Técnico do Cabo Verde diz que empate com Espanha 'significa tudo' para país e diz que quer 'fazer mais'
ATLANTA, EUA (FOLHAPRESS) - Após o inesperado empate sem gols entre Espanha e Cabo Verde, na estreia das duas seleções na Copa do Mundo, o técnico Bubista afirmou que o resultado "significa tudo" para o país africano, que disputa seu primeiro Mundial.
"Queríamos que todo o mundo visse o nosso país e a nossa equipe. Demonstramos organização, coragem e determinação. Isso mostra o que é Cabo Verde: um país resiliente, que tenta superar dificuldades", afirmou na entrevista coletiva após a partida.
O treinador também destacou o simbolismo do resultado diante de uma das favoritas ao título e lembrou que sua equipe conquistou o primeiro ponto da história do país em Copas do Mundo.
"Estamos felizes com a nossa primeira participação e por conquistar esse primeiro ponto diante da campeã da Europa. Isso nos dá satisfação, mas seguimos com os pés no chão. Sabemos que cada jogo será difícil até o final da fase de grupos", disse.
Questionado sobre a atuação do goleiro Vozinha, eleito o melhor jogador da partida após uma sequência de defesas importantes, Bubista evitou destacar individualmente qualquer atleta. Ainda assim, reconheceu a importância do veterano para a seleção e comentou sobre o choro do goleiro após a partida.
"Vozinha luta há muitos anos para estar neste palco. É um jogador muito experiente e essa emoção mostra tudo o que ele passou para chegar até aqui", afirmou.
Para o treinador, o desempenho do goleiro foi consequência da organização coletiva da equipe.
"Não gosto de individualizar. Vejo se pre a equipe. Fizemos um grande trabalho defensivo, com muita calma e organização. Is so também permitiu que o Vozinha se sentisse mais tranquilo para fazer o seu jogo. Estou muito satisfeito com o trabalho que realizamos", declarou.
Bubista rejeitou a ideia de que o resultado tenha sido fruto apenas de uma atuação defensiva. Segundo ele, Cabo Verde encontrou outras formas de controlar a partida mesmo com pouca posse de bola.
"A Espanha teve a bola durante a maior parte do tempo, mas controlar um jogo não significa apenas ter a posse. Nós controlamos a partida através da nossa organização. Gostaríamos de ter feito mais transições ofensivas, mas enfrentamos uma das melhores equipes do mundo", afirmou.
O treinador também elogiou a evolução das seleções consideradas menores no cenário internacional.
"Hoje o futebol está muito mais equilibrado. As equipes menores estão mais organizadas e têm mais oportunidades de competir com seleções de nível superior. O futebol é organização, coragem e determinação", disse.
Sobre os próximos desafios da fase de grupos, Bubista ressaltou que o empate não muda a postura da equipe.
"Independentemente do resultado de hoje, estaríamos preparados para competir nos outros dois jogos. Sabemos da dificuldade dos adversários que teremos pela frente, mas confiamos na nossa preparação, na nossa união e na nossa coragem."
Contra o Uruguai, próximo adversário de Cabo Verde, o treinador prevê mais uma partida complicada.
"O Uruguai é uma equipe muito forte, muito difícil de ser batida. Mas confiamos sempre na nossa preparação. Temos união e coragem, e isso já nos ajudou a alcançar coisas muito difíceis. Vamos procurar ter mais controle do jogo e continuar competindo da nossa maneira."
'FALTA UM POUCO DE PRECISÃO', DIZ TÉCNICO DA ESPANHA
Se para Cabo Verde o empate teve sabor de vitória, para a Espanha a sensação foi oposta. Favorita ao título e apontada como uma das seleções mais fortes do torneio, a equipe comandada por Luis de la Fuente deixou o campo com gosto amargo após esbarrar na organizada defesa cabo-verdiana.
Em entrevista a jornalistas após a partida, Fuente disse que a Espanha já esperava encontrar dificuldades contra os africanos e minimizou qualquer preocupação com o desempenho da equipe.
"Sabíamos da dificuldade que seria este encontro. Já tínhamos feito essa análise antes do jogo. Cabo Verde é uma equipe organizada, com características que podem criar problemas para qualquer adversário", afirmou.
Apesar do domínio espanhol, De la Fuente reconheceu que faltou precisão nos momentos decisivos. Para ele, a equipe produziu o suficiente para vencer, mas não teve o acerto habitual no último passe e nas finalizações.
"Em jogos como este, quando falta um pouco de precisão, frescor ou qualidade no passe final, essas situações acontecem. Não é algo que gere dúvidas ou preocupação excessiva. É apenas um aspecto que precisamos continuar trabalhando", disse.
Questionado sobre as ausências de Lamine Yamal e Nico Williams, que só entraram no segundo tempo, o treinador evitou atribuir o rendimento da equipe aos desfalques. Embora tenha reconhecido que os dois são jogadores capazes de desequilibrar partidas, ressaltou a confiança no restante do elenco.
"Nunca gosto de falar dos ausentes. Obviamente são dois jogadores diferenciados, mas os que estiveram em campo também são excelentes. Quando estiverem disponíveis, vão acrescentar novas alternativas à equipe, mas todos os jogadores que temos são grandes futebolistas", afirmou.
Para De la Fuente, a estreia serviu como um lembrete do equilíbrio existente em uma Copa do Mundo. O treinador elogiou a organização defensiva de Cabo Verde e afirmou que o placar poderia ter sido diferente caso a Espanha tivesse conseguido abrir o marcador ainda no primeiro tempo.
"Um Mundial é uma competição de dificuldade extrema. Existem seleções com menos qualidade individual, mas que fazem muito bem aquilo que sabem fazer. Cabo Verde defendeu muito bem. Se tivéssemos marcado no primeiro tempo, o jogo teria sido diferente", avaliou.
O técnico também destacou que a partida reforçou a necessidade de evolução ao longo do torneio.
"O que aprendemos é que precisamos continuar crescendo, melhorando e colocando em campo a alma, o coração e o talento que estes jogadores têm. Este grupo continua muito unido e comprometido."
Ao comentar a sequência de 32 partidas sem derrota da seleção espanhola, De la Fuente classificou a marca como extraordinária, mas lembrou que ela não garante vantagem alguma na Copa. O treinador explicou que a equipe ainda busca a melhor condição física e mental para a competição e justificou a demora para realizar alterações durante a partida.
"Quando você inicia uma competição como a Copa do Mundo, são exigidos comportamentos diferentes. Tentamos esperar um pouco mais antes das substituições porque acreditávamos que aqueles jogadores ainda poderiam nos dar o que o jogo exigia para superar o adversário. Depois buscamos novas alternativas para encontrar espaços e aumentar nossa capacidade de desequilíbrio", afirmou.