Arquitetura que guarda histórias
Arquiteto Kedson Barbero discute a importância do tombamento e a preservação da identidade cultural de Rio Preto em ciclo de palestras Bem-Estar no Riopreto Shopping

O rumor do tempo corre silencioso pelas cidades, escondido nas esquinas antigas, nos prédios que resistem à pressa e nos detalhes que contam histórias. É nesse território, onde memória e futuro se encontram, que o arquiteto Kedson Barbero conduz a nova edição do projeto “Bem-estar no Riopreto Shopping”, promovido pela revista Bem-estar, publicação encartada aos domingos no Diário da Região, em parceria com o centro de compras.
A palestra acontece nesta quarta-feira, 26, às 19h, em frente à loja Cacau Show, e coloca o tombamento no centro de uma conversa sobre patrimônio, identidade e pertencimento.
PALESTRA
Com mais de 25 anos de carreira e centenas de projetos assinados, Barbero pretende mostrar como o tombamento permanece um dos instrumentos mais importantes para proteger bens históricos, arquitetônicos, artísticos e culturais.
Em sua visão, preservar essas estruturas significa também guardar a memória coletiva. “Desde criança, a arquitetura me fascinava, mas foi ao perceber que cada edificação carrega memórias e histórias que definem quem somos que entendi sua verdadeira importância”, comenta.
Durante o encontro, o arquiteto discutirá os desafios atuais da conservação histórica na arquitetura brasileira, entre eles o emaranhado de normas, os atritos recorrentes entre preservação e desenvolvimento urbano, a necessidade de políticas públicas efetivas e o papel da sociedade na defesa do patrimônio. Para ele, esse equilíbrio é essencial.
“A arquitetura deve dialogar com a história, respeitar o passado e inspirar novas possibilidades sem perder o sentido de pertencimento”, ressalta.
Especialista em arquitetura hospitalar, Barbero mantém forte atuação no campo da preservação, buscando soluções que conciliem inovação, sustentabilidade e respeito às preexistências históricas. Afirma que seu maior desejo é deixar às futuras gerações de arquitetos um legado que fortaleça a identidade das cidades.
MEMÓRIA COLETIVA
Kedson comenta que a escolha de tratar do tombamento como instrumento de preservação do patrimônio cultural nasce da compreensão de que a memória coletiva sustenta a identidade de uma sociedade. Para ele, o tombamento é mais do que um ato jurídico-administrativo.
“O tombamento é um compromisso público com a proteção de bens que carregam valor histórico, arquitetônico, artístico, ambiental, simbólico ou afetivo”, diz. Ao discutir o tema, ele reforça que preservar esses bens significa manter viva a narrativa que explica quem somos, de onde viemos e como nos transformamos ao longo do tempo.
O arquiteto também pontua que um dos maiores obstáculos é “o desconhecimento ou a pouca valorização do patrimônio pela própria sociedade.” Segundo Barbero, sem identificação e senso de pertencimento, a mobilização social se enfraquece, comprometendo a proteção desses bens.
Para os novos profissionais, torna-se essencial comunicar, sensibilizar e envolver a população, criando pontes entre memória, identidade e futuro, princípios que também orientam o trabalho de Barbero e reforçam a importância da preservação para o desenvolvimento das cidades.
O evento é aberto ao público e se apresenta como oportunidade rara para estudantes, profissionais e interessados se aproximarem do universo da arquitetura e compreenderem por que o tombamento segue fundamental na proteção da memória cultural de Rio Preto. (Colaborou Dandara Caroline)