Cia. da Casa Amarela, de Catanduva, completa 26 anos
Companhia teatral de Catanduva mantém a busca pelo novo como missão ao completar 26 anos ininterruptos de trajetória artística

Companhia que colocou Catanduva no mapa do teatro brasileiro, a Cia. da Casa Amarela completa 26 anos em 2021. E o start nas comemorações será dado no dia 18 de março, quando o grupo fará uma mostra de espetáculos de seu repertório com os recursos do auxílio emergencial da Lei Aldir Blanc. "Nossa intenção era fazer uma mostra presencial, mas, pelo andar da carruagem, teremos de migrar para o virtual, algo que fugimos ao longo de 2020", comenta Carlinhos Rodrigues, que forma a Cia. da Casa Amarela ao lado da mulher, a atriz Drika Vieira, e do filho, o ator e músico Ian Costa.
Para Rodrigues, completar 26 anos ininterruptos de trabalho é uma vitória, principalmente depois de um ano marcado pela pandemia de um vírus mortal. "Tínhamos criado uma programação especial para comemorar os nossos 25 anos em 2020, mas tudo foi por água abaixo. Por isso, fizemos questão de não deixar nossos 26 anos passarem em branco", diz. "Ao fazermos uma retrospectiva dos nossos espetáculos, a sensação é de realização. Apesar das dificuldades que todo artista enfrenta para trabalhar no Brasil, valeu a pena cada minuto que dedicamos ao nosso teatro, construindo uma dramaturgia e uma estética própria ao longo de nossa carreira", enfatiza.
Discípulos do artista plástico Wassily Kandinsky (1866-1944), que, em vida, disse que a arte nasce de uma necessidade interior, Rodrigues e Drika se lançam na criação a partir de temas ou situações que os inquietam enquanto pessoas e artistas. "Nossas peças nascem da nossa necessidade de se expressar, de falar ao mundo algo que consideramos importante. É durante o processo de criação que identificamos para quem será aquele espetáculo", conta.
Ao longo de sua trajetória, a Casa Amarela já criou peças para diferentes idades, até mesmo para bebês. Por outro lado, Rodrigues garante que o foco da companhia mira o poético, de modo a emocionar a todas as pessoas - crianças, jovens e adultos. "Pensamos nossas criações de modo a sensibilizar todas as pessoas, independentemente da idade", ressalta. "Cada trabalho nasce do zero. Não aproveitamos uma fórmula que deu certo em uma peça para usar na outra. O público percebe isso. Gostamos muito de sempre sermos novatos naquilo que fazemos, novatos no sentido de buscar o novo sempre, sem ficar na zona de conforto", acrescenta.
E essa busca pelo novo se estabeleceu de forma contundente em 2020, ano que marcou a reinvenção da companhia catanduvense. "A gente não acredita nesse teatro feito virtualmente, mas nem por isso deixamos de criar. Buscamos alternativas no universo online, algo que ainda é novo pra gente", destaca Rodrigues, referindo-se a série adolescente "Bi & Ju", protagonizada por Costa e a atriz Fernanda Doro. "Foi uma experiência muito bacana e já estamos preparando a segunda temporada."
Companhia é tema de livro e documentário
A mostra de repertório da Cia. da Casa Amarela, de Catanduva, que terá início no dia 18 de março, envolve quatro dos mais premiados de seus espetáculos: "Vincent - por um toque de amarelo" (1999), "Candim" (2002), "Nina e Carambola" (2004) e "Um Outro Lugar" (2018).
No dia 20 de março, a mostra será dedicada ao Dia Mundial do Teatro para a Infância e Juventude. "A gente sempre comemorou essa data, mas infelizmente isso não foi possível no ano passado", lamenta Carlinhos Rodrigues.
Além da mostra, cujo formato - presencial ou virtual - ainda dependerá dos rumos da pandemia da covid-19, o grupo catanduvense também teve projeto selecionado em edital do Expresso Lab do ProAC, modalidade do Programa de Ação Cultural, da Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa, criada com os recursos da Lei Aldir Blanc.
O projeto contemplado no ProAC envolve a circulação de "Candim", peça dedicada à obra do pintor Cândido Portinari (1903-1962), em escolas de nove cidades de São Paulo. "Nossa esperança é dar certo de fazer presencialmente, até porque as escolas voltam às aulas no próximo mês. Vamos tentar segurar ao máximo a circulação, para ver como será o rumo dessa pandemia", explica o artista.
Os 26 anos da Cia. da Casa Amarela também serão comemorados com o lançamento do livro "Mambembe", escrito por Carlos Francisco Freixo, de Presidente Prudente, e do documentário "Por um toque de amarelo", que revisita os 26 anos da companhia catanduvense a partir de depoimentos de seus artistas e parceiros.