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RITMO, PALCO E INCLUSÃO

Apae de Rio Preto estreia espetáculo ‘Coração Nordestino’ com apresentações gratuitas na região

Montagem inspirada na cultura nordestina percorre Bady Bassitt, Cedral, Guapiaçu e Rio Preto

por Salomão Boaventura
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
rojeto cultural da Apae leva teatro, dança e percussão a quatro cidades da região (Divulgação)
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rojeto cultural da Apae leva teatro, dança e percussão a quatro cidades da região (Divulgação)
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A cultura nordestina, com sua força popular, musicalidade vibrante e personagens emblemáticos, ganha voz e movimento no espetáculo “Coração Nordestino”, apresentado pela Apae de Rio Preto como resultado da quarta edição do projeto “Cultura para Lembrar e Sentir 4”.

As apresentações começam nesta quarta-feira, 28, às 9h30, em Bady Bassitt, no Fundo Social de Solidariedade Marta Vieira. Depois, o espetáculo segue para Cedral, no dia 2 de junho, também às 9h30, na EMEF Profª Lucia Novais Brandão. Em Guapiaçu, a montagem será apresentada no dia 9 de junho, às 9h30, no Centro de Educação Reino Encantado. O encerramento acontece em Rio Preto, no dia 10 de junho, com sessões às 9h30 e às 15h, na sede da Apae. Todas as apresentações são gratuitas e abertas ao público.

Realizado com incentivo fiscal do Programa de Ação Cultural (PROAC/ICMS), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, o projeto reuniu durante 12 meses oficinas de teatro, dança e percussão voltadas a 40 jovens e adultos com deficiência intelectual.

No palco, os alunos interpretam figuras icônicas do imaginário nordestino, como Lampião e Maria Bonita, em uma montagem que mistura teatro, dança contemporânea e ritmos tradicionais como baião, forró e frevo. O espetáculo propõe uma viagem poética pela identidade cultural do Nordeste brasileiro, explorando temas como resistência, afeto, religiosidade e pertencimento.

“Os alunos participaram das oficinas segundo suas habilidades artística, podendo frequentar de uma até três modalidades, tivemos felizmente mais evoluções do que desafios! Porém para alguns alunos que iniciaram no projeto pela primeira vez, encontraram no início uma certa resistência na desenvoltura em palco, pela timidez, mas que com o passar dos meses foi se diluindo! Foi notório a evolução dos recém chegados ao projeto, tanto quanto aos que já estavam há mais tempo! A resposta do processo de aprimoramento contínuo, pela presença de palco, expressão corporal, técnica artística e ritmo”, afirma Claudia Regina Henrique Lopes, professora de teatro e responsável técnica pelo projeto.

Segundo Claudia, o tema escolhido surgiu da riqueza cultural nordestina e de sua potência simbólica. “Coração Nordestino” busca traduzir em cena a mistura de influências indígenas, africanas e europeias que moldaram uma das manifestações culturais mais marcantes do País.

Além da expressão corporal e cênica, a música também passou por um processo de adaptação para atender às diferentes possibilidades dos participantes. O trabalho desenvolvido nas oficinas de percussão priorizou a vivência prática e sensorial dos ritmos nordestinos.

“Dentro da linguagem musical, o processo consistiu em adaptar ritmos tradicionais nordestinos para realidade e possibilidades dos alunos da Apae, considerando diferentes deficiências intelectuais e motoras. Para isso, foram realizadas adaptações de células rítmicas, sincopas e contratempos, além da substituição e adequação de instrumentos, buscando aproximar sonoridades originais com os recursos disponíveis. A metodologia utilizada é baseada principalmente na oralidade, percepção rítmica e exercícios de noção de tempo e subdivisão de forma não convencional, priorizando a vivência musical prática.

Ao longo desses anos, o trabalho sempre evidenciou a capacidade artística e musical dos alunos, que possuem forte vínculo com as atividades culturais desenvolvidas pela Apae e respondem de maneira muito sensível e ativa aos processos criativos propostos”, afirma João Bolzan, professor de música e percussão.