Diário da Região
ARTE NA RUA

Luciane D’Alessandro participa de manifesto artístico contra o feminicídio na Avenida Paulista

Artistas de Rio Preto é uma das participantes do Projeto Farol com duas obras centrais da intervenção: “Pare” e “Coração de Serpentes”. Seu trabalho integra o manifesto artístico que ocupa a Avenida Paulista no Dia Internacional da Mulher

por Dandara Caroline*
Publicado há 6 horasAtualizado há 2 horas
Luciane D’Alessandro ao lado das esculturas “Pare” e “Coração de Serpentes” (Divulgação)
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Luciane D’Alessandro ao lado das esculturas “Pare” e “Coração de Serpentes” (Divulgação)
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As esculturas “Pare” e “Coração de Serpentes” vão compor a paisagem da Avenida Paulista no próximo domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher. As obras integram o Projeto Farol, manifesto artístico e pacífico que reúne dez artistas em um alerta urgente contra o feminicídio, os abusos e a violência de gênero no Brasil. O manifesto acontece no vão livre do Masp.

Entre os participantes está a artista Luciane D’Alessandro, única representante de Rio Preto na ação. Ela foi convidada pela idealizadora do projeto, Vilma Kano, e pelo curador Oscar D’Ambrosio.

“Quando me explicaram a proposta, eu nem cogitei não participar. Como mulher e como artista, é uma obrigação usar meu direito de fala”, afirma Luciane.

O Projeto Farol ocupará todos os semáforos da Paulista, utilizando o espaço urbano como ferramenta de reflexão e denúncia. Das 12h às 16h, será realizado um experimento social para registrar a reação do público diante das obras espalhadas pela avenida. Às 16h, acontece um manifesto coletivo no vão do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), com as esculturas que permanecerem no local.

A obra “Pare” apresenta uma mão vermelha erguida em sinal de interrupção. No dedo médio, três serpentes se cruzam formando uma espécie de cruz. A cor vermelha representa o sangue e a urgência; o preto, o luto. No centro da palma, uma vassoura de piaçava faz referência tanto às mulheres perseguidas na Inquisição quanto à histórica desvalorização do trabalho feminino.

Já “Coração de Serpentes” traz duas serpentes que se encontram formando um coração. No centro, uma vassoura preta usada propositalmente desgastada e quebrada, simboliza dor, resistência e memória.

Inspiradas na figura mitológica de Medusa, vítima de violência e posteriormente transformada em monstro, as serpentes assumem um duplo significado: dor e resiliência.

“A mão já é o ‘pare’, né? Pare, pense, não faça. É um grito, um alerta. A gente quer o impacto do não cometer violência, o impacto do presente e da história para que isso vá acabando aos poucos”, afirma Luciane.

A artista destaca que a escolha da Paulista também carrega um peso simbólico.

“Não há lugar melhor do que a Paulista para esse tipo de exposição. É o espaço de maior visibilidade do país, onde acontecem os grandes protestos”, reforça.

Ao ocupar um dos principais eixos culturais e econômicos do Brasil, o Projeto Farol transforma o semáforo, símbolo cotidiano de controle e direção, em metáfora social. O vermelho não é apenas sinal de trânsito: é um pedido de interrupção da violência.

O manifesto também destaca que o enfrentamento à violência de gênero não é responsabilidade apenas das mulheres, mas de toda a sociedade. Entre os dez artistas participantes, há também um homem, reforçando que o combate à violência é coletivo.

Participam do projeto: Tinho Nomura, Waleska Nomura, Michele Micha, Déborah Grassmann, Elisa Murgel, Luciane D’Alessandro, Patrícia Amato, Marianne Déodat, Rebeca Ukstin e Vilma Kano.

Serviço

Local: Avenida Paulista – São Paulo

Data: 8 de março

Horário:

12h às 16h – Experimento social com registro da reação do público

16h – Manifesto coletivo no vão livre do MASP

* Estagiária sob a supervisão de Salomão Boavetura