Congresso reúne especialistas para discutir primeira infância em Rio Preto
Evento reúne especialistas do Brasil e do exterior em três dias de debates sobre desenvolvimento infantil, vínculos, genética, adoção e educação

Os primeiros anos de vida passam depressa, mas deixam marcas que podem acompanhar uma pessoa por décadas. É nesse período, quando vínculos, capacidades e estruturas do desenvolvimento estão em plena formação, que a atenção aos sinais de dificuldade pode fazer diferença. Esse é o ponto de partida do IV Congresso Internacional do Projeto Ninho do Bebê, que começa nesta quinta-feira, 20, em Rio Preto, reunindo especialistas brasileiros e estrangeiros para discutir os caminhos do desenvolvimento na primeira infância.
O encontro segue até sábado, 22, no Teatro Paulo Moura, com participação presencial e online. A programação aborda temas que vão da identificação precoce de alterações no desenvolvimento à parentalidade, adoção, genética, educação e ao brincar como instrumento clínico e educativo.
A abertura oficial está marcada para as 18h30 de quinta-feira e terá uma homenagem ao neurologista infantil Saul Cypel. Na sexta-feira, 21, um dos destaques será a participação da psicanalista franco-brasileira Marie-Christine Laznik, referência internacional na clínica com bebês. Ela participa de uma discussão sobre sinais de risco, avaliação e intervenção precoce.
Criado em 2017 pela pediatra Cláudia Boutros de Carvalho, o Projeto Ninho do Bebê reúne atualmente mais de 60 profissionais e atende famílias em situação de vulnerabilidade, com atenção especial a gestantes e crianças de até 3 anos. Para Cláudia, a capacidade de perceber dificuldades nos primeiros anos e agir rapidamente é fundamental.
“O bebê não pode esperar. É nos primeiros anos que muitas estruturas do desenvolvimento estão sendo construídas. Quanto antes conseguirmos perceber um sinal de dificuldade e oferecer o cuidado adequado, maiores são as possibilidades de ajudar essa criança”, afirma Cláudia.
A identificação precoce de alterações no desenvolvimento estará entre os principais assuntos dos debates. A proposta, segundo a organização, é ampliar o olhar sobre a criança para além de diagnósticos específicos, considerando também o ambiente, os vínculos e a história de cada família.
“Não queremos olhar apenas para um diagnóstico. O bebê precisa ser visto de forma integral, porque cada criança tem uma história e necessidades diferentes”, diz Cláudia.
A programação também inclui discussões sobre movimentos intrauterinos, fatores estressores e protetores, proteção jurídica da infância e os diferentes aspectos da parentalidade. A genética e a epigenética, que estudam a influência de fatores ambientais sobre a expressão dos genes, também estão entre os temas previstos.
No sábado, 22, último dia do congresso, os debates serão voltados ainda à clínica de bebês e à relação entre genética e desenvolvimento. Uma mesa será dedicada ao brincar, abordado como ferramenta de importância clínica e educativa na infância.
Com a presença de profissionais de diferentes áreas, o encontro pretende aproximar conhecimentos da medicina, psicologia, psicanálise, educação e outras especialidades que participam do cuidado na primeira infância. A programação presencial e online permite que os debates alcancem também participantes de outras regiões.