Diário da Região
CORPO EM CICLOS

Literatura abre diálogo sobre os ciclos do corpo feminino no Sesc Rio Preto

Escritora Carol Petrolini participa de roda de conversa gratuita sobre menarca, menopausa e transformações emocionais

por Dandara Caroline*
Publicado há 7 horasAtualizado há 2 horas
Encontro com Daniela Águas e Carol Petrolini busca quebrar tabus históricos (Arquivo Pessoal)
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Encontro com Daniela Águas e Carol Petrolini busca quebrar tabus históricos (Arquivo Pessoal)
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A Biblioteca do Sesc Rio Preto abre espaço para um tema que, por décadas, foi tratado em voz baixa: os ciclos do corpo feminino. No dia 10 de março, às 19h30, uma roda de conversa gratuita e aberta ao público recebe a escritora Carol Petrolini e a mediadora Daniela Águas para conduzir um diálogo que parte da literatura para atravessar experiências físicas, emocionais e culturais que vão da menarca à menopausa — e além.

O encontro gira em torno dos livros “A lua de Alice” e “Depois da última lua”, nos quais Carol aborda, de forma poética, as transformações que marcam o percurso biológico feminino. Psicóloga, a autora também desenvolve encontros voltados para mulheres ao lado da parceira Kênia Lorezzatto, aprofundando aspectos emocionais ligados ao tema. Na roda literária, porém, a proposta é ampliar o acesso à discussão por meio da leitura e da troca coletiva.

Segundo Daniela Águas, a iniciativa faz parte de um movimento de enfrentamento de tabus históricos. “Penso que o trabalho que a Carol tem feito com seu livro, e eu, por meio das mediações com ela, é fundamental para quebrar o tabu e promover um espaço acolhedor e seguro para as mulheres trocarem informações, sensações e sentimentos sobre o que cada uma de nós passa, desde a menarca até a menopausa e depois dela também. Para mim, é uma honra poder participar deste movimento”, afirma.

Ela explica que as conversas partem sempre das obras de Carol. “Nas rodas literárias, a conversa é mais ampla e leve, para que as mulheres sejam introduzidas ao tema por meio dos livros e se sintam confortáveis em falar abertamente sobre os ciclos femininos e conhecer mais sobre eles também.”

Embora o foco esteja nas experiências femininas, o encontro também busca envolver homens no debate. A ideia é ampliar a compreensão sobre as mudanças hormonais naturais do corpo feminino e seus impactos nas relações afetivas, nos ambientes escolares e no trabalho.

Para Daniela, essa participação é urgente. “Isso pode evitar muito mal-estar entre casais, por exemplo, e também reduzir constrangimentos nas escolas, como situações relacionadas à menstruação.”

A mediadora lembra que, por muitos anos, mulheres de gerações anteriores atravessaram essas fases em silêncio. “Primeiro, porque não existia abertura para falar sobre isso. Muitas passaram pela menarca sem saber o que estava acontecendo com o próprio corpo. Depois, porque sem diálogo, também não havia estudos e informações acessíveis que ajudassem a lidar com essas mudanças.”

Ela reconhece que nem todas as mulheres sentem intensamente os efeitos dos ciclos, mas destaca que a maioria vivencia alterações físicas e emocionais. “Poder dar espaço para que essa conversa floresça pode ajudar muitas de nós a compreender o que se passa nesses períodos e, desta forma, encará-los de maneira diferente, com informação e acolhimento.”

Daniela também reforça a importância de buscar espaços comprometidos com a escuta respeitosa. “Diria para a mulher que ainda sente vergonha que participe de alguma conversa nossa, da Carol com a Kênia ou de grupos sérios que estejam de fato envolvidos com o assunto de forma esclarecedora e acolhedora.”

Ela relembra já ter presenciado situações em que o tema foi deslegitimado em rodas abertas ao público. “É muito importante escolher um grupo que esteja comprometido em ampliar o saber e não em desmotivar a conversa sobre os ciclos femininos, tratando-a como algo insignificante.”

Estagiária sob supervisão de Salomão Boaventura