Entre viagens e memórias
Exposição de Eloisa Mattos reúne cenas de países como Líbano, Catar e Portugal, além de retratar com sensibilidade a alma rio-pretense

Com alma de viajante e olhar de cronista visual, Eloisa Mattos transforma memórias em imagens e trajetos em poesia na exposição “Mundos e Caminhos”, que entra em cartaz a partir deste sábado, 9, até o dia 3 de outubro no Espaço Cultural B.Arts, em Rio Preto.
Reconhecida por sua trajetória de mais de duas décadas no jornalismo, colunismo social e fotografia, Eloisa convida o público a embarcar por cenários de Portugal, França, Líbano, Catar e tantos outros destinos — inclusive o mais íntimo e afetivo deles: Rio Preto, sua cidade natal.
São 64 fotografias que revelam não somente paisagens, mas também histórias, encontros e sentimentos colhidos mundo afora. A Central de Negócios da Bild Desenvolvimento Imobiliário fica na rua Rio Preto, 3232,Redentora. A vernissagem acontece na terça, dia 12, às 19 horas.
A EXPOSIÇÃO
“Mundos e Caminhos” propõe uma travessia sensível entre culturas e geografias distintas. Há o contraste futurista de Dubai, a vibração intensa do Líbano, o entardecer sereno à beira do Sena e a imponente Catedral de Notre-Dame antes do incêndio. As praias portuguesas ganham luz própria sob a lente de Eloisa — a mesma lente que, ao voltar-se para Rio Preto, revela ângulos inéditos de um lugar familiar.
“Um dos pontos altos é a coleção exclusiva dedicada à minha cidade, com orgulho eu retrato paisagens urbanas, pontos históricos e cenas do cotidiano que revelam a alma rio-pretense. Um convite para olhar com novos olhos a cidade que se transforma diariamente”, comenta.
Entre as viagens internacionais, a ida ao Líbano – em julho do ano passado – está entre as mais marcantes.
“É muito emocionante, porque eu fui no Líbano o ano passado. Infelizmente, não pude visitar todos os lugares, porque já estavam fechados, tinha até tanques de guerra nas ruas, pois eles já estavam todos em alerta. Tem coisa que registrei no Líbano que nem existe mais, por conta da guerra. Tudo o que fiz foi muito corrido, com pouco tempo”, conta.
O acaso também virou parte da narrativa visual. Uma mudança repentina de rota rendeu imagens inéditas de Doha, capital do Catar. “Como nós perdemos a conexão para São Paulo, nos deixaram no Catar. Então, nessa ocasião, fiquei dois dias em Doha e aproveitei para fotografar a cidade. Foi uma viagem dentro da outra, foi algo inesperado”, completa.
CURADORIA
Para Eloisa, o processo de escolha das fotos com Newton Malvezzi foi intenso e desafiador. “Eu devo ter umas dez mil fotos. Você não tem noção, para selecionar foi bem difícil, mas o Newton tem esse olhar da expografia que eu não tenho, sabe? Porque, para mim, todas as fotos são lindas, eu quero por expor todas, né? (risos)”, diz.
“O Newton tem o olhar da escolha. Então, ajudou muito nessa hora de escolher. Ele dizia ‘Elo, essa daqui dá para ver a cidade, o rio, dá para contar mais histórias nas fotos’. Então, é possível viajar por meio da exposição e conhecer um pouco de cada país através das minhas lentes”, conclui Eloisa Mattos.
Espaço pioneiro
O Espaço Cultural B. Art, inaugurado em 2023, é uma realização da Bild Desenvolvimento Imobiliário com curadoria de Newton Malvezzi. O espaço promove exposições periódicas, preferencialmente com artistas plásticos de Rio Preto e região.
Desde sua abertura, dez exposições foram realizadas, com participação de 14 artistas. “Buscamos oferecer à população uma programação diversificada e contínua, valorizando os artistas locais e fortalecendo a arte e a cultura na cidade”, pontua João Paulo Penteado, diretor da Bild em Rio Preto.
REFERÊNCIA
Para Newton Malvezzi, o pioneirismo do B.Arts em Rio Preto transformou o espaço em referência para novas galerias. “Esse espaço, criado pela iniciativa privada, é um tipo de economia criativa que contribui com todos os envolvidos, a cidade, a construtora e os artistas”, afirma.
Segundo ele, o espaço recebe uma nova exposição a cada oito semanas, totalizando 10 mostras. “É um espaço democrático para qualquer tipo de arte. Ainda não tivemos a oportunidade de receber uma arte musical, literária ou cênica, mas considero um espaço liberado para todas essas situações”, comenta. (SB)