'Eu Só Quero Dançar com Você': curta de Rio Preto celebra protagonismo negro e diversidade nas festas juninas
Produzido com jovens do Centro de Convivência da Juventude, o filme aborda LGBTQIAPN+, representatividade feminina e o impacto cultural da tradição junina, destacando o protagonismo de Ana Lú, adolescente negra que descobre o amor e a coragem

Com estreia prevista para março, o curta-metragem “Eu Só Quero Dançar com Você” traz à cena temas como protagonismo negro feminino, diversidade LGBTQIAPN+ e a tradição das festas juninas. Produzido em Rio Preto, o filme também abre espaço para jovens do Centro de Convivência da Juventude (CCJ), que participaram do elenco e das gravações.
A produção faz parte do movimento recente do cinema rio-pretense, impulsionado por leis e editais de incentivo à cultura. O projeto foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) de 2024 e busca trazer representatividade tanto na história quanto na equipe criativa.
O enredo acompanha Ana Lú, uma adolescente negra que participa da festa junina do colégio e vê surgir a oportunidade de dançar a quadrilha com Laura, menina por quem nutre sentimentos. Entre inseguranças típicas da adolescência e o medo da rejeição, ela reúne coragem para se declarar durante a dança, descobrindo que o sentimento é correspondido.
A diretora Viviane Freitas explica que o protagonismo negro e feminino foi uma escolha consciente da produção. “Historicamente o cinema brasileiro muitas vezes coloca mulheres negras à margem das narrativas. Colocar uma mulher negra no centro da história é afirmar que ela também é importante. Ana Lú não é símbolo, ela é pessoa”, afirma.
Para além da temática, o filme também teve impacto direto na formação de jovens artistas da cidade. O Centro de Convivência da Juventude de Rio Preto foi utilizado como locação das gravações e alunos do curso de teatro participaram de uma audição para integrar o elenco. Dois jovens foram selecionados e receberam seu primeiro cachê como atores, enquanto outros participaram como figurantes. “Eles tiveram que organizar e enviar portfólio e fazer teste gravado. Acredito que tenha sido uma experiência bastante enriquecedora”, conta Viviane.
A roteirista e diretora Vanessa Freitas destaca que a intenção também foi construir uma personagem com quem diferentes mulheres possam se identificar. “É muito importante que Ana Lú represente a menina negra. Quando a gente se entende como sujeito racializado, também lutamos para sermos vistos como indivíduos. Ela é uma adolescente comum, mas cheia de expectativas e coragem”, explica.
A primeira exibição do curta aconteceu em sessão especial no CCJ para os jovens atendidos pelo projeto. O evento oficial de pré-lançamento está marcado para 28 de março, na Casa Nuvem, com programação que inclui a exibição do filme, música e outras atrações.
Estagiária sob supervisão de Salomão Boaventura