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Projeto Afro Fest une arte e educação no combate ao racismo em Rio Preto

Festival, idealizado por Késsia Dias, realiza encerramento no dia 31 com oficinas, batalha de rimas, música e grafite

por Salomão Boaventura
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
Carol Cof durante Oficinas de danças urbanas no Afro Fest (Danilo Augusto/Divulgação)
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Carol Cof durante Oficinas de danças urbanas no Afro Fest (Danilo Augusto/Divulgação)
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A arte como ferramenta de enfrentamento, a periferia como palco e a cultura negra como centro da narrativa. É nesse cruzamento que o Afro Fest – Festival Itinerante constrói sua proposta em São José do Rio Preto.

Idealizado pela artista e produtora Késsia Dias, o projeto chega ao encerramento na próxima terça-feira, dia 31, com uma programação gratuita que reúne oficinas, apresentações e intervenções artísticas voltadas à valorização da identidade negra e ao combate ao racismo. A apresentação é voltada para crianças e famílias atendidas pelo Projeto Mundo Novo, sede céu.

Realizado ao longo de março, mês marcado pelo Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, o festival percorreu diferentes territórios periféricos da cidade com atividades culturais e formativas. A iniciativa nasce de uma trajetória pessoal e coletiva. “Como artista e pessoa negra, desenvolvo diversos projetos voltados ao combate ao racismo e à valorização da cultura negra há vários anos. A partir dessa trajetória, identifiquei a necessidade de ampliar esse movimento, criando espaços que também deem visibilidade e voz a outros artistas negros locais”, afirma Késsia.

A programação de encerramento, no dia 31, ocorre em dois períodos, às 8h e às 14h, com oficinas de danças urbanas conduzidas por Carol Cof, batalha de rimas com a Batalha do Braile, apresentação musical com DJ Bocka e intervenção de grafite com Wil Insano. As atividades são gratuitas e abertas ao público, com classificação livre.

Mais do que apresentações, o Afro Fest aposta na formação como eixo central. Ao longo do mês, o projeto ofereceu oficinas de percussão afro-diaspórica para crianças e adolescentes de escolas e instituições em regiões periféricas, propondo o fortalecimento da identidade cultural e o acesso à produção artística.

A proposta, segundo a idealizadora, é ampliar repertórios e oportunidades. “Promover a valorização da cultura negra local, fortalecer o protagonismo de artistas negros e contribuir efetivamente para o combate ao racismo por meio da arte e da formação principalmente para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade de territórios periféricos”, diz.

Esta é a primeira edição do festival, que já nasce com perspectivas de continuidade. “Sim, esta é a primeira edição. No entanto, já há projeções para sua ampliação, com a continuidade e o desenvolvimento de novas ações dentro da mesma proposta cultural”, afirma Késsia.

Com circulação por diferentes bairros e foco na descentralização cultural, o Afro Fest se insere em um movimento que busca não apenas ocupar espaços, mas redefinir quem fala, quem cria e quem é ouvido. No fim das contas, a arte faz o que sempre fez de melhor: abre caminho — e, às vezes, escancara portas que estavam fechadas há tempo demais.

O Projeto Afro Fest foi contemplado pela Lei Nelson Seixas 2025, da Secretaria de Cultura de Rio Preto.