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O ROCK VIROU PAGODE

Grupo Nossa Teoria aposta em versões de Mamonas, Charlie Brown Jr. e NX Zero e conquista público em bares de Rio Preto

Grupo rio-pretense aposta em versões de clássicos do rock nacional para ampliar alcance nas plataformas digitais

por Salomão Boaventura
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Nossa Teoria regrava hits do rock nacional em ritmo de pagode e embala shows (Divulgação)
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Nossa Teoria regrava hits do rock nacional em ritmo de pagode e embala shows (Divulgação)
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O cavaquinho encontra a guitarra, o tantã divide espaço com refrões do rock dos anos 1990 e 2000, e o público canta junto como se estivesse diante de uma trilha sonora afetiva de várias gerações. Em bares de Rio Preto e cidades da região, o grupo Nossa Teoria vem apostando nessa mistura improvável entre pagode e rock nacional para conquistar plateias e ampliar espaço nos streamings. A fórmula, ao que tudo indica, tem funcionado: o medley com versões de músicas dos Mamonas Assassinas, Charlie Brown Jr. e NX Zero já virou um dos momentos mais pedidos dos shows da banda.

Formado por Netinho, Albano, Alef e Gio, o grupo surgiu durante a pandemia da Covid-19, período que dificultou apresentações e reduziu oportunidades para artistas iniciantes. Passada a fase mais crítica, a banda começou a ganhar espaço nos bares da região e hoje mantém uma agenda média de cerca de 20 apresentações por mês.

O crescimento acompanha um momento favorável ao pagode no País. Dados recentes do Spotify colocam o samba e o pagode como o segundo gênero musical mais ouvido da plataforma, atrás apenas do sertanejo. O avanço tem sido impulsionado tanto por novos nomes quanto pela força renovada de artistas já consolidados, como Dilsinho, Ferrugem, Thiaguinho e Péricles.

É nesse cenário que o Nossa Teoria tenta construir identidade própria. Além de músicas autorais, o grupo passou a investir em releituras de repertórios conhecidos de outros estilos musicais. O principal exemplo é o pot-pourri que reúne “Lá Vem o Alemão”, dos Mamonas Assassinas, “Papo Reto”, do Charlie Brown Jr., e “Razões e Emoções”, da NX Zero.

“Começamos a fazer essas mesclas com músicas conhecidas e essa diretamente ligada ao rock nacional agradou demais as pessoas que frequentam nossos shows, é sempre sucesso. Devemos aumentar esses ‘matches ups’, até porque é uma forma de homenagear bandas como os Mamonas Assassinas, que coincidentemente partiram há exatos 30 anos (1996-2026).”, comenta o vocalista Netinho.

O grupo também lançou recentemente a música autoral “Eu Me Perco Todo”, composição de Tiago Marcelo, conhecido por trabalhos gravados por duplas sertanejas como Henrique & Juliano e artistas como Michel Teló. A faixa ganhou clipe no YouTube e passou a integrar a estratégia digital da banda.

Apesar da agenda intensa de apresentações, os integrantes ainda conciliam a música com outras profissões. A renda principal da banda continua vindo dos shows em bares e eventos da região, enquanto as plataformas digitais aparecem como aposta para ampliar o alcance do projeto.

Nos últimos meses, o grupo também passou a investir com mais regularidade em redes sociais, canais de divulgação e plataformas de streaming, numa tentativa de transformar a repercussão regional em audiência online. Entre algoritmos, versões nostálgicas e rodas de pagode, o Nossa Teoria tenta encontrar um caminho próprio num mercado cada vez mais competitivo — e cada vez mais aberto às misturas improváveis.