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ONDE O AMOR INSISTE

Espetáculo ‘Aqui, Ainda’ é apresentado no Sesc Rio Preto na quinta, 7, com entrada gratuita

Mayk Ricardo, Carol Cof e Anna Magalhães estreiam espetáculo, parte de trilogia, que discute amor, afeto e relações que perpassam corpos negros

por Salomão Boaventura
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Mayk Ricardo e Carol Cof apresentam ‘Aqui, Ainda’, um dueto sobre afeto e corpos negros (Edgar Machado/Divulgação)
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Mayk Ricardo e Carol Cof apresentam ‘Aqui, Ainda’, um dueto sobre afeto e corpos negros (Edgar Machado/Divulgação)
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O amor, como gesto de permanência, ética e estratégia de sobrevivência, atravessa “Aqui, Ainda”, dueto de dança que estreia nesta quinta-feira, 7, às 20h, no Sesc Rio Preto. Com entrada gratuita, o espetáculo coloca em cena Mayk Ricardo e Carol Cof em um encontro que tensiona afeto, tempo e violência cotidiana.

A montagem propõe uma reflexão sobre o amor como força que sustenta existências negras e projeta futuros possíveis. De mãos dadas, os intérpretes atravessam o caos, a incomunicabilidade e a aceleração do mundo contemporâneo, reafirmando a escuta e a presença como formas de resistência. Em cena, cada gesto se constrói como permanência; cada toque, como cuidado.

Com direção artística e coreográfica de Mayk Ricardo, que assina a criação ao lado de Carol Cof, o trabalho conta ainda com colaboração dramatúrgica de Anna Claudia Magalhães. “Como no kintsugi, técnica japonesa de reparar cerâmicas com ouro, o trabalho assume suas fissuras como parte da beleza e da história”, diz Mayk.

“Em cena, o amor se torna movimento, o afeto vira linguagem e a permanência, um ato de resistência — uma espécie de kintsugi afetivo, em que as cicatrizes brilham como marcas da vida que insiste”, comenta.

O espaço cênico reforça essa travessia com elementos como papel laminado, que cria uma ambiência mutante, ora festiva, ora caótica. A iluminação, em tons de azul e vermelho, pulsa como um coração, enquanto a trilha sonora — parcialmente composta ao vivo pelos bailarinos — transforma ruídos e cacofonias em música.

“Aqui, Ainda” é a segunda parte da Trilogia Afetos Negros, iniciada com o solo “TENHA CUIDADO! É o meu coração” (2024), em que Mayk Ricardo investiga o amor como resposta às violências que atravessam o cotidiano de pessoas pretas.

Vivência e laboratório

No mesmo dia da apresentação, às 14h, o público pode acompanhar os bastidores do processo criativo em uma vivência conduzida por Andrea Capelli, atriz, bailarina e coreógrafa. A atividade é gratuita.

Ao longo de maio, o artista também conduz o laboratório investigativo em dança contemporânea “Habitar o Encontro: lugares possíveis para descansar”, com inscrições abertas a partir de quarta, 6, às 14h. Informações sobre o laboratório estão no site do Sesc. Os valores para participar do laboratório são de R$ 5 (credencial plena), R$ 7,50 (meia), R$ 15 (inteira).

As atividades começam no dia 13, com encontros às quartas, das 19h30 às 21h30, ministrados por Mayk Ricardo. Aos fins de semana, o programa recebe artistas convidadas: Pâmela Ramos propõe, nos dias 16 e 17, uma investigação sobre pertencimento e direito ao descanso, enquanto Inaê Moreira conduz, nos dias 23 e 24, uma imersão que aproxima corpo e natureza a partir de referências das cosmopercepções Yorubás e Bantu.

A proposta do laboratório é tratar o descanso, a alegria e a festa como práticas políticas e coletivas de cuidado, acionando a dança e a performance como espaços de escuta e invenção.