Maria Kassis apresenta a exposição 'Arte que habita espaços' em Rio Preto
Exposição é na Casa de Cultura Dinorath do Valle, com 20 obras que exploram emoções e memórias

Entre a delicadeza de um traço e a intensidade de uma emoção, a artista plástica Maria Kassis construiu uma trajetória em que a arte funciona como linguagem para sentimentos difíceis de traduzir em palavras. Essa relação íntima com a criação ganha espaço na exposição “Arte que habita espaços”, aberta ao público na Casa de Cultura Dinorath do Valle, em Rio Preto.
Com curadoria de Elisa Taparo, a mostra reúne 20 obras e convida os visitantes a uma experiência contemplativa, marcada por diferentes técnicas, atmosferas e narrativas visuais.
VERSATILIDADE
Com visitação até 15 de junho, a exposição evidencia a versatilidade da artista, que utiliza óleo, grafite, pastel e lápis de cor para construir trabalhos que transitam entre o figurativo e o simbólico. Mais do que recursos estéticos, as técnicas assumem papel fundamental na construção das emoções presentes em cada obra.
Autodidata, Maria desenvolveu ao longo dos anos uma produção marcada pela expressividade e pela atenção aos detalhes. Segundo a artista, a escolha da técnica acontece após o surgimento da imagem que pretende retratar, em um processo intuitivo no qual óleo, grafite, pastel ou lápis de cor são definidos de acordo com as necessidades de cada obra.
Em suas composições, personagens e cenas surgem em momentos de introspecção, criando uma sensação de proximidade com o observador.
A carga emocional aparece como um dos elementos centrais da mostra. Em algumas obras, o espectador encontra sinais de dor, angústia e vulnerabilidade. Em outras, surgem imagens que remetem à esperança, à superação e à leveza.
INTENSIDADE
Entre os trabalhos mais marcantes está uma representação de Jesus Cristo, que a artista aponta como a obra mais difícil de sua trajetória recente. Segundo ela, a intensidade emocional do tema provocou momentos de choro durante a execução e até reflexões durante a madrugada. Ao final, um detalhe que considerou equivocado foi mantido na composição, tornando-se parte da história da própria obra.
Esse contraste pode ser percebido em outros trabalhos, como a pintura de uma bailarina nos bastidores, executada em óleo, que retrata a expectativa dos instantes que antecedem a entrada em cena. Em outro extremo está o retrato de uma mãe em sofrimento, produzido em lápis de cor, no qual a delicadeza do desenho amplia a força da emoção representada.
“Com cada obra eu vivencio uma relação de entrega, de diálogo, cujos sentimentos são traduzidos em traços e cores”, afirma a artista.
Ao selecionar as obras da exposição, Maria afirma que não buscou construir uma narrativa específica para agradar visitantes. A produção apresentada reflete momentos pessoais e emoções vividas ao longo de sua trajetória, característica que, segundo ela, acompanha todo o seu processo criativo. “Eu nunca fiz uma pintura pensando no público. Eu faço para mim”, ressalta.
Mais do que ocupar paredes e ambientes, as obras buscam estabelecer uma presença. As imagens criam atmosferas silenciosas que convidam o visitante a desacelerar o ritmo cotidiano e dedicar tempo à observação. “Gosto de pensar que minhas obras encontram quem precisa delas”, diz Maria Kassis.
A exposição propõe um encontro entre artista, obra e público e, em vez de respostas prontas, os trabalhos apresentam possibilidades de leitura, estimulando reflexões particulares e diferentes conexões afetivas.