Depeche Mode mantém a química perfeita em Spirit
LANÇAMENTO
O que esperar de uma banda que marcou uma época após quase quatro década de carreira? A resposta é muita coisa boa se essa banda for Depeche Mode, os caras que melhor souberam aproveitar à favor do rock o legado dos alemães do Kraftwerk, os pais da música eletrônica.
Com mais de 100 milhões de discos vendidos ao longo de 36 anos de carreira, o trio inglês cravou no peito de inúmeras gerações hits que são constatemente revisitados, fazendo de criações como Strangelove e Enjoy the Silence músicas difíceis de serem esquecidas.
Tudo bem que a trajetória do Depeche Mode é cheia de altos baixos, sendo marcada por repetições, mas também por reinvenções, como o soturno Delta Machine, de 2013. Mas não há como negar a grandiosidade de Dave Gahan, que, mesmo no auge da maturidade, consegue arrebatar os sentidos com sua voz futurística.
Em Spirit, 14º disco da carreira do Depeche Mode, a voz de Gahan embala versos que são muito oportunos para o momento político e social do mundo. E esse discurso engajado é o grande trunfo do disco, cuja turnê passará pelo Brasil em 2018, mais precisamente no dia 27 de março, no Allianz Park.
Em faixas como Going Backwards e Where's The Revolution, o single do disco, o trio inglês fala de intolerância, mortes em massa, opressão e aceitação. Mas também há um bloco dedicado ao amor, principalmente aos relacionamentos perdidos, como You Move e Cover Me.
Impecável no acabamento e revelando um Gahan que ainda bate um bolão com sua voz, Spirit não tem muita coisa de diferente da sonoridade impressa pelo Depeche Mode no mundo da música. Mas é o vigor da maturidade que promete fazer dele um dos melhores discos de 2017.