LITERATURA EM ESTADO DE ENCONTRO

Reunindo múltiplas linguagens, ‘FrESTA’ divulga artistas selecionados para sua nova edição

Festival aposta na diversidade de linguagens e na força da produção independente em programação que reúne teatro, dança, música e literatura em diferentes espaços da cidade

por Salomão Boaventura
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
Dupla Lili Flor e Paulo Pixu, referência nacional da contação de histórias, faz a abertura do FrRESTA (J.P. Saraiva/Divulgação)
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Dupla Lili Flor e Paulo Pixu, referência nacional da contação de histórias, faz a abertura do FrRESTA (J.P. Saraiva/Divulgação)
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A ideia de literatura como algo restrito ao livro perde espaço na 5ª edição do FrESTA – Jornada Literária Apocalíptica, que transforma São José do Rio Preto em um território de narrativas vivas entre os dias 21 e 26 de abril. Com artistas de diferentes regiões do Estado e forte presença da produção local, o festival aposta na mistura de linguagens para propor um encontro entre palavra, corpo e cena.

A lista de selecionados foi divulgada pela Cia. Apocalíptica, responsável pela realização do evento, que ao longo dos anos vem consolidando o FrESTA como um espaço voltado à experimentação artística e à circulação de trabalhos fora dos grandes centros. A programação reúne ao menos 15 linguagens, entre literatura, teatro, dança e música, em atividades distribuídas por diversos pontos da cidade.

A programação completa está disponível no perfil oficial da companhia no Instagram (@cia.apocaliptica).

A abertura, no dia 21 de abril, às 17h, traz o espetáculo "Relicário de Histórias", com a dupla Lili Flor e Paulo Pixu, de São Paulo, reconhecida como uma das principais referências da contação de histórias no País. A escolha indica o tom da edição: narrativas que se constroem na oralidade e no encontro direto com o público.

Entre os destaques da programação está “Pela Estrada Afora…”, da Cia. da Casa Amarela, de Catanduva, inspirada na história de Chapeuzinho Vermelho, com apresentação marcada para o dia 25, às 17h. Também participam a contadora de histórias Camila Genaro, integrante da Academia Brasileira de Contadores de Histórias, e o grupo Poesias no Espaço, com o espetáculo “Mitos pelo Mundo”, que percorre narrativas de diferentes culturas, com ênfase na América Latina.

Outro nome presente é o grupo Yandê Transpará, de São Paulo, que leva ao festival um trabalho de cultura popular inspirado em danças típicas de Belém do Pará.

Produção local em evidência

A programação também abre espaço para artistas da cena de Rio Preto e região. O bailarino Jandé Nhandu Potyguara apresenta “O Chamado da Jandaia”, espetáculo de dança contemporânea orientado por Eduardo Fukushima.

Na literatura, o escritor Raul Marques realiza a intervenção “Dia Mundial do Livro com livro”, com distribuição e autógrafos de obras infantis em pontos de ônibus da Zona Norte. Já a multiartista Juá Jacarandá conduz o Clube do Livro Inclusivo no Instituto dos Cegos Trabalhadores e estreia o audiolivro “Éramos Felizes”, ampliando o acesso à leitura por meio de formatos acessíveis.

Literatura além da página

Segundo o diretor da Cia. Apocalíptica e curador do festival, Lawrence Garcia, a pluralidade das propostas foi um dos desafios desta edição.

“Esse ano foi o que deu mais trabalho para a curadoria devido a pluralidade das propostas, teremos um festival robusto com muitos artistas de referência em suas áreas, isso mostra o quanto o FrESTA vem se consolidando no circuito literário. Estamos animados para esta edição.”

A direção artística, assinada por Kiara Terra, reforça o papel do evento na valorização da produção cultural fora dos grandes centros.

“Ao longo desses cinco anos, o FrESTA vem se afirmando como um espaço que impulsiona a produção artística do interior, criando conexões com diferentes territórios e ampliando a circulação dessas criações. Nesse processo, o festival evidencia a força de uma literatura que atravessa linguagens e públicos, levando as histórias que nascem aqui para novos contextos.”