Alexandre Estevanato volta ao tema do Alzheimer em novo curta sobre memória e afeto
Previsto para estrear em setembro, “As Flores de Domingo” acompanha um idoso que enfrenta o Alzheimer e busca preservar as lembranças de uma vida marcada pelo amor

A perda das lembranças nem sempre significa o desaparecimento dos sentimentos. É a partir dessa ideia que o cineasta rio-pretense Alexandre Estevanato constrói “As Flores de Domingo”, curta-metragem com estreia prevista para setembro de 2026 e que propõe uma reflexão sobre memória, envelhecimento e os laços afetivos que resistem mesmo diante do avanço do Alzheimer.
Com roteiro e direção de Estevanato, o filme acompanha Antônio, um idoso que vive em uma casa de repouso e encontra conforto nas conversas diárias com sua cuidadora. O elenco reúne Roberto Borenstein, Regiane Santana e Lilian Blanc.
Entre recordações fragmentadas, silêncios e lapsos provocados pela doença, ele revive a saudade da esposa, que acredita ter perdido há muitos anos. A narrativa se desenvolve a partir dessas memórias cada vez mais difusas, explorando temas como amor, ausência, identidade e pertencimento.
Terceiro filme
Esta é a terceira vez que Estevanato leva o Alzheimer para o centro de uma produção audiovisual. Em 2018, o diretor abordou o tema em “Minha Mãe, Minha Filha”, curta protagonizado por Eva Wilma e Helena Ranaldi, que retrata a relação entre uma filha e sua mãe diagnosticada com a doença. Posteriormente, voltou ao assunto em "Meu Superman", estrelado por Moacir Franco.
Segundo o cineasta, a recorrência do tema em sua filmografia está ligada tanto à relevância social da doença quanto à própria experiência familiar.
“Nós temos dois filmes que falam sobre esse tema. O público clama muito por isso, porque, para toda a família com quem a gente conversa, alguém tem uma história sobre a doença de Alzheimer para contar”, comenta.
“A minha avó paterna desenvolveu a doença de Alzheimer e a minha família conviveu durante mais de nove anos. Primeiramente, a minha mãe cuidou da minha avó paterna, mas minha mãe partiu antes mesmo da minha avó. Ela continuou doente de Alzheimer, passando por todos os estágios tristes que a doença tem, até que aí chegou o fim da vida dela”, recorda.
Para o diretor, o novo filme busca ampliar o debate sobre o Alzheimer para além dos aspectos clínicos da doença.
“Queremos que o público saia da sessão refletindo sobre a importância de estar presente na vida das pessoas que ama. O filme fala sobre Alzheimer, mas fala principalmente sobre amor, cuidado, acolhimento e sobre aquilo que permanece em nós mesmo quando as lembranças começam a desaparecer”, ressalta.
Congresso
Antes da estreia oficial, “As Flores de Domingo” terá uma sessão especial durante o Congresso Brasileiro de Alzheimer e Congresso Brasileiro de Neuropsiquiatria Geriátrica de 2026, que será realizado nos dias 28 e 29 de agosto, em São Paulo. O evento reúne especialistas, pesquisadores, profissionais da saúde, cuidadores e familiares para discutir avanços e desafios relacionados às demências.
Patrocinado pelo Terça da Serra, o curta também deverá circular por festivais e mostras audiovisuais. A proposta da produção inclui ainda exibições especiais em hospitais, universidades, instituições de longa permanência para idosos e eventos voltados às áreas da saúde, educação e assistência social.
Com “As Flores de Domingo”, Alexandre Estevanato amplia uma trajetória artística marcada pela abordagem humanizada do Alzheimer e reforça o papel do audiovisual como ferramenta de conscientização sobre uma doença que afeta milhões de famílias no Brasil e no mundo.