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Festival de Teatro de Rio Preto fecha seleção após analisar 401 propostas

Recorte da edição aponta diversidade de formatos e diálogo com questões globais: programação será anunciada em junho

por Salomão Boaventura
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
Equipe de curadoria do FIT aposta na pluralidade de múltiplas linguagens cênicas (Divulgação)
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Equipe de curadoria do FIT aposta na pluralidade de múltiplas linguagens cênicas (Divulgação)
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O Festival Internacional de Teatro (FIT) de Rio Preto concluiu a curadoria da edição de 2026 após analisar 401 propostas vindas de diferentes regiões do Brasil e do exterior. Ainda sem divulgar a programação completa, o evento antecipa um recorte marcado pela diversidade estética, pela descentralização e pela presença de temas que atravessam o debate contemporâneo nas artes cênicas.

A seleção foi conduzida pelos curadores Lucélia Sérgio, Luiz Bertipaglia, Adriane Gomes, Priscila Modanesi e Adriana Macedo, sob coordenação artística de Dênis Salzano e Lawrence Garcia. O processo combinou análises individuais com discussões coletivas e revisões, em um formato mais enxuto — estratégia que, segundo a organização, garantiu agilidade sem comprometer a pluralidade de perspectivas.

“Um processo de curadoria como esse, com uma quantidade grande de projetos e propostas diversificadas, permite um grande panorama, principalmente da produção de teatro nacional. Penso que conseguimos ter um panorama bastante interessante do que vem sendo feito”, afirma Luiz Bertipaglia.

Temas contemporâneos

Entre os eixos recorrentes identificados na seleção estão relações familiares, deslocamentos, migração e diferentes formas de violência, presentes tanto em produções nacionais quanto internacionais. A leitura curatorial aponta para uma convergência de preocupações entre artistas de diferentes origens, sugerindo um diálogo que ultrapassa fronteiras.

“Os espetáculos acompanham essa inquietação mundial, que também é nossa. As produções estão em consonância com o que está acontecendo com as pessoas e com o mundo”, explica Adriane Gomes.

Diversidade de formatos

A variedade também aparece nas linguagens. A curadoria reúne desde montagens mais tradicionais até propostas híbridas, que cruzam teatro, dança, performance e circo, além de trabalhos concebidos para espaços não convencionais. A proposta é ampliar as possibilidades de ocupação urbana e aproximar o público de diferentes experiências cênicas.

No eixo internacional, a seleção foi construída a partir de pesquisas de campo, circulação em festivais e indicações de profissionais da área, compondo um panorama que busca dialogar com a produção brasileira e com dinâmicas globais.

“Buscamos também sair um pouco do olhar eurocentrado. Recebemos propostas de regiões menos comuns, o que amplia a programação e representa uma oportunidade para a cidade”, explicou Adriana Macedo.

Próximos passos

Com a curadoria finalizada, o FIT avança agora para a consolidação da programação, que será apresentada no lançamento oficial da edição de 2026, previsto para junho. Na ocasião, também serão divulgadas as datas e os detalhes do evento.

“A intenção é que o festival impacte, seja múltiplo, alcance diferentes públicos e mantenha esse afeto que é fundamental para o teatro”, conclui Lucélia Sérgio.