Alunos do Senac Rio Preto criam peça em áudio para pessoas cegas
O primeiro episódio da áudio série vai estrear na próxima segunda-feira, 9, podendo ser acessado em plataformas de streaming

"Lisístrata", uma comédia antiguerra do dramaturgo grego Aristófanes (385 a.C), foi adaptada por alunos do curso de técnico em teatro do Senac Rio Preto em projeto que busca promover as artes dramáticas para pessoas cegas. Trata-se do Luz dos Olhos (@projetoluzdosolhos), idealizado pelos futuros atores Amanda Giullyan, Estevan Garcia, Lucinha Paglione, Paola Scafe e Paula Valdambrini.
Preocupados com a falta de opções acessíveis a pessoas cegas na internet, a turma de alunos do Senac criou a áudio série “A Greve do Sexo”, cujos seis episódios se baseiam na comédia de Aristófanes – uma narrativa em que as mulheres gregas se unem e bolam um plano para acabar com o conflito entre Atena e Esparta.
O primeiro episódio da áudio série vai estrear na próxima segunda-feira, 9, podendo ser acessado em plataformas de streaming como Spotify, Google Play, Anchor, entre outras. Cada episódio tem duração de 10 a 20 minutos.
Segundo Paola, para criar o projeto, o grupo partiu da afirmação de que o deficiente visual predispõe a solidão e que a quarentena acentuou ainda mais essa exclusão cultural. Por isso, o tema escolhido pelo grupo foi “A solidão do deficiente visual e a queda das atividades integradoras durante a pandemia”. “Esperamos levar um acalento e melhor qualidade de vida, incluindo um pouco da luz do conhecimento e de diversão na vida dessas pessoas que tem a escuridão como rotina”, destaca.
A áudio série foi gravada, com a participação dos alunos e convidados, no estúdio Serra Amarela, em Rio Preto, com edição e finalização da produtora Lolla Sound. Os atores convidados são Guilherme Delamura, Anne Suzuky e Igor Prampolim.
Segundo dados do IBGE, das mais de 6,5 milhões de pessoas com alguma deficiência visual no Brasil 528.624 são incapazes de enxergar e 6.056.654 possuem baixa visão ou visão subnormal. Para essa população, o acesso à internet depende de conteúdos com diretrizes específicas, além de softwares e equipamentos que ajudam a decifrar o que está na rede.