CIDADE EM ESTADO DE DANÇA

Espetáculo ‘Palavris’ propõe experiência cênica sobre existência e permanência em Rio Preto

Performance do Coletivo Lima articula dança e dramaturgia para refletir sobre existência e permanência na cidade

por Salomão Boaventura
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Inspirado em “João do Rio”, espetáculo propõe um olhar sobre corpos dissidentes e seus modos de ocupar o espaço urbano (GG One Bergamo/Divulgação)
Galeria
Inspirado em “João do Rio”, espetáculo propõe um olhar sobre corpos dissidentes e seus modos de ocupar o espaço urbano (GG One Bergamo/Divulgação)
Ouvir matéria

A cidade como palco, o corpo como linguagem e a permanência como gesto político. É nesse cruzamento que o espetáculo "Palavris" se constrói, convidando o público a uma experiência cênica que articula dança, palavra e espaço urbano em uma reflexão sobre existência e resistência. A apresentação acontece na sexta-feira, 20, às 20h, no Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto, com entrada gratuita, como parte da programação dos 174 anos de São José do Rio Preto.

Com direção coreográfica, direção de movimento e dramaturgia de David Balt, o elenco é formado por Jussara Demiranda, Badtrip, Fábio Sposito, Murilo Hebeler, Elisa Jorge, Du Alma e Love Gama.

Produzida pelo Coletivo Lima, a performance tem origem no espaço Casa Nuvem, concebido como território de encontro e investigação artística. Foi ali que o processo criativo começou a ganhar forma, a partir de experimentações que colocam o corpo em diálogo direto com a palavra e com a cidade.

Inspirado no poema “Eu Amo a Rua”, de João do Rio, o trabalho se desenvolve a partir da relação entre linguagem e presença. Em cena, corpos LGBTQIAPN+ constroem uma dramaturgia que atravessa questões ligadas à vivência urbana e às possibilidades de permanência em contextos marcados pela vulnerabilidade.

A obra se estrutura como provocação: o que distingue aqueles que habitam a rua dos demais corpos sociais? E o que sustenta o desejo de existir diante da negação cotidiana? Sem oferecer respostas fáceis, "Palavris" tensiona essas perguntas por meio de uma encenação que alterna contenção e intensidade.

Ao abordar temas como liberdade, resistência e sobrevivência, o espetáculo afirma a arte como espaço de enunciação frente às ausências e silenciamentos. Mais do que representar, a montagem propõe um estado de presença — um corpo que insiste, que ocupa e que transforma.