Cia. Apocalíptica recebe Rômulo Avelar para curso de gestão cultural gratuito no Sesc Rio Preto
Professor compartilha experiências reunidas no livro “O Avesso da Cena” e apresenta conteúdo inédito sobre diversificação de recursos para projetos culturais

A arte que emociona no palco quase nunca revela o que a sustenta fora dele. Entre planilhas, estratégias e articulações silenciosas, existe um outro espetáculo — menos visível, mas decisivo. É nesse território que mergulha o professor e gestor cultural Rômulo Avelar, que está em São José do Rio Preto para conduzir o curso “O Avesso da Cena – Notas sobre Gestão Cultural” com os integrantes da Cia. Apocalíptica e abrir ao público dois encontros gratuitos no Sesc Rio Preto.
As atividades abertas acontecem nos dias 27 de fevereiro, quinta-feira, das 19h às 21h30, e 28 de fevereiro, sexta-feira, das 16h às 18h30, no teatro do Sesc Rio Preto. As inscrições devem ser feitas no local, pouco antes do início das atividades. As vagas são limitadas.
Administrador e especialista em gestão cultural, Avelar parte de experiências acumuladas em diferentes contextos do País — vivências que deram origem ao livro “O Avesso da Cena”. No curso com a companhia, ele propõe uma reflexão direta: o que sustenta a arte além do palco? Planejamento, estratégia, organização e colaboração entram no centro da conversa.
Ao aproximar cultura e administração, o professor lança luz sobre os bastidores do financiamento cultural, defendendo práticas mais conscientes, sustentáveis e coletivas. A discussão ganha ainda mais fôlego nos encontros abertos ao público, voltados a artistas, produtores, estudantes, gestores e interessados em compreender como projetos culturais se estruturam na prática.
Nos encontros, Avelar apresenta um conteúdo inédito: um levantamento com 56 formas diferentes de viabilizar projetos artísticos no Brasil. A proposta é ampliar o repertório de quem atua no setor e reduzir a dependência de um único modelo de captação.
Segundo o professor, a discussão é urgente. “Durante décadas o setor cultural brasileiro viveu como refém do modelo de financiamento baseado nas leis de incentivo. É claro que essas leis continuam aí, mas, nos últimos anos emergiu uma grande discussão sobre a necessidade de diversificação das fontes de recursos. Comecei a listar as estratégias usualmente utilizadas no Brasil para o financiamento de projetos culturais e já cheguei a 56 diferentes possibilidades. As leis de incentivo são apenas uma dessas fontes. Vou compartilhar esse levantamento com os participantes da oficina,” pontua Avelar.
Mais do que palestra, os encontros se apresentam como espaço de troca e construção coletiva. A ideia é oferecer ferramentas concretas para fortalecer iniciativas locais com mais autonomia e visão estratégica — entendendo que a sobrevivência da arte também depende de gestão qualificada.