Escritora rio-pretense Angélica Cunha lança livro de contos
A obra foi produzida com recursos do Prêmio Nelson Seixas

Depois de lançar o e-book “Contos e a História daqueles Olhos”, no último mês de maio, a escritora rio-pretense Angélica M. Cunha conseguiu transformar essa obra on-line em livro físico por meio de recursos do Prêmio Nelson Seixas. Para marcar a ocasião, o evento de lançamento está marcado para esta quarta-feira, 23, às 19h, na livraria Empório Cultural, no Riopreto Shopping.
Nesta sua nova produção literária, Angélica traz três contos bastante originais. O primeiro, por exemplo, “Histórias de Necrotério”, fala um pouco sobre o universo do seu trabalho. Desde 2018, a escritora atua como atendente de necrotério policial, da Polícia Técnica Científica do Estado de São Paulo. “Bolei uma personagem contendo um complexo sombrio que imaginei poder existir em um homem que passou mais de cinquenta anos dentro de um necrotério, vivenciando casos de assassinatos, suicídios, acidentes mortais; imaginei como tudo isso poderia deformar a mente de um ser humano a ponto dele se transformar em um monstro, na verdade, um predador de mulheres”, diz a escritora.
“A Casa Rosa”, o segundo conto, se passa um pouco depois da abolição da escravatura e mostra a história de um homem negro, que morou em uma fazenda, foi criado no meio dos brancos ricos e enriqueceu graças a sua sagacidade. Dono de vários imóveis, ele criou uma rede de bordéis. A história é contada por esse homem durante a sua velhice. “É um tema para se pensar, pois, infelizmente, todos os dias as manchetes mostram os mesmos casos de preconceito e discriminação, mesmo sabendo que essa conduta é criminosa e indigna de voz na sociedade”, diz.
“O terceiro e último conto se chama ‘Dora e o Caso 9’ . É o relato de uma personagem que vive uma crise narcísica e se depara com a realidade de que ela terá que crescer, custe o que custar, mesmo que seu amadurecimento seja feito às custas da perda da onipotência da qual ela enxerga sua posição como sujeito em relação ao outro”, complementa Angélica.
A escritora conta que já está preparando um novo livro. “Estou produzindo um livro de contos que terá como título ‘43 Contos de Angélica M Cunha’. Espero poder lançá-lo no ano que vem, caso seja novamente classificado no prêmio de estímulo, em formato e-book e físico. Caso não seja, lançarei ele na plataforma Amazon. Mas uma coisa é certa, não pararei com a literatura porque ela me mantém viva e próxima da minha essência que é a de investigar a natureza humana, no que ela tem de mais belo ou feio, cruel ou caridoso, para quem sabe assim, possa chegar a mesma conclusão da que muitos filósofos chegaram, de que tudo que sei é que nada sei’, finaliza Angélica.
Paixão pela literatura
Este é o quarto livro que Angélica lança. Foi na adolescência que ela descobriu escritores como Dostoiévski, Machado de Assis, Tolstói e Rachel de Queiroz. Entusiasmada com a nova descoberta, passou a ler clássicos e escrever seus primeiros contos com 20 anos.
“Desde criança, tinha predileção na escola por livros de literatura, criar histórias mirabolantes, mas foi realmente aos 20 anos, após uma crise depressiva, que me aproximei de maneira definitiva dos livros. Nesse tempo, em vez de pensar em baladas, em namoros, eu queria mesmo era enamorar-me com os escritores clássicos e quanto mais eu lia, mais me identificava com a ideia de tornar-me escritora. Assisti a palestras de escritores no Sesc , na UNESP, me formei no curso de Letras e em 2006, quando surgiu a oportunidade de participar do Concurso Nelson Seixas, pois, de outra forma, não tinha recursos para publicar meu próprio livro. Enviei o projeto e fui classificada com o livro ‘Avessos da Vida’, que foi o primeiro”, recorda. (SB)