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Kiko Dinucci e Aláfia criam discos inspirados em São Paulo

LANÇAMENTOS

por Harlen Felix
Publicado em 21/02/2017 às 11:40Atualizado em 19/01/2022 às 21:50
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A cidade de São Paulo serviu de cenário para dois ótimos lançamentos musicais deste início de 2017, os discos SP Não é Sopa, do coletivo Aláfia, e Cortes Curtos, do músico e compositor Kiko Dinucci. Explorando aspectos como a paisagem cinza, o movimento caótico das ruas e as desigualdades sociais, os dois trabalhos lançam um olhar crítico e contemporâneo sobre a terra da garoa.

Terceiro trabalho de estúdio do coletivo que tem as questões do negro no centro de suas criações, SP Não é Sopa é uma homenagem da Aláfia a diferentes bairros paulistanos. No entanto, essa homenagem também não deixa de ser uma reflexão sobre as mazelas sociais de uma das maiores metrópoles do mundo.

Em SP Não é Sopa, o coletivo paulistano mira em temas como a especulação imobiliária (Gentrificação), a marginalização (Liga nas de Cem) e a resistência cultural da periferia (Teu Mar Arde Meus Olhos). A ideia inicial da Aláfia era convidar outros artistas para 'cantar' os bairros paulistanos com os quais se identificam. Mas a big band acabou assumindo a missão para si.

Apesar de manter a pegada crítica do disco antecessor, Corpura (2015), SP Não é Sopa agrega novos elementos ao universo sonoro da Aláfia. Equanto que o segundo disco trazia referências do candomblé para o som jazzístico e funkeado do coletivo, são as batidas eletrônicas que norteiam as 11 faixas do novo trabalho.

Baixe o álbum Cortes Curtos

Primeiro trabalho solo da carreira de Kiko Dinucci, Cortes Curtos sintetiza toda a experiência adquirida pelo músico em 17 discos lançados com outros parceiros e com projetos como Passo Torto (com Rodrigo Campos, Rômulo Fróes e Marcelo Cabral) e Metá Metá (com Thiago França e Juçara Marçal), cujo trabalho mais recente, MM3, ficou em primeiro lugar na lista dos melhores discos de 2016 do Mochila Cultural.

O punk rock que marcou o ingresso de Dinucci no mundo da música se sobressai nas canções de Cortes Curtos, que passeia por diferentes aspectos e personagens da capital paulista. A sua guitarra se sobressai em todo o trabalho, em um volume que supera a sua voz e as de convidadas como Juçara Marçal, Tulipa Ruiz e Ná Ozzetti.

Concebido como um filme, Cortes Curtos reúne uma série de cenas, conflitos e personagens que povoam o cenário urbano de São Paulo. O título do trabalho faz referência a Short Cuts - Cenas da Vida (1993), do diretor norte-americano Robert Altman. O longa apresenta histórias distintas, baseadas nos contos do escritor Raymond Clevie Carver Jr., que retratam diferentes aspectos da Los Angeles da época.