Escritor radicado em Londres transforma luto pela mãe em livro
Em “Amor de mãe, amor de filho, além da vida”, Valter dos Santos revisita a infância em Rio Preto para narrar uma história sobre perda, memória e reconstrução emocional

O escritor Valter dos Santos, autor de obras que já ultrapassaram 150 mil exemplares vendidos no exterior, lança em maio o livro “Amor de mãe, amor de filho, além da vida”, uma narrativa baseada em experiências pessoais que aborda luto, espiritualidade e reconstrução emocional.
Nascido na Mooca, em São Paulo, e criado em Rio Preto, o autor utiliza a cidade do interior paulista como cenário da obra. Apesar de viver atualmente em Londres, ele mantém uma relação direta com o município, onde construiu parte significativa de sua trajetória.
“Costumo dizer que eu posso até ter nascido em outro lugar… mas o meu coração sempre foi, e sempre será, rio-pretense. É como se cada rua, cada esquina da cidade carregasse um pedaço da minha história”, conta.
O livro é estruturado a partir de duas perspectivas de narrativas: a de Lúcia, que descreve sua chegada ao plano espiritual, e a de seu filho, que enfrenta a perda da mãe ainda na infância. A proposta é conduzir o leitor por uma jornada que articula dor, memória e continuidade.
Valter perdeu a mãe aos oito anos, experiência que se torna o eixo central da obra. “Essa história não nasceu de um impulso… ela foi sentida por anos. Durante muito tempo, eu carreguei dentro de mim a vontade de contar o que é perder uma mãe ainda criança… o silêncio que fica, o vazio que ninguém vê.”
Ao falar sobre o processo de escrita, o autor destaca o envolvimento emocional durante a produção do livro. “Eu chorei muitas vezes escrevendo esse livro. Chorei ao revisitar momentos da minha infância… momentos de dor, de solidão, de sentir que o amor tinha me sido tirado cedo demais. Houve períodos em que eu me senti perdido, vazio… como se faltasse algo essencial dentro de mim. Mas, ao mesmo tempo, havia algo maior me guiando. A fé. Foi ela que me lembrou, página após página, que mesmo nos momentos mais escuros… eu nunca estive sozinho.”
A narrativa também resgata personagens da história familiar do autor, como o avô conhecido em Rio Preto como “Seu Joaquim”, descrito como o “ceguinho que consertava fogão”. Mesmo sem enxergar, ele percorria sozinho a cidade para atender clientes, conquistando o respeito da comunidade. Sua trajetória foi tema de reportagem exibida pelo SPTV.
Sem se limitar ao relato autobiográfico, o livro se propõe a dialogar com leitores que enfrentam perdas. “Que o amor não acaba. Que a ausência física não significa fim. Que, mesmo depois da perda, ainda existe ligação, cuidado e presença mesmo que a gente não consiga ver. Se esse livro conseguir abraçar uma única pessoa que esteja sofrendo… já terá cumprido tudo aquilo para o qual ele nasceu.”
A obra já está em pré-venda na Amazon e tem lançamento previsto para o início de maio no Brasil. A expectativa é que o título também chegue ao mercado europeu e à América Latina.
* Estagiária sob a supervisão de Salomão Boaventura