Exposição na Faceres apresenta médicas e cientistas que marcaram a história
Mostra reúne 18 médicas e cientistas e propõe reflexão sobre o avanço feminino na área da saúde

No saguão da Faculdade de Medicina Faceres, uma exposição convida o público a percorrer histórias que ajudaram a redefinir os rumos da ciência e da saúde — trajetórias de mulheres que, entre laboratórios, hospitais e contextos adversos, transformaram a Medicina e abriram caminhos para as gerações seguintes.
A mostra reúne 18 médicas e cientistas, sendo cinco brasileiras e 13 internacionais, com contribuições que impactaram áreas como genética, saúde pública, cirurgia e infectologia. Intitulada “Mulheres na Medicina”, a exposição propõe uma reflexão sobre o avanço da presença feminina em um campo historicamente dominado por homens — cenário que, hoje, começa a se inverter, com mulheres já sendo maioria entre os estudantes de medicina no Brasil.
A curadoria é assinada pelo professor Araré Carvalho, pelas coordenadoras do curso de Medicina da Faceres, as médicas Mariana Morgan e Daiane Cassaro, e pelo professor Gabriel Dumbra, em parceria com acadêmicos do Núcleo Acadêmico Cultural.
Entre os destaques nacionais está a bióloga Tatiana Sampaio, pesquisadora da UFRJ reconhecida pelo desenvolvimento da polilaminina, substância derivada da placenta que estimula a regeneração de neurônios e abre novas perspectivas para o tratamento de lesões medulares. Também integram a mostra nomes como a psiquiatra Nise da Silveira, pioneira na humanização da saúde mental com o uso da arte; a pediatra Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança; a geneticista Mayana Zatz, referência em doenças neuromusculares; e a pneumologista Margareth Dalcolmo, com atuação relevante em doenças respiratórias.
No cenário internacional, a exposição reúne cientistas que marcaram a história da medicina, como Gerty Cori e Rita Levi-Montalcini, ambas laureadas com o Prêmio Nobel; Tu Youyou, responsável pela descoberta de um tratamento eficaz contra a malária; Virginia Apgar, criadora do método de avaliação neonatal; e Patricia Bath, pioneira no uso de laser para tratamento de catarata.
A mostra também destaca trajetórias com forte impacto social, como a da médica somali Hawa Abdi, que criou um hospital em meio a conflitos, e da médica indígena norte-americana Susan La Flesche Picotte, dedicada à saúde de comunidades nativas.
Para a coordenação do curso de Medicina da Faceres, a iniciativa reforça o papel das mulheres na construção de uma medicina mais humana e inclusiva. “A presença feminina na medicina é resultado de competência, dedicação e superação de barreiras. Esse avanço amplia perspectivas de cuidado, ensino e compromisso social”, afirma a coordenadora Mariana Morgan.
Segundo Daiane Cassaro, o ambiente acadêmico é essencial nesse processo. “Reconhecer o papel das mulheres é fortalecer valores como respeito, equidade e excelência na formação médica”, destaca.
Aberta ao público, a exposição convida visitantes a revisitar o passado e observar, com mais nitidez, o presente — um momento em que o protagonismo feminino na Medicina deixa de ser exceção e passa a redesenhar o futuro da área.