Time mais velho e menos veloz, Argentina testa seus limites físicos na semi
KANSAS, EUA (UOL/FOLHAPRESS) - Na zona mista após a vitória sobre a Suíça, o goleiro Dibu Martinez resumiu. "Sentimos as pernas demais, mas com coração sempre se consegue um pouco mais". Este é o estado da Argentina que chega à semifinal deixando tudo em campo, mas no limite físico que precisará ser ainda mais esticado diante da Inglaterra.
Até agora no Mundial foram duas prorrogações. 120 minutos contra Cabo Verde e contra a Suíça. Não à toa é a semifinalista que percorreu a maior distância total em campo nos seis jogos da Copa até agora: 706,45 km, segundo dados da Fifa (Federação Internacional de Futebol).
A Inglaterra, por exemplo, que teve uma prorrogação contra a Noruega, transitou 703,50 km, enquanto Espanha (684,54 km) e França (658 km), ao menos neste quesito estão menos extenuadas.
O cansaço tem explicação. A Argentina tem o elenco com maior média de idade entre os semifinalistas: 29,2 anos. A preocupação é grande com Messi, que completou 39 anos. Em seguida aparece a Inglaterra, quase dois anos mais jovem com 27,4 anos, a França (27,1) e a Espanha (26,9).
Some-se a isso uma Copa do Mundo intensa, que acontece ao fim da temporada europeia, embora Messi não participe dela o craque joga nos Estados Unidos.
As preocupações já existiam antes mesmo de o Mundial começar. Dos 26 convocados, dez passam por problemas físicos, incluindo Lionel Messi, Dibu Martínez, Leandro Paredes, Romero, Molina e Julián Alvarez, líderes da equipe.
Seja por desgaste ou por estilo de jogo, a falta de intensidade da Argentina é percebida em campo. Além de sofrer para passar de Cabo Verde e Egito, contra a Suíça um fator chamou ainda mais a atenção: os atuais campeões não tiveram forças nem sequer para impor seu estilo de jogo com posse de bola e domínio do meio de campo e, recuada até a expulsão de Embolo, se deixou ser controlada pela Suíça.
Essa falta de intensidade é comprovada pelos números. De acordo com dados da Fifa, entre todas as 48 seleções do Mundial, a Argentina é quem tem o índice mais baixo de velocidade média: 5,61 km/h. A líder no quesito é a República Tcheca, que atingiu média de 6,33 km/h .
Os hermanos também estão longe de serem quem mais acelera o jogo. Quando o assunto são as arrancadas, a Argentina é só a décima seleção a dar sprints. 2535. A adversária da semifinal, por exemplo, já deu 2711.
O técnico Lionel Scaloni tenta reduzir os danos. A seleção treinou um dia após o jogo, mas dez titulares não foram a campo. É praxe em práticas pós jogos, mas o treinador quer aproveitar cada minuto para recuperar seus atletas até a semifinal que ocorre na quarta-feira, em Atlanta.