse trio que batalhou anos e anos para conseguir manter em pé e com credibilidade.”

Fazendo um paralelo entre o começo e agora, Sinibaldi Neto fala da importância do evento . “Naquela época, o mundo era outro, a visão de mundo era outra. Era muito difícil romper a barreira que mantinha o teatro com a população, o teatro com a comunidade e o teatro com o Brasil, porque era difícil fazer arte e a gente rompeu todos esses preconceitos e conseguimos fazer com que a sociedade abraçasse esse festival e, com isso, a gente ganhou credibilidade e o festival foi cada vez mais avançando, crescendo e se agigantando. E era uma época que era muito mais interativa, porque era uma época bem humana. Hoje eu acho ele maravilhoso, mas é mais vitrine do que praticamente o que era no começo.”  (com Salomão Boaventura)

Formação e diversão

O festival, mais uma vez, vai estimular o aperfeiçoamento do fazer e do pensar teatral por meio de 17 ações formativas e reflexivas, como encontros, mesas, rodas de conversa e intercâmbios, realizados em diferentes locais. A proposta da programação é promover a multiplicação das relações do teatro com a cidade, a partir de diferentes espaços de reflexão, construídos com base na premissa da fuga dos olhares estabelecidos, a fim de se reivindicar um pensar que critica e desconstrói verdades absolutas.

Celebração

O Graneleiro também será o ponto de encontro nas noites do festival, onde artistas e público poderão trocar ideias e acompanhar atrações de diferentes linguagens artísticas, em clima de celebração da vida e da diversidade após dois anos de distanciamento social.

Serão sete noites de programação, envolvendo 34 atrações artísticas, entre projetos audiovisuais, performances, shows e apresentações de DJs e VJs, além de também servir de palco para espetáculos da programação do festival. Entre os shows, a cantora Tulipa Ruiz revisitará sua carreira acompanhada do power trio Pipoco das Galáxias.

Cidade ocupada

O Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto, que está em reforma, não será palco do FIT. Além do Anfiteatro Nelson Castro, Teatro Municipal Paulo Moura, Teatro Municipal Nelson Castro, Casa de Cultura Dinorath do Valle, Teatro do Sesi, Teatro e ginásio do Sesc, o festival vai ocupar locais públicos de grande circulação, como Terminal Urbano, Shopping HB, Zoológico, Biblioteca Municipal Dr. Fernando Costa, Parque Ecológico Dr. Joaquim de Paula Ribeiro, além de algumas das principais praças da cidade. (FM)

FIT em números

  • 31 obras, sendo 15 com entrada gratuita
  • 65 apresentações, sendo 34 gratuitas
  • 7 países
  • 20 espaços
  • 394 artistas, seus produtores e técnicos
  • 34 atrações gratuitas no Graneleiro
  • 17 ações formativas gratuitas
 
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