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CENA CAIPIRA

Mostra gratuita celebra repertório da Cia Arte das Águas, em Ibirá

Mostra teatral inspirada na cultura do interior paulista e debates sobre diversidade, educação e saúde mental ocupam a sede da companhia teatral

por Salomão Boaventura
Publicado em 15/06/2026 às 21:00Atualizado em 16/06/2026 às 09:12
A trajetória de Amácio Mazzaropi inspira um dos espetáculos da mostra promovida pela Cia Arte das Águas em Ibirá (Estevam Collar/Divulgação)
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A trajetória de Amácio Mazzaropi inspira um dos espetáculos da mostra promovida pela Cia Arte das Águas em Ibirá (Estevam Collar/Divulgação)
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Espetáculos que celebram a cultura caipira, homenageiam personagens do imaginário popular e abordam temas contemporâneos compõem a mostra de repertório que a Cia Arte das Águas realiza até sexta-feira, 19, em sua sede, no Jardim Bella Vista 1, em Ibirá.

A programação gratuita reúne apresentações teatrais, exibição de filme, palestras e rodas de conversa na sede da companhia, transformando o espaço em um ponto de encontro entre arte e reflexão.

Ao todo, serão seis sessões de cinco espetáculos produzidos pelo grupo ao longo de sua trajetória. As montagens dialogam com o universo do interior paulista, marca recorrente do trabalho desenvolvido pela companhia, e incluem desde musicais voltados ao público infantil até homenagens a figuras como Amácio Mazzaropi.

Além das apresentações, a programação aposta na aproximação entre arte e debate público. Os encontros abordam temas como relações raciais, diversidade de gênero, saúde mental e igualdade de gênero, ampliando o caráter formativo do projeto Arteiros Glow Up, desenvolvido pela companhia.

PROGRAMAÇÃO

Após a abertura da mostra, na segunda-feira, 15, com o musical sertanejo “O Menino Coruja”, a programação prossegue nesta terça-feira, 16, às 9h30, com “A Vaca Lelé – Deixe seu Sonho Voar”, que acompanha Matilde, uma vaquinha curiosa que sonha em conhecer o mundo além dos limites do curral e acredita que um dia poderá criar asas para voar.

Na quarta-feira, 17, também às 9h30, será apresentado “Sou Caipira, Ibirá, Póra”, musical que celebra a cultura caipira do interior paulista, tendo como pano de fundo a descoberta das águas termais que projetaram o nome de Ibirá no Brasil. A montagem também propõe uma reflexão sobre estereótipos associados ao homem do interior e aborda temas como machismo, homofobia e valorização da arte.

Já na quinta-feira, 18, às 14h, entra em cena “Mazzaropi, Um Certo Sonhador”. O espetáculo acompanha uma trupe ambulante que revisita a vida e a obra de Amácio Mazzaropi, resgatando a infância simples do artista e sua ligação com o universo circense.

O encerramento da mostra acontece na sexta-feira, 19, com duas apresentações de “MC Mosquitão e as Mosquitetes” em escolas da rede municipal. De forma lúdica e musical, a peça aborda a conscientização sobre a dengue e a importância da prevenção.

Debates e reflexões

Paralelamente à mostra teatral, a companhia promove uma série de encontros voltados à discussão de temas sociais e culturais. Nesta terça-feira, 16, às 19h, a atriz, diretora e pesquisadora Geovanna Leite conduz a palestra “Meu lugar de fala negra - Ampliando referências e combatendo o racismo”. O encontro propõe uma reflexão sobre o conceito de lugar de fala a partir de referências históricas e intelectuais ligadas à população negra, discutindo formas de ampliar repertórios e enfrentar o racismo no cotidiano.

Na quarta-feira, 17, às 19h, o encontro “Lugares de Fala” reúne cinema e debate. A programação inclui a exibição do filme “O Ventre do Traviarcado”, dirigido por Gaia do Brasil, que retrata a realidade de três travestis na cidade de São Paulo durante a década de 1980, em meio à repressão policial e ao início da epidemia de HIV/Aids. Após a sessão, a artista participa do bate-papo “Diálogo sobre a resistência trans”.

A noite segue com “Notas pra não desaparecer”, conversa conduzida pelo artivista Murilo Gussi, fundador do GAL – Grupo de Apoio à Loucura. A atividade mistura memórias pessoais, reflexões sobre sexualidade e relatos de criação artística para discutir como a arte pode se tornar espaço de resistência, acolhimento e construção de identidade.

A programação continua no dia 22, às 19h, com a palestra “Alerta aos Pais – Depressão e Suicídio”, ministrada pela psicóloga Gisele Peluci. Voltada a pais, educadores e profissionais da área, a atividade busca discutir formas de identificar sinais de sofrimento psíquico entre crianças e adolescentes e fortalecer redes de acolhimento e apoio.

Encerrando o ciclo, no dia 23, às 19h, Geovanna Leite retorna à sede da companhia para conduzir a palestra “Meu lugar de fala feminina - A desconstrução do machismo no cotidiano e na educação”, que discute a desconstrução do machismo no cotidiano e na educação, a partir de reflexões sobre igualdade de gênero e convivência mais inclusiva.